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sábado, 31 de outubro de 2015

CULTURA - 4º Bimestre 2015


O olhar distante de Vik Muniz

Artista plástico abre hoje, em Grande Vitória, mostra com cem

imagens antigas e inéditas no país

 

Fonte:http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/o-olhar-distante-de-vik-muniz-1.1141701
 

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Foto 1 - Baixo-relevo. Parte das imagens expostas em Vila Velha foram feitas em áreas de mineração em Minas Gerais e no Pará

Foto 2 - Imagem mostra obra de Vik Muniz que fez parte da abertura da novela Passione




Se a obra de Vik Muniz tivesse que ser resumida em uma palavra, ela seria escala. Incompreensíveis de perto, as instalações do artista plástico paulista radicado no Estados Unidos ganham contornos mais definidos quando vistas (bem) de longe.

Desenhos feitos em planície, por exemplo, ganham forma e se transformam em avião de papel (foto).

É essa obra que o público capixaba terá a oportunidade de conhecer a partir de hoje, quando estreia a exposição “Vik Muniz: Panorama do Artista em Cem Obras”, que reúne, entre a centena de imagens, 33 peças da mostra inédita no Brasil “Earthworks: Desenhos de Até Meio Quilômetro de Extensão”.

“São quadros de escala ambiental, com mais de 500 m de comprimento, feitas de maneira pesada em minas de ferro”, explicou o artista ao jornal “A Gazeta”.

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Comentário:

A palavra "escala" para denominar o tipo de arte que pode ser vista nas obras de Vik Muniz não poderia ser uma denominação mais concisa.

O artista impressiona por sua capacidade de "visão aeroespacial" para a criação de obras tão complexas, formadas dos mais diferentes materiais, com tantos detalhes mínimos em um espaço às vezes tão amplo que os materiais, que são muitas vezes tudo o que pode ser visto quando a obra é olhada "de perto", desaparecem em meio à imagem que se forma, quando a obra é admirada "de longe".

Vik Muniz (Vicente José de Oliveira Muniz) nasceu em São Pulo, em 20 de dezembro de 1921. Ele é artista plástico, vive e trabalha em Nova York e no Rio de Janeiro.

A primeira vez que ouvi falar dele foi quando assisti, em uma aula na escola, o documentário "O Lixo Extraordinário", um de seus principais trabalhos, e, certamente, é o trabalho dele que mais me fascina.

O filme, indicado ao Oscar, vai mostrando o trabalho do artista com catadores de lixo, que vão mudando seu modo de pensar e transformando suas visões do mundo ao longo do documentário, ao mesmo tempo que vão ajudando Vik a realizar suas obras, muitas vezes posando como modelos para ele. Tudo ocorre em um grande aterro em Jardim Gramacho, Duque de Caxias, conhecido como "lixão".

Apesar de não me lembrar de todos os detalhes, a sensação que guardei, após assistir o documentário, foi de uma nova compreensão do que seja arte. Lembro que, quando terminou o filme, passei muito tempo meditando e revendo alguns conceitos. Percebi que Vik , por meio de suas obras, faz uma critica à sociedade. Por exemplo, nessa série de trabalhos produzidos neste documentário, ele reproduz obras clássicas em lixo, o que choca e também traz, a meu ver, uma visão ecológica e uma nova perspectiva sobre a forma de fazer arte, ao mesmo tempo que leva o admirador da obra a uma sensação estranha de ver o seu olhar tentando se equilibrar numa linha tênue entre o feio e o belo, entre o lixo e o luxo, entre o caos e o cosmos.

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Foto 1 - A morte de Marat, Jacques-Louis David.

Foto 2 - Obra de Vik Muniz, em "lixo".

Foto 3 - Imagem tirada de catador no documentário "O Lixo Estraordinário".



Acredito que essa exaltação da vida, em forma de sátira, mesclada à brutalidade do lixo, resulta na beleza original e excepcional dos trabalhos de Vik Muniz. O seu estilo e obras únicas são uma revolução no campo artístico, a marca de uma nova maneira de expressão.
Essa é uma exposição a qual, se eu puder ir, certamente o farei.

EDUCAÇÃO - 4º Bimestre 2015


Professor usa app G1 Enem em aula especial com desafio para alunos

Victor Neri diz que novidade ajudou na disciplina e no comprometimento.
Professor adota sarau, filmes e outras novidades para conquistar turmas.

Fonte: http://g1.globo.com/educacao/enem/2015/noticia/2015/10/professor-usa-app-g1-enem-em-aula-especial-com-desafio-para-alunos.html

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Victor Neri projeta a imagem do aplicativo na sala para mostrá-la aos alunos.


“Alunos do 3º ano, não se esqueçam de trazer o celular para a aula de sociologia.” O aparelho, que costuma ser combatido nos colégios por distrair os estudantes, ganhou um papel importante na Escola Estadual Dr. Joaquim Silvado, na Vila Zatt, zona norte de São Paulo.

O pedido para que os alunos levassem o celular foi postado no Facebook da instituição de ensino. A ideia, elaborada pelo professor Victor Neri, era usar o aplicativo G1 Enem em uma aula especial para estimular o estudo de forma dinâmica.

“A escola liberou o acesso à internet e pudemos, assim, brincar com o jogo de perguntas e respostas”, afirma Neri, que também ensina história e filosofia a 22 turmas.

