Prefeitura de SP cria 5 mil novos alvarás e lança categoria de 'táxi
preto'
Uber poderá
se credenciar, mas precisará utilizar motoristas com alvará.
Para concorrer a essas novas licenças, motorista precisará ter Condutax.
Para concorrer a essas novas licenças, motorista precisará ter Condutax.
Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/10/prefeitura-de-sp-cria-5-mil-novos-alvaras-e-lanca-categoria-de-taxi-preto.html

1 - Grupo de taxistas tenta entrar na sede da
Prefeitura (Foto: Dario Oliveira/Código19/Estadão Conteúdo)
2 -Taxistas estacionados no Viaduto do Chá, onde
fica a Prefeitura de São Paulo (Foto: Cris Faga/Fox Press Photo/Estadão
Conteúdo)
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou nesta
quinta-feira (8/10) a criação de 5 mil novos alvarás para transporte individual
de passageiros e o lançamento de uma categoria de “táxi preto”, que só poderá
operar por meio de aplicativos.
Os aplicativos também deverão ser credenciados e só poderão operar com
os 38 mil taxistas com alvarás na cidade – os 33 mil já existentes e cinco mil
novos que serão sorteados.
O Uber também poderá se credenciar, desde que se enquadre nas regras
definidas por esse novo decreto, de acordo com a Prefeitura. Em nota, o Uber
disse que "não é uma empresa de táxi e, portanto, não se encaixa em
qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual
público".
O secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, considerou correta
a informação de que, em termos práticos, o Uber continua sem condições de
operar porque os motoristas que ele usa não são reconhecidos pela Prefeitura de
São Paulo.
Sorteio de alvarás
Sorteio de alvarás
Os cinco mil novos alvarás serão sorteados em sua totalidade pela Caixa
Econômica Federal e os motoristas que concorrerem precisam ter o Condutax –
cadastro na Prefeitura que habilita o condutor a exercer a atividade de
taxista. “Vamos mudar o regime de trabalho desse novo profissional. Não liberou
geral. Vamos incorporar a modernidade, a inovação, sem perder o controle, para
que o usuário seja contemplado”, afirmou o prefeito.
A prioridade no sorteio dos cinco mil novos alvarás será de pessoas que
trabalham como “segundo motorista” – em táxis cuja titularidade do alvará
pertence a outra pessoa - e já são registradas na Prefeitura.
A diferença do “táxi preto” é que o motorista só poderá atender por
aplicativos. Não será permitido que esses novos táxis operem em pontos pela
cidade ou peguem passageiros pelo caminho.
“Todo táxi branco ou táxi preto pode utilizar o aplicativo. No caso do
táxi preto, ele tem que utilizar o aplicativo que ele escolher”, disse Haddad.
A Prefeitura estima que há cerca de 50 mil motoristas na fila de espera por um
alvará em São Paulo.
Táxi preto
Táxi preto
O carro utilizado com esses cinco mil novos alvarás terá que ser preto,
com quatro portas, ar-condicionado e com até cinco anos de uso.
As tarