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domingo, 19 de maio de 2013

Educação (2º bimestre)





Adultos quebram barreiras e voltam a estudar
FONTE: http://www.jornaldebeltrao.com.br/beltrao/adultos-quebram-barreiras-e-voltam-a-estudar-48507/



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Voltar a estudar é, para muitos, uma barreira a ser quebrada. Ainda mais depois de tanto tempo longe dos bancos escolares. A maior parte das pessoas nesta situação sente-se envergonhada por não saber ler e escrever e acaba não procurando ajuda. As pessoas não devem ter medo de aprender, afinal ninguém sabe mais do que ninguém. Saber ler e escrever é essencial. Depois que começa, o aluno não quer mais parar”, comenta Elci Menin, diretora do EJA (Educação para Jovens e Adultos) de Francisco Beltrão.
No Colégio Estadual Tancredo Neves, na Cidade Norte, a reportagem do JdeB encontrou uma pequena turma do EJA, mas com muitas histórias para contar. A professora Marilita de Oliveira Santos sente prazer em ensinar os alunos do bairro em que mora. Esses alunos são exemplo de superação. E a gente pede para eles para que indiquem ainda mais pessoas para serem alfabetizadas”, diz.

Casal estudando
Sandra e Delacir Felber são casados e vão à aula juntos. Eles acabam se ajudando e se motivando a estudar. Ele é eletricista; ela, aposentada. Eu sempre fiz cursos técnicos para me aperfeiçoar, mesmo sem saber escrever. Eu me reunia em grupos e a avaliação não era individual. Ainda bem que sempre tive amigos que me ajudaram”, conta Delacir, que teve momentos difíceis por não ser alfabetizado. Eu chegava a chorar porque a empresa me pagava aquele curso e eu tinha medo de reprovar. Então decidi parar de depender dos outros e voltar a estudar.”
Delacir tentou estudar antes, mas não deu continuidade porque morava na colônia. Uma vez a gente achava que saber trabalhar na roça era o suficiente para sobreviver. Ninguém se preocupava em estudar. Hoje sentimos a diferença”, complementa.
Sandra saiu de casa aos 9 anos de idade. Ela precisava se sustentar e, como conta, não tinha tempo para estudar. Quem me criou foi o mundo, trabalhava de casa em casa, o que aparecia eu pegava. Mas até hoje eu só trabalhei para os outros. Agora eu quero ser alguém para trabalhar por conta”, almeja.

Dificuldade para receber o salário
Clóvis da Silva Moura é pedreiro. Ele diz que na sua profissão tinha dificuldade até mesmo para receber o salário por não ser alfabetizado. “A gente fazia grupo para preencher uma simples ficha. Hoje ainda existe casos de mestre-de-obra que não sabe ler uma mensagem de celular. Em dia de pagamento, a gente tem que ler o nome no envelope com o dinheiro, pois o chefe só lê figuras”, conta Clóvis, que ainda pretende trocar de profissão: Eu quero ser mecânico, é uma profissão mais rentável. Nosso trabalho é só na prática, talvez por isso que a maioria dos pedreiros não se motiva a estudar. Mas eu sei que quem tem estudo, ganha mais e sempre tem preferência”, comenta.

CNH induz à alfabetização
Em quase todas as turmas do EJA em Francisco Beltrão há, pelo menos, um caso de alguma pessoa que quer ser alfabetizada para poder fazer a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). No Tancredo Neves, quem vive esta situação é dona Rosa Ferreira Soares, costureira aposentada. Meus filhos trabalham, têm o próprio veículo. Eu acabei ficando isolada, quando quero ir ao centro, dependo deles. Quero fazer a carteira e comprar uma moto para me virar. Mas, para isso, preciso estudar.”

Nunca tive incentivo
Lídia Rodrigues é natural de Rondônia. Quando pequena, ela teve Dengue e foi tratada como se tivesse uma gripe. Por causa disso eu perdi a memória da minha infância, não sei nem se fui à escola ou não”, conta Lídia, que é costureira. Eu poderia correr atrás de saber o que aconteceu realmente comigo, mas se eu me preocupar com o passado, vou perder o presente e o futuro”, acrescenta.
Com pais analfabetos, Lídia diz que nunca recebeu incentivo para estudar. Meus pais nem falavam em estudar. Agora que estou casada, meu marido diz para eu aprender a ler e escrever”, comenta a aluna que tem a meta mais ambiciosa: Eu pretendo fazer faculdade em Assistência Social para ajudar as pessoas a não passarem por o que eu passei”, conclui.

Morou no Paraguai 35 anos
Sandra Terezinha Goulart voltou a morar em Francisco Beltrão no início do ano passado. Ela residia há 35 anos no Paraguai, onde trabalhava na colônia. Meu filho ficou doente e resolvemos voltar, pois aqui ele é melhor atendido”, conta Sandra, que hoje trabalha como costureira. No ano passado ela se formou no Programa Paraná Alfabetizado, um curso de oito meses coordenado pelo Governo do Estado. Agora Sandra pretende se aprofundar na alfabetização. Agora faltam poucas letras nas minhas palavras. No começo, faltavam palavras nas minhas frases. Pretendo estudar para montar o meu próprio negócio de confecção”, diz Sandra, que tem oito filhos com apenas 37 anos. (ASP)

Comentário:
Essas pessoas estão de parabéns, por quebrarem as barreiras da idade e voltarem a estudar.
 
Nessa reportagem, pude notar algo curioso: duas moças são costureiras e uma senhora é costureira aposentada. Acho que muitas pessoas não alfabetizadas adotam essa profissão porque nem sempre é preciso saber ler e escrever para ser costureira.

Também fiquei abismada em saber que, se a dengue não for tratada da maneira correta, pode causar perda de memória, como foi o caso de Lídia Rodrigues, que voltou a estudar porque perdeu a memória da infância e não sabe nem se chegou a ir à escola.

Hoje em dia, saber ler e escrever é realmente essencial, e ninguém deve ter vergonha de fazer algo que melhora sua vida.