Ele organizou uma competição entre os estudantes: contou quantos pontos cada um deles conseguiu fazer em uma aula. Para ensinar conteúdos a partir do aplicativo, Neri conectou seu celular ao projetor, para que as questões fossem mostradas na lousa, em tamanho maior. Em seguida, os alunos respondiam em voz alta, juntos, qual alternativa acreditavam ser a correta

Para Neri, o uso da tecnologia em sala de aula ajuda a envolver os alunos. “Percebi que, no dia em que jogamos com o aplicativo, o índice de faltas foi bem menor nos terceiros anos”, conta.

Ele também afirma que a indisciplina foi reduzida. “Uma das turmas, que tem questões de comportamento mais difíceis, se desenvolveu melhor no dia.”

Depois de usarem o app G1 Enem pela manhã, durante a aula, os alunos da escola estadual passaram a disputar partidas entre eles, sem intermédio do professor. “Andei pelo corredor e vi vários jogando. Eles me disseram que ficaram viciados”, brinca Neri.

Aulas diferentes

O uso do aplicativo não foi a primeira aula criativa do professor. Ele costuma usar músicas, quiz e filmes para tornar o aprendizado mais descontraído. Em outubro, Neri distribuiu aos alunos cartilhas sobre direitos humanos. No fim do mês, haverá o sarau sociológico: os estudantes apresentarão peças de teatro e canções relacionadas ao Estatuto do Idoso, aos direitos da mulher, entre outros temas.

As aulas com dinâmica diferente ocorrem na sala de leitura, que tem mesas grandes e traz mais informalidade. “Isso faz com que os alunos participem mais”, diz Neri.

Como faltam poucos dias até o Enem, o professor percebeu que as turmas estão mais ansiosas. Mas acredita que, com o uso da arte e de jogos, todos consigam se concentrar mais.

Neri acompanha os estudantes no processo inteiro – todo ano, ele presta o Enem e depois estuda o que caiu no exame. “É uma experiência que passo para as classes seguintes. Quero estar junto com meus alunos sempre”, diz.

Comentário:

Atualmente, em diversas escolas o ensino vem se integrando com a tecnologia, numa tentativa de tornar as aulas mais interativas e despertar mais a atenção dos alunos.

Eu acredito que esta tática do professor Victor Neri conta com grande probabilidade de acerto, considerando que, muitas vezes, uma aula puramente teórica, somada à dificuldade de algumas matérias e à própria maneira nem sempre estimulante como alguns professores dão aula, torna-se rapidamente enfadonha e os alunos logo param de prestar atenção, principalmente aqueles que já tem alguma dificuldade de concentração.

Assim, quando um elemento novo é trazido para dentro da aula, como o uso do celular aliado a um aplicativo e ainda conectado a um projetor, para tornar tudo maior e mais atrativo, a curiosidade dos alunos é capturada e, se o aplicativo faz uso de jogos de perguntas e respostas, desperta um elemento poderoso do cérebro humano: a competitividade, que, estimulada da maneira correta, pode ser uma grande aliada do educador, capaz de atrair toda a atenção do jovem para aquele momento.

Eu até acredito que, no terceiro ano do ensino médio, como é o caso das turmas da escola acima, uma parte dos próprios alunos muitas vezes já apresentam uma disposição maior a focar nas aulas, uma vez que eles estão prestes a fazer a prova do Enem e algum vestibular e, em se tratando de uma escola estadual, muitos ali tem condição financeira baixa e, portanto, dependem realmente de uma boa nota do Enem para fazer uma faculdade pública.

Mas, na realidade, são poucas as escolas estaduais, mesmo em Estados mais desenvolvidos como São Paulo e Rio de Janeiro, que possuem projetores em sala de aula e acesso à internet, já que a maioria dos Estados não considera esse tipo de recurso didático como prioritário e, muitas vezes, os próprios alunos vandalizam esse tipo de material, que raramente é reposto. Até nas escolas particulares esse tipo de equipamento não é encontrado em todas as salas de aula, e só há alguns anos é que vem sendo, gradualmente, adquirido. E o que é pior: apesar dos estereótipos que colocam os estudantes das escolas públicas como tendo um perfil mais agressivo e violento, também nos colégios particulares são encontrados alunos capazes de depredar esses dispositivos, muitas vezes só para se divertirem.

Apesar de tudo, é uma iniciativa muito inteligente do professor, uma vez que, onde pode ser aplicada, torna a classe mais atenta e a aula mais dinâmica.
Eu também apoio a utilização de saraus, desde que a preparação e os ensaios ocorram em tempo de aula e que os professores participem destes, aproveitando para ajudarem os alunos a incluirem nas apresentações elementos retirados das matérias dadas em sala de aula, sendo também importante que a escola providencie todos os materiais que os alunos necessitem e contratem profissionais para fazer o trabalho mais "pesado' e demorado de montagens, não prejudicando, assim, o tempo de estudo dos alunos.

ETICA E CIDADANIA - 4º Bimestre 2015


Airbnb cria polêmica ao oferecer hospedagem nas catacumbas de Paris, o 'maior túmulo do mundo'

Integrantes de conselho parisiense apelaram à prefeita por desrespeito a mortos; rede de túneis abriga restos mortais de 6 milhões de pessoas.
Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/airbnb-cria-polemica-ao-oferecer-hospedagem-nas-catacumbas-de-paris-o-maior-tumulo-do-mundo.html

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Airbnb teria pago 350 mil euros (R$1,68 milhão) para alugar o local (Fotos: BBC)

Você se hospedaria no "maior túmulo do mundo"? E se ele ficasse no subsolo de Paris?

O site de hospedagem Airbnb gerou controvérsia justamente ao oferecer esta possibilidade aos seus usuários.

Segundo a empresa, os vencedores de um concurso de Dia das Bruxas serão as primeiras pessoas a acordar nas catacumbas que ficam sob a capital da França, onde estão guardados os restos mortais de 6 milhões de pessoas.

Líderes da oposição do conselho da cidade recorreram à prefeita Anne Hidalgo pedindo que ela não esqueça de uma lei francesa que estabelece "devido respeito ao corpo humano mesmo após a morte".

'Retrato da morte'
Mas o que exatamente os hóspedes encontrarão nas catacumbas de Paris?

Bem, em primeiro lugar, milhões de ossos organizados como se fossem um "retrato da morte", segundo algumas descrições do local.

Apenas uma parte do labirinto de túneis é aberta ao público, e visitantes precisam descer 20 metros sob o solo para fazer um tour pela seção de 2km das catacumbas onde os ossos estão guardados.

Eles são recebidos no local pela frase: "Pare, este é o reino da morte". Esta é a primeira de uma série de mensagens gravadas nas paredes das catacumbas para fazer os visitantes "refletirem".

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Saúde pública
Os restos mortais que se encontram depositados nas catacumbas foram sendo levados pouco a pouco para o subsolo entre o final do século 18 e meados do século 19, quando os cemitérios superlotados de Paris foram fechados por questões de saúde pública.

Na época, acreditava-se que o vinho e o leite estragavam rapidamente por conta da decomposição dos corpos na cidade. O primeiro a ser fechado foi o Cemitério dos Inocentes, em 1786.

As catacumbas são parte de uma enorme rede de túneis existente nas entranhas de Paris formada pela extração de calcário e gesso a partir da época romana para serem usados na construção da cidade.

Em 1774, o colapso de uma de suas câmaras fez com que o rei Luís 16 mandasse reforçar e mapear esta rede. A grande maioria dos túneis está fechada para visitação pública desde 1955.

Entradas ocultas
No entanto, os mais de 250km de passagens subterrâneas podem ser acessados por meio de diversas entradas secretas espalhadas pela cidade, em seus esgotos, porões e túneis de metrô.

Elas abrigam uma série de segredos. Em 2004, a polícia encontrou um cinema completo, com telão, bar e assentos escavados na rocha. Também já foi palco de shows de arte clandestinos, performances teatrais e rituais e festas organizados por fãs das catacumbas, que são conhecidos por explorar os túneis por diversão.

Segundo a agência de notícias AFP, o Airbnb pagou até 350 mil euros (R$1,68 milhão) para alugar uma parte das catacumbas que pode ser visitada pelo público à noite.

A empresa diz que dois hóspedes ainda terão direito a um concerto subterrâneo e contação de histórias antes de dormir.

Segundo as regras da hospedagem, é "proibido perseguir fantasmas pelas galerias" das catacumbas.

Comentário:

As Catacumbas de Paris não representam apenas um cemitério onde jaz parte da população, mas também um pedaço importante da história da cidade, com suas tradições, memórias e até mesmo superstições. Isso, acredito eu, foi o que causou a maior parte da indignação da população para com a atitude desse site de hospedagem.
Não obstante ter pesado a superstição de os cemitérios serem os responsáveis pela decomposição do leite e do vinho, a criação desse enorme complexo funerário se concretizou, certamente, por se tratar de um aproveitamento inteligente das galerias subterrâneas já existentes, para solucionar o problema da superlotação e da dificuldade de conservação dos cemitérios parisienses, onde havia realmente o risco de concentração de focos de doenças.
 
Apesar de o maior atrativo para os que participaram do concurso insólito ser a possibilidade de dormir e acordar próximos a milhões de ossos e inscrições funestas, as catacumbas deveriam ser procuradas e preservadas não por esse tipo de curiosidade mórbida, mas pela sua importância histórica. Por exemplo, em 1788, soldados da Revolução Francesa mortos em combate foram sepultados diretamente nas catacumbas. Muito tempo depois, em 1871, em uma de suas câmaras subterrâneas , um grupo de anarquistas foi assassinado por membros da Comuna de Paris. O complexo também não só sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, como serviu de abrigo para membros da Resistência Francesa nesse período, tendo até mesmo bunkers construídos em suas galerias.
 
Mesmo que atualmente, como a matéria menciona, apenas uma parte seja aberta à visitação, a curiosidade pelos túneis seculares e pelos possíveis segredos enterrados junto aos ossos ainda atrai muitos "aventureiros" , conhecidos como kataphiles, que exploram o subterrâneo parisiense. Desde a segunda metade do século XX até hoje em dia, os mais diversos grupos utilizam  as catacumbas com diferentes propósitos, sendo eles ativistas políticos, religiosos, artistas ou até mesmo usuários de drogas.
 
Além da questão histórica, para entender até que ponto é questionável transformar um cemitério, seja do tipo que for, em uma espécie de "hotel temático", sem correr o risco de atingir negativamente os valores morais dos descendentes do povo ali sepultado, é preciso primeiro entender sua história e o significado daquele local para essa gente.  O que o site de hospedagem viu como apenas uma nova forma de atrair clientes, em sua maioria turistas estrangeiros, e gerar maiores lucros, vai claramente contra os princípios do povo francês, princípios estes que foram inclusive transformados em uma  lei que exige o "devido respeito ao corpo humano mesmo após a morte", o que demonstra, claramente,  a importância dessa questão para a população não só de Paris, mas de toda a França.
 
