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sábado, 31 de outubro de 2015

MUNDO - 4º Bimestre 2015


Europa deve parar 'critério racista' na realocação de imigrantes, diz Grécia

Declaração foi feita por novo ministro de Migração da Grécia.
UE aprovou um plano para distribuir 160 mil refugiados.

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/entenda-situacao-de-paises-de-onde-saem-milhares-de-imigrantes-europa.html

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A União Europeia deve impedir os países de recolher e escolher os refugiados que serão aceitos em seu programa de realocação, ou este mecanismo irá se tornar um vergonhoso "mercado humano", disse o novo ministro de Migração da Grécia.

A UE aprovou um plano para distribuir 160 mil refugiados, a maior parte da Síria e da Eritréia, por seus 28 estados, com o objetivo de enfrentar a pior crise de refugiados do continente desde a Segunda Guerra Mundial. Os primeiros 19 exilados da Eritréia pedindo asilo foram transferidos da Itália para a Suécia na sexta-feira.

Alguns países, como a Eslováquia e o Chipre, expressaram preferência por refugiados cristãos, enquanto a Hungria disse que o fluxo de muitos muçulmanos ameaça os "valores cristãos" da Europa.

O ministro da Migração grego, Yannis Mouzalas, disse em entrevista que a Grécia tem tido problemas para encontrar refugiados a serem enviados para alguns países porque estes estabeleceram o que ele chamou de "critérios racistas". Ele preferiu não falar a que países se referia.

"Visões como 'nós queremos 10 cristãos' ou '75 muçulmanos' ou 'queremos eles altos, loiros, com olhos azuis e três crianças' são um insulto à personalidade e liberdade dos refugiados", disse Mouzalas à Reuters. "A Europa tem que ser categoricamente contra isso".

Mouzalas, que é médico ginecologista e um membro fundador do braço grego da agência beneficente "Médicos do Mundo", conclamou a Europa a impor cotas rígidas "caso contrário isso vai virar um mercado humano, e a Europa não tem o direito de fazer isso".

Os refugiados geralmente não podem escolher o país para o qual serão direcionados.

A Grécia viu um recorde de 400 mil refugiados e imigrantes, principalmente de Síria, Afeganistão e Iraque, chegarem em suas terras neste ano, via Turquia, com a esperança de chegar a nações mais ricas ao norte da Europa.

Mas milhares deles, principalmente afegãos, acabaram presos na Grécia por falta de dinheiro. As autoridades europeias têm se sido relutantes em tratar os afegãos sistematicamente como refugiados, e, como resultado, eles estão excluídos do processo de realocação.

"É um absurdo pensar que os afegãos estão vindo em busca de um trabalho melhor. Há uma longa guerra lá, você não está a salvo em lugar nenhum, essa é a realidade", disse Mouzalas

Comentário:

Apesar da "máscara" de bondade, que vem sendo usada pelos países europeus para receber os refugiados, todo o mundo sabe que há sempre motivos socioeconômicos por trás de cada ação governamental supostamente humanitária.

A seleção dos refugiados baseada em critérios racistas, denunciada pela Grécia,  não parece ser muito diferente das barreiras que sempre foram levantadas pela Europa contra imigrantes vindos da África (uma vez que, apesar de sempre alegarem estar protegendo sua economia e os empregos de seus cidadãos, são conhecidos os altos índices de xenofobia presentes nos governos de alguns países Europeus, principalmente naqueles que atualmente fazem parte da União Européia), mas neste caso, devido se tratarem de refugiados de guerra e por conta das proporções que o movimento humano atingiu, a segregação arbitrária se tornou mais evidente e por isso virou notícia e provocou essa polêmica no cenário internacional.

É uma verdade histórica que a miséria, guerras e perseguições políticas e religiosas sempre fizeram com que milhares de pessoas de países pobres da África e da Ásia se deslocassem para a Europa. Mais recentemente, essas massas humanas têm vindo de países como Síria, Afeganistão, Iraque, Líbia e Eritreia, buscando, no continente europeu, um refúgio para a situação de caos sócio-político-econômico, associado a conflitos armados, que assolam seus países de origem.

O mundo está assistindo a uma das maiores crises migratórias que a Europa já sofreu desde o Holocausto. Alemanha, França, Itália e Inglaterra são os países a receberem mais refugiados, sem falar na Grécia, por onde muitos entram; porém, devido ao crescimento em massa do número de imigrantes, todos os países europeus que acolhem essas pessoas estão tendo problemas.

Como reflexo dessa crise surgem os chamados "critérios racistas", que são, em parte, uma tentativa de delimitar o número de pessoas com permissão para entrar e ficar nos países. Outra motivação, esta mais óbvia, seria tentar aproximar o perfil dos que chegam, à população local, causando menos problemas de adaptação e assimilação.

No entanto, nenhuma dessas explicações justifica realizar uma separação imoral e ilícita de pessoas, por critérios duvidosos, levando-se em consideração que essa gente já perdeu tudo o que tinha, e ainda precisou realizar uma viagem extremamente perigosa e exaustiva para chegar até ali, ficando muitos pelo caminho.  De fato, a travessia clandestina das fronteiras, seja por mar, seja por terra, já causou a morte de milhares de pessoas; há grupos inescrupulosos que cobram o equivalente a até dez mil reais por pessoa para se aventurarem num barco visivelmente inadequado para enfrentar condições adversas no mar, com a promessa de que o fim da viagem será a chegada a um território onde o refugiado será acolhido.  A verdade é que, mesmo quando o refugiado já conseguiu chegar em território europeu, corre o risco, ao tentar se locomover de trem ou metrô, de ser retido e deportado por falta de documentos.

A Grécia, entre todas as nações europeias, seria a que possui melhores argumentos para passar a recusar refugiados, por conta de ser um país que vem atravessando uma crise econômico-financeira sem tamanho e não ter condições de oferecer empregos sequer para o seu povo, que dirá para estrangeiros. Mas, mesmo assim, é um país que continua a defender os direitos dos refugiados. O país ainda se recuperava da crise anterior, com situação econômica extremamente instável, quando se viu novamente em crise, após ter recebido, sozinho, mais de 160 mil imigrantes em 2015, com este número aumentando a cada dia.
Neste momento, é impossível saber quando a crise terá fim e qual serão as consequências para os países afetados, mas o fato é que o uso de critérios racistas para impedir a entrada de pessoas em um país é algo que não deveria existir, principalmente quando se tratam de países ricos, como a Alemanha, França e Inglaterra. O que os países europeus não percebem é que os que buscam refúgio na Europa estão fugindo de guerras que estão só começando e que, com o decorrer do tempo, caso essas pessoas sejam expulsas da Europa e sejam obrigadas a voltarem para as regiões em conflito, não tendo nada a perder, poderão se aliar a um dos lados em guerra, levando esses conflitos locais, motivados por ódios religiosos e não religiosos, associados a interesses financeiros, a proporções inimagináveis, podendo inclusive atingir a Europa, essa mesma Europa que rejeitou milhares como refugiados, os quais poderão vir a ser aqueles que retornarão aos milhares, desta vez armados, ao continente europeu, dispostos a matar, por vingança, quem os rejeitou.