Europa deve parar 'critério
racista' na realocação de imigrantes, diz Grécia
Declaração
foi feita por novo ministro de Migração da Grécia.
UE aprovou um plano para distribuir 160 mil refugiados.
UE aprovou um plano para distribuir 160 mil refugiados.
Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/entenda-situacao-de-paises-de-onde-saem-milhares-de-imigrantes-europa.html

A União Europeia deve impedir os países de recolher e escolher os
refugiados que serão aceitos em seu programa de realocação, ou este mecanismo
irá se tornar um vergonhoso "mercado humano", disse o novo ministro
de Migração da Grécia.
A UE aprovou um plano para distribuir 160 mil refugiados, a maior parte
da Síria e da Eritréia, por seus 28 estados, com o objetivo de enfrentar a pior
crise de refugiados do continente desde a Segunda Guerra Mundial. Os primeiros
19 exilados da Eritréia pedindo asilo foram transferidos da Itália para a
Suécia na sexta-feira.
Alguns países, como a Eslováquia e o Chipre, expressaram preferência por
refugiados cristãos, enquanto a Hungria disse que o fluxo de muitos muçulmanos
ameaça os "valores cristãos" da Europa.
O ministro da Migração grego, Yannis Mouzalas, disse em entrevista que a
Grécia tem tido problemas para encontrar refugiados a serem enviados para
alguns países porque estes estabeleceram o que ele chamou de "critérios
racistas". Ele preferiu não falar a que países se referia.
"Visões como 'nós queremos 10 cristãos' ou '75 muçulmanos' ou
'queremos eles altos, loiros, com olhos azuis e três crianças' são um insulto à
personalidade e liberdade dos refugiados", disse Mouzalas à Reuters.
"A Europa tem que ser categoricamente contra isso".
Mouzalas, que é médico ginecologista e um membro fundador do braço grego
da agência beneficente "Médicos do Mundo", conclamou a Europa a impor
cotas rígidas "caso contrário isso vai virar um mercado humano, e a Europa
não tem o direito de fazer isso".
Os refugiados geralmente não podem escolher o país para o qual serão
direcionados.
A Grécia viu um recorde de 400 mil refugiados e imigrantes,
principalmente de Síria, Afeganistão e Iraque, chegarem em suas terras neste
ano, via Turquia, com a esperança de chegar a nações mais ricas ao norte da
Europa.
Mas milhares deles, principalmente afegãos, acabaram presos na Grécia por
falta de dinheiro. As autoridades europeias têm se sido relutantes em tratar os
afegãos sistematicamente como refugiados, e, como resultado, eles estão
excluídos do processo de realocação.
"É um absurdo pensar que os afegãos estão vindo em busca de um trabalho
melhor. Há uma longa guerra lá, você não está a salvo em lugar nenhum, essa é a
realidade", disse Mouzalas
Comentário:
Apesar da "máscara" de
bondade, que vem sendo usada pelos países europeus para receber os refugiados, todo
o mundo sabe que há sempre motivos socioeconômicos por trás de cada ação
governamental supostamente humanitária.
A seleção dos refugiados baseada
em critérios racistas, denunciada pela Grécia,
não parece ser muito diferente das barreiras que sempre foram levantadas
pela Europa contra imigrantes vindos da África (uma vez que, apesar de sempre
alegarem estar protegendo sua economia e os empregos de seus cidadãos, são
conhecidos os altos índices de xenofobia presentes nos governos de alguns
países Europeus, principalmente naqueles que atualmente fazem parte da União
Européia), mas neste caso, devido se tratarem de refugiados de guerra e por
conta das proporções que o movimento humano atingiu, a segregação arbitrária se
tornou mais evidente e por isso virou notícia e provocou essa polêmica no
cenário internacional.
É uma verdade histórica que a miséria,
guerras e perseguições políticas e religiosas sempre fizeram com que milhares
de pessoas de países pobres da África e da Ásia se deslocassem para a Europa.
Mais recentemente, essas massas humanas têm vindo de países como Síria,
Afeganistão, Iraque, Líbia e Eritreia, buscando, no continente europeu, um
refúgio para a situação de caos sócio-político-econômico, associado a conflitos
armados, que assolam seus países de origem.
O mundo está assistindo a uma das
maiores crises migratórias que a Europa já sofreu desde o Holocausto. Alemanha,
França, Itália e Inglaterra são os países a receberem mais refugiados, sem
falar na Grécia, por onde muitos entram; porém, devido ao crescimento em massa
do número de imigrantes, todos os países europeus que acolhem essas pessoas
estão tendo problemas.
Como reflexo dessa crise surgem
os chamados "critérios racistas",
que são, em parte, uma tentativa de delimitar o número de pessoas com permissão
para entrar e ficar nos países. Outra motivação, esta mais óbvia, seria tentar
aproximar o perfil dos que chegam, à população local, causando menos problemas
de adaptação e assimilação.
No entanto, nenhuma dessas
explicações justifica realizar uma separação imoral e ilícita de pessoas, por
critérios duvidosos, levando-se em consideração que essa gente já perdeu tudo o
que tinha, e ainda precisou realizar uma viagem extremamente perigosa e
exaustiva para chegar até ali, ficando muitos pelo caminho. De fato, a travessia clandestina das
fronteiras, seja por mar, seja por terra, já causou a morte de milhares de
pessoas; há grupos inescrupulosos que cobram o equivalente a até dez mil reais
por pessoa para se aventurarem num barco visivelmente inadequado para enfrentar
condições adversas no mar, com a promessa de que o fim da viagem será a chegada
a um território onde o refugiado será acolhido. A verdade é que, mesmo quando o refugiado já conseguiu
chegar em território europeu, corre o risco, ao tentar se locomover de trem ou
metrô, de ser retido e deportado por falta de documentos.
A Grécia, entre todas as nações
europeias, seria a que possui melhores argumentos para passar a recusar refugiados,
por conta de ser um país que vem atravessando uma crise econômico-financeira
sem tamanho e não ter condições de oferecer empregos sequer para o seu povo,
que dirá para estrangeiros. Mas, mesmo assim, é um país que continua a defender
os direitos dos refugiados. O país ainda se recuperava da crise anterior, com
situação econômica extremamente instável, quando se viu novamente em crise,
após ter recebido, sozinho, mais de 160 mil imigrantes em 2015, com este número
aumentando a cada dia.
Neste momento, é impossível saber quando a crise
terá fim e qual serão as consequências para os países afetados, mas o fato é
que o uso de critérios racistas para impedir a entrada de pessoas em um país é
algo que não deveria existir, principalmente quando se tratam de países ricos,
como a Alemanha, França e Inglaterra. O que os países europeus não percebem é
que os que buscam refúgio na Europa estão fugindo de guerras que estão só
começando e que, com o decorrer do tempo, caso essas pessoas sejam expulsas da
Europa e sejam obrigadas a voltarem para as regiões em conflito, não tendo nada
a perder, poderão se aliar a um dos lados em guerra, levando esses conflitos
locais, motivados por ódios religiosos e não religiosos, associados a
interesses financeiros, a proporções inimagináveis, podendo inclusive atingir a
Europa, essa mesma Europa que rejeitou milhares como refugiados, os quais
poderão vir a ser aqueles que retornarão aos milhares, desta vez armados, ao
continente europeu, dispostos a matar, por vingança, quem os rejeitou.