Isto sem falar no risco à saúde, pois a Airbnb compromete a integridade física de seus "hóspedes", fazendo-os dormir em um ambiente insalubre e colocando-os em exposição direta a todo tipo de microorganismos e matéria putrefata. Também acredito que as instalações sanitárias, se existirem, são extremamente precárias, uma vez que não deve haver encanamento nem de água nem de esgoto  nessa área do subterrâneo, destinada a ser um cemitério de ossadas.
 
O site de hospedagem cometeu, assim, a meu ver, um erro, agindo totalmente contra a ética, não só por desconsiderar a importância histórica das catacumbas, como também por infringir a lei e desrespeitar os princípios do povo francês, e, ainda, por oferecer um tipo de hospedagem que não condiz com o que se espera de um serviço de hotelaria. Portanto, espero que a sociedade parisiense se mobilize e consiga o fechamento desse "hotel-túmulo", permitindo o acesso às catacumbas apenas a entidades capazes de preservá-las e de oferecer visitas guiadas somente aos interessados em conhecer, com o devido respeito pela memória das pessoas cujos restos mortais ali se encontram, uma parte importante da história, da tradição e dos valores do povo francês. 
 

MUNDO - 4º Bimestre 2015


Europa deve parar 'critério racista' na realocação de imigrantes, diz Grécia

Declaração foi feita por novo ministro de Migração da Grécia.
UE aprovou um plano para distribuir 160 mil refugiados.

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/entenda-situacao-de-paises-de-onde-saem-milhares-de-imigrantes-europa.html

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A União Europeia deve impedir os países de recolher e escolher os refugiados que serão aceitos em seu programa de realocação, ou este mecanismo irá se tornar um vergonhoso "mercado humano", disse o novo ministro de Migração da Grécia.

A UE aprovou um plano para distribuir 160 mil refugiados, a maior parte da Síria e da Eritréia, por seus 28 estados, com o objetivo de enfrentar a pior crise de refugiados do continente desde a Segunda Guerra Mundial. Os primeiros 19 exilados da Eritréia pedindo asilo foram transferidos da Itália para a Suécia na sexta-feira.

Alguns países, como a Eslováquia e o Chipre, expressaram preferência por refugiados cristãos, enquanto a Hungria disse que o fluxo de muitos muçulmanos ameaça os "valores cristãos" da Europa.

O ministro da Migração grego, Yannis Mouzalas, disse em entrevista que a Grécia tem tido problemas para encontrar refugiados a serem enviados para alguns países porque estes estabeleceram o que ele chamou de "critérios racistas". Ele preferiu não falar a que países se referia.

"Visões como 'nós queremos 10 cristãos' ou '75 muçulmanos' ou 'queremos eles altos, loiros, com olhos azuis e três crianças' são um insulto à personalidade e liberdade dos refugiados", disse Mouzalas à Reuters. "A Europa tem que ser categoricamente contra isso".

Mouzalas, que é médico ginecologista e um membro fundador do braço grego da agência beneficente "Médicos do Mundo", conclamou a Europa a impor cotas rígidas "caso contrário isso vai virar um mercado humano, e a Europa não tem o direito de fazer isso".

Os refugiados geralmente não podem escolher o país para o qual serão direcionados.

A Grécia viu um recorde de 400 mil refugiados e imigrantes, principalmente de Síria, Afeganistão e Iraque, chegarem em suas terras neste ano, via Turquia, com a esperança de chegar a nações mais ricas ao norte da Europa.

Mas milhares deles, principalmente afegãos, acabaram presos na Grécia por falta de dinheiro. As autoridades europeias têm se sido relutantes em tratar os afegãos sistematicamente como refugiados, e, como resultado, eles estão excluídos do processo de realocação.

"É um absurdo pensar que os afegãos estão vindo em busca de um trabalho melhor. Há uma longa guerra lá, você não está a salvo em lugar nenhum, essa é a realidade", disse Mouzalas

Comentário:

Apesar da "máscara" de bondade, que vem sendo usada pelos países europeus para receber os refugiados, todo o mundo sabe que há sempre motivos socioeconômicos por trás de cada ação governamental supostamente humanitária.

A seleção dos refugiados baseada em critérios racistas, denunciada pela Grécia,  não parece ser muito diferente das barreiras que sempre foram levantadas pela Europa contra imigrantes vindos da África (uma vez que, apesar de sempre alegarem estar protegendo sua economia e os empregos de seus cidadãos, são conhecidos os altos índices de xenofobia presentes nos governos de alguns países Europeus, principalmente naqueles que atualmente fazem parte da União Européia), mas neste caso, devido se tratarem de refugiados de guerra e por conta das proporções que o movimento humano atingiu, a segregação arbitrária se tornou mais evidente e por isso virou notícia e provocou essa polêmica no cenário internacional.

É uma verdade histórica que a miséria, guerras e perseguições políticas e religiosas sempre fizeram com que milhares de pessoas de países pobres da África e da Ásia se deslocassem para a Europa. Mais recentemente, essas massas humanas têm vindo de países como Síria, Afeganistão, Iraque, Líbia e Eritreia, buscando, no continente europeu, um refúgio para a situação de caos sócio-político-econômico, associado a conflitos armados, que assolam seus países de origem.

O mundo está assistindo a uma das maiores crises migratórias que a Europa já sofreu desde o Holocausto. Alemanha, França, Itália e Inglaterra são os países a receberem mais refugiados, sem falar na Grécia, por onde muitos entram; porém, devido ao crescimento em massa do número de imigrantes, todos os países europeus que acolhem essas pessoas estão tendo problemas.

Como reflexo dessa crise surgem os chamados "critérios racistas", que são, em parte, uma tentativa de delimitar o número de pessoas com permissão para entrar e ficar nos países. Outra motivação, esta mais óbvia, seria tentar aproximar o perfil dos que chegam, à população local, causando menos problemas de adaptação e assimilação.

No entanto, nenhuma dessas explicações justifica realizar uma separação imoral e ilícita de pessoas, por critérios duvidosos, levando-se em consideração que essa gente já perdeu tudo o que tinha, e ainda precisou realizar uma viagem extremamente perigosa e exaustiva para chegar até ali, ficando muitos pelo caminho.  De fato, a travessia clandestina das fronteiras, seja por mar, seja por terra, já causou a morte de milhares de pessoas; há grupos inescrupulosos que cobram o equivalente a até dez mil reais por pessoa para se aventurarem num barco visivelmente inadequado para enfrentar condições adversas no mar, com a promessa de que o fim da viagem será a chegada a um território onde o refugiado será acolhido.  A verdade é que, mesmo quando o refugiado já conseguiu chegar em território europeu, corre o risco, ao tentar se locomover de trem ou metrô, de ser retido e deportado por falta de documentos.

A Grécia, entre todas as nações europeias, seria a que possui melhores argumentos para passar a recusar refugiados, por conta de ser um país que vem atravessando uma crise econômico-financeira sem tamanho e não ter condições de oferecer empregos sequer para o seu povo, que dirá para estrangeiros. Mas, mesmo assim, é um país que continua a defender os direitos dos refugiados. O país ainda se recuperava da crise anterior, com situação econômica extremamente instável, quando se viu novamente em crise, após ter recebido, sozinho, mais de 160 mil imigrantes em 2015, com este número aumentando a cada dia.
Neste momento, é impossível saber quando a crise terá fim e qual serão as consequências para os países afetados, mas o fato é que o uso de critérios racistas para impedir a entrada de pessoas em um país é algo que não deveria existir, principalmente quando se tratam de países ricos, como a Alemanha, França e Inglaterra. O que os países europeus não percebem é que os que buscam refúgio na Europa estão fugindo de guerras que estão só começando e que, com o decorrer do tempo, caso essas pessoas sejam expulsas da Europa e sejam obrigadas a voltarem para as regiões em conflito, não tendo nada a perder, poderão se aliar a um dos lados em guerra, levando esses conflitos locais, motivados por ódios religiosos e não religiosos, associados a interesses financeiros, a proporções inimagináveis, podendo inclusive atingir a Europa, essa mesma Europa que rejeitou milhares como refugiados, os quais poderão vir a ser aqueles que retornarão aos milhares, desta vez armados, ao continente europeu, dispostos a matar, por vingança, quem os rejeitou.

POLÍTICA - 4º Bimestre 2015


Prefeitura de SP cria 5 mil novos alvarás e lança categoria de 'táxi preto'

Uber poderá se credenciar, mas precisará utilizar motoristas com alvará.
Para concorrer a essas novas licenças, motorista precisará ter Condutax.

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/10/prefeitura-de-sp-cria-5-mil-novos-alvaras-e-lanca-categoria-de-taxi-preto.html

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1 - Grupo de taxistas tenta entrar na sede da Prefeitura (Foto: Dario Oliveira/Código19/Estadão Conteúdo)

2 -Taxistas estacionados no Viaduto do Chá, onde fica a Prefeitura de São Paulo (Foto: Cris Faga/Fox Press Photo/Estadão Conteúdo)



O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou nesta quinta-feira (8/10) a criação de 5 mil novos alvarás para transporte individual de passageiros e o lançamento de uma categoria de “táxi preto”, que só poderá operar por meio de aplicativos.

Os aplicativos também deverão ser credenciados e só poderão operar com os 38 mil taxistas com alvarás na cidade – os 33 mil já existentes e cinco mil novos que serão sorteados.

O Uber também poderá se credenciar, desde que se enquadre nas regras definidas por esse novo decreto, de acordo com a Prefeitura. Em nota, o Uber disse que "não é uma empresa de táxi e, portanto, não se encaixa em qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual público".

O secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, considerou correta a informação de que, em termos práticos, o Uber continua sem condições de operar porque os motoristas que ele usa não são reconhecidos pela Prefeitura de São Paulo.

Sorteio de alvarás

Os cinco mil novos alvarás serão sorteados em sua totalidade pela Caixa Econômica Federal e os motoristas que concorrerem precisam ter o Condutax – cadastro na Prefeitura que habilita o condutor a exercer a atividade de taxista. “Vamos mudar o regime de trabalho desse novo profissional. Não liberou geral. Vamos incorporar a modernidade, a inovação, sem perder o controle, para que o usuário seja contemplado”, afirmou o prefeito.

A prioridade no sorteio dos cinco mil novos alvarás será de pessoas que trabalham como “segundo motorista” – em táxis cuja titularidade do alvará pertence a outra pessoa -  e já são registradas na Prefeitura.

A diferença do “táxi preto” é que o motorista só poderá atender por aplicativos. Não será permitido que esses novos táxis operem em pontos pela cidade ou peguem passageiros pelo caminho.

“Todo táxi branco ou táxi preto pode utilizar o aplicativo. No caso do táxi preto, ele tem que utilizar o aplicativo que ele escolher”, disse Haddad. A Prefeitura estima que há cerca de 50 mil motoristas na fila de espera por um alvará em São Paulo.

Táxi preto

O carro utilizado com esses cinco mil novos alvarás terá que ser preto, com quatro portas, ar-condicionado e com até cinco anos de uso.

As tarifas terão um valor máximo, até 25% maior que a tarifa comum, e o motorista ou a empresa usarão o valor que quiserem desde que não ultrapassem o teto permitido. "A gente precisa deixar uma margem de flexibilidade. A tarifa pode ser até 25% maior do que a comum, mas flexível – estamos admitindo e regulando o desconto", explicou Rodrigo Pirajá, presidente da SP Negócios.

O novo modelo não terá taxímetro e a cobrança será realizada exclusivamente pelo aplicativo. "Estamos prevendo que essa categoria vai trabalhar com mapas digitais e antecipação de custos. O usuário vai precisar saber qual a estimativa de custo que vai ter." Diferentemente dos táxis comuns, os carros não poderão andar pelos corredores de ônibus.

Em relação aos aplicativos, a Prefeitura definiu que eles serão cadastrados e pagarão os tributos definidos pela legislação municipal, entre eles o Imposto sobre Serviços (ISS). "A Prefeitura vai controlar e regular esses aplicativos, inclusive com compartilhamento de dados. Os aplicativos serão tributados na forma da legislação municipal", afirmou Pirajá.

Ações judiciais

Haddad lembrou que o Uber conseguiu uma vitória na Justiça de São Paulo, que negou em Julho uma limiar do Sindicato dos Taxistas pedindo a suspensão do serviço. "Existe ainda uma pendência jurídica. Eles [Uber] provocaram formalmente a Prefeitura para que se manifestasse sobre uma regulamentação de outros serviços que não o táxi. Nós vamos responder tempestivamente a essa provocação que vai orientar o posicionamento da Prefeitura em relação à ação judicial", afirmou o prefeito.

Ele afirmou, no entanto, que "irá até o Supremo Tribunal Federal", se preciso, para defender que os serviços só funcionem caso sejam regulados pela Prefeitura. "O nosso entendimento é que, havendo ou não espaço para outros serviços que não o de táxi, cabe ao Estado a regulamentação. Essa resposta nós já demos ao Uber. Não vamos deixar precarizar, canibalizar, não vamos deixar a clandestinidade tomar conta da cidade de São Paulo."

Rodrigo Pirajá disse que a Prefeitura está criando um grupo de estudos para analisar a possibilidade de regulação de novos serviços. "A Prefeitura não se fecha aos avanços, mas assume a responsabilidade de analisar e propor uma regulamentação desses serviços de transporte individual de passageiros, mas com planejamento, organização, regras, controle público para proteger o cidadão. A gente precisa de um prazo para estudar."

Discussão na Câmara

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em 9 de setembro o projeto de lei que proibia aplicativos como o Uber. O texto seguiu para sanção do prefeito, que tinha até esta quinta-feira para se manifestar. "Ele [Haddad] sanciona para proibir o transporte remunerado de passageiros sem regulação do poder público, sem organização", afirmou Pirajá.

Durante a discussão do projeto, no entanto, a liderança do governo na Câmara apresentou uma emenda, que acabou aprovada por 47 votos a favor e um contra. Ela exige que a Prefeitura promova estudos para aprimorar a legislação de transporte individual de passageiros e a compatibilização de novos serviços e tecnologias.

Além disso, determina que o usuário tenha uma ferramenta de avaliação dos motoristas, do veículo e da qualidade geral do serviço prestado. Com base nessa emenda, a Prefeitura apresentou o decreto nesta quinta-feira que prevê a regulação dessas tecnologias.

Manifestação taxistas

Um grupo de taxistas tentou entrar na tarde desta quinta na sede da Prefeitura. Houve tumulto e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) tentava filtrar por volta das 14h30 a entrada de funcionários pela porta lateral, na Rua Doutor Falcão Filho.

As entradas principais estavam fechadas. Dezenas de taxistas tentaram forçar a entrada no prédio e foram impedidos pelos guardas-civis.

A Polícia Militar também foi acionada para reforçar a segurança no Viaduto do Chá. Dentro do prédio, era possível ouvir cornetas e fogos de artíficio vindo dos manifestantes. Os taxistas estacionaram os motoristas e bloquearam o trânsito no Viaduto do Chá.

Confira a nota do Uber, na íntegra:

"Mesmo com mais de 900 mil e-mails enviados pela população de São Paulo, o Prefeito Haddad sancionou o PL 349/2014, que é notoriamente inconstitucional.

A Prefeitura anunciou hoje em coletiva de imprensa que será publicado um decreto que a obriga a regulamentar novos serviços de transporte individual de utilidade pública em um prazo de 60 dias, em linha com a Política Nacional de Mobilidade Urbana - PNMU (Lei Federal 12.587/2012). Como os motoristas parceiros da Uber prestam o serviço de transporte individual privado previsto na PNMU, a Uber aguarda essa regulamentação municipal. Enquanto isso, a Uber segue operando normalmente em São Paulo.

O decreto prevê ainda a criação de uma nova categoria de táxis na cidade, os táxis pretos. Vale esclarecer que a Uber reafirma que não é uma empresa de táxi e, portanto, não se encaixa em qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual público."

Comentário:

O aplicativo Uber, criado em 2009, é a principal ferramenta de uma empresa americana transnacional que atua, de acordo com os seus desenvolvedores, como uma administradora da atividade de "carona remunerada", ou seja, um serviço alternativo, semelhante ao de taxis, que permite a pessoas comuns realizarem o transporte privado de passageiros, que contatam os motoristas por meio do aplicativo da Uber em seus smartphones, iPhones, tablets e afins, pelo qual também são realizados os pagamentos, sendo que os motoristas recebem informações em tempo real por GPS sobre a localização dos clientes mais próximos e sobre os trajetos a serem percorridos, enquanto os clientes também recebem informações em tempo real da localização dos motoristas e dos serviços oferecidos.

 Mesmo com as vantagens da Uber, como gerar novos empregos e ampliar as possibilidades de transportes, em parte entendo a hesitação do governo em realizar a total legalização dessa categoria de novos "taxis", uma vez que a própria empresa declara que "não se encaixa em qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual público", dando a entender, a meu ver, que a sua intenção é a de continuar atuando clandestinamente e em seus próprios termos, apesar das regulamentações propostas, como é o caso da que foi proposta pela Prefeitura de São Paulo. A não aceitação da Uber de se enquadrar na categoria proposta, de "táxis pretos", soa como uma espécie de "afronta" às autoridades paulistanas.

A Prefeitura de São Paulo parece querer assegurar, além do controle do Estado sobre esses meios de transporte, também o bem-estar dos passageiros que virão a utilizar esses "taxis pretos". Neste caso, o uso do Condutax é uma forma inteligente de manter a segurança, uma vez que já houve casos em que a integridade dos motoristas da transnacional foi questionada: apesar da Uber alegar que todos passam por uma "lista de exigências de segurança" e que são checados os últimos sete anos da vida destes, nos Estados Unidos, pessoas acusadas de crimes como assassinato e violação infantil conseguiram se tornar motoristas da empresa, o que causou uma grande polêmica quanto ao uso do aplicativo, que apesar de tudo isso ainda funciona em parte do território e com maior adesão do que na maioria dos outros países.

Apesar destas controvérsias, uma vez que haja a legalização e o monitoramento dessas unidades de transporte no Brasil, o Uber pode representar um grande avanço no transporte de taxi, que é oferecido aos brasileiros, dado que a sua propaganda é toda baseada na qualidade oferecida pelo serviço, o que contrasta com a baixa qualidade de grande parte da frota de taxistas nacional atual.

É fato inegável o crescimento da tecnologia e da vinculação com a prestação de serviços; diversos países já utilizam aplicativos como uma meio de contratar serviços privados e até mesmo públicos, como ônibus, trens e metrô, além de realizar os mais diversos tipos de compras virtuais ou efetuar o pagamento de uma compra concreta, em tempo real. No entanto, eu sempre senti falta de maiores investimentos nessa área ou no desenvolvimento de novas tecnologias no Brasil. Apenas uma parte mínima do PIB total do nosso país é dedicado a esses fins, enquanto em países mais desenvolvidos uma porcentagem muito maior é dedicada a estes propósitos. Acredito que, entre outros motivos, seja o baixo investimento em novas tecnologias uma das causas que impede o Brasil de passar de país emergente a país desenvolvido.

Independentemente da regulamentação do aplicativo Uber, sempre haverá uma grande parcela da população a favor do uso do aplicativo e uma grande parcela contra. No caso da cidade de São Paulo, me pergunto se essa polêmica poderá influenciar positivamente ou negativamente a popularidade atualmente em baixa do PT, partido do qual Haddad, o prefeito paulista, faz parte, assim como a atual presidenta Dilma.

Em suma, eu, particularmente, apoio a legalização de aplicativos como o Uber e parabenizo a atitude do prefeito de São Paulo, independentemente do partido político, quanto a estar aberto a novas tecnologias, mas ainda zelando pela segurança. Porém, agora resta saber se o Uber se credenciará como um aplicativo passível de ser usado pelos "táxis pretos". Para isso, seus motoristas, além de seguirem as regras da empresa, deverão também seguir as regras da Prefeitura de São Paulo, como todos os outros taxistas. Vale lembrar que, ao regulamentar os "taxis pretos", a Prefeitura determinou que estes só poderão funcionar por meio de aplicativos credenciados, enquanto Todo táxi branco ou táxi preto pode utilizar aplicativos.", ou seja, os táxis normais continuarão não precisando de aplicativos, mas os "táxis pretos" precisarão de um, o qual, se não for o Uber, será outro que a Prefeitura credenciar, o que, de qualquer forma, será bom para os passageiros, que terão mais uma opção de transporte, mas aumentará a polêmica em torno do uso do Uber, pois, se este não se credenciar, seus motoristas continuarão na clandestinidade, concorrendo ilegalmente com os motoristas legalizados.

SAUDE E BEM ESTAR - 4º Bimestre 2015


Remédio que “cura o câncer” ainda não foi aprovado pela Anvisa

Fonte:http://www.conews.com.br/remedio-que-cura-o-cancer-ainda-nao-foi-aprovado-pela-anvisa/


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1° foto - Com liminares, pacientes buscam substância contra o câncer na USP

2° foto - Instituto de Química de USP de São Carlos produz as cápsulas

3° foto - Cápsulas de fosfoetanolamina desenvolvidas na USP de São Carlos


Há alguns dias circula nas redes sociais um vídeo que apresenta um medicamento à base de fosfoetanolamina sintética, o qual este seria capaz de combater o câncer. Pacientes e parentes de pessoas com a doença fazem filas na USP (Universidade de São Paulo) unidade de São Carlos, no interior paulista, em busca da pílula.

A procura foi registrada após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reconsiderar a decisão que proibia a distribuição. Diante disso, mais de 700 liminares já concedidas em primeira instância voltaram a ter validade.

A grande procura – que levou à distribuição de senhas e o temor de que aumente ainda mais o número de interessados – fez com que a Universidade divulgasse um comunicado. A instituição alega que não é indústria química ou farmacêutica e não tem condições de atender demanda em larga escala.

A droga não foi testada ainda em humanos, mas quem está tomando a fórmula garante que faz efeito. A substância também não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas na quinta-feira passada, 8/10, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a entrega para uma paciente do Rio de Janeiro. No dia seguinte, o TJ-SP voltou atrás em sua proibição.

Cada paciente recebe 60 cápsulas por liminar, quantidade que é suficiente para até 20 dias. Mas a universidade informou que esta substância “não é remédio” e que “exploradores oportunistas” fazem propaganda da droga.

Gilberto Orivaldo Chierice, professor aposentado da Universidade e que coordenou por mais de 20 anos os estudos com a  fosfoetanolamina sintética, que imita uma substância presente no organismo e sinaliza células cancerosas para a remoção pelo sistema imunológico afirma que “a fosfoamina está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer”, disse o especialista.
Inicialmente a droga era fornecida gratuitamente em São Carlos, mas uma portaria da universidade proibiu a distribuição até o registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pacientes que tinham conhecimento dos estudos entraram na Justiça para obter as cápsulas. A Anvisa disse que não identificou um processo formal para a avaliação do produto em seus registros e que não houve por parte da instituição de pesquisa nenhuma iniciativa ou atitude prática no sentido de transformar o produto em um medicamento. Segundo a agência, para obter o registro, além da requisição, é preciso apresentar documentos e análises clínicas.




Comentário:

A fosfoetanolamina (ou fosfoamina) natural é um componente metabólico precursor de fosfolipídio presente na membrana plasmática de células animais, que realiza a síntese de fosfatidiletanolamina e participa de diversos metabolismos.

Certamente são funções diferentes do seu "equivalente" sintético que, no entanto, parece apresentar um propósito bem mais nobre, qual seja, oferecer esperança de cura para aqueles que sofrem de câncer.

Parece impossível saber, atualmente, quais são exatamente os efeitos dessa droga quando administrada a pacientes com câncer. Existem diversos relatos de pessoas que teriam usado a fosfoetanolamina e teriam obtido progressos na cura do câncer, ou de outras que estavam à beira da morte e tiveram uma recuperação inesperada depois de passar a usar a droga. No entanto, não se sabe quantos relatos são verídicos e quantos se tratam de "exageros" da mídia.

Existe, no meu ver, uma grande contradição, pois apesar da USP continuar distribuindo a fosfoamina sintética para a população, ela repudia a propaganda da droga, afirmando que os que fazem isso são "exploradores oportunistas". Ora, por que a USP não aprofunda sua pesquisa na eficácia da droga, para ter certeza de que ela funciona mesmo.

Além do mais, apesar da Universidade insistir que esta substância não é um remédio (mesmo com o seu efeito constatado por diversas pessoas, de real melhora dos pacientes com câncer que a usaram), em nenhum momento a instituição se manifestou  explicando os resultados que já obteve com a pesquisa e uso dessa substância, ou informando sobre como é o processo de produção desta, impedindo, assim, sua regulamentação pela Anvisa.

Neste ponto não consigo compreender, pois depois de vinte anos de pesquisa, com a resposta que pode não só significar um avanço significativo na procura para a erradicação do câncer, mas também uma forma do Brasil se destacar no cenário internacional, a Universidade parece querer impedir que o produto seja considerado  sequer um medicamento, persistindo numa produção artesanal muito mais demorada, que prejudica aqueles que necessitam do remédio.

A única explicação plausível que consigo enxergar é que haja algo por "debaixo dos panos", como, talvez, o uso, no processo de fabricação da fosfoetanolamina, de alguma molécula cujo uso seja proibido no Brasil, em razão de alto risco de efeitos colaterais danosos, mas que, aparentemente, não provocou nenhum efeito colateral negativo nos consumidores. Porém, não se pode afirmar nada ainda, e é difícil realizar especulações sobre um assunto do qual não se sabe muito até agora. Mas é fato que todo mundo conhece os efeitos colaterais nocivos dos tratamentos convencionais contra o câncer (quimioterapia e radioterapia) e os laboratórios continuam produzindo remédios quimioterápicos  bem como remédios para reduzir os efeitos colaterais nocivos da radioterapia, em grande escala, os quais tem alto custo de produção e preços mais altos ainda, o suficiente para justificar a produção em grande escala.

Penso que, neste momento, a prioridade é aprofundar a pesquisa e atender a demanda da população ávida por salvar-se desta doença tão antiga, mas que ainda continua igualmente letal, ampliando exponencialmente a produção dessa substância fosfoetanolamina, independentemente de, neste momento, ser considerada remédio ou não, uma vez que o custo de produção da mesma é sabidamente muito mais barato do que o dos remédios e tratamentos convencionais contra o câncer, o que, por um lado é muito bom para a população, mas por outro lado, parece não ser nada bom para os grandes laboratórios farmacêuticos, podendo também estar aí um motivo para a substância não ser produzida em grande escala, enquanto os caros e lucrativos  remédios quimioterápicos e de apoio à radioterapia o são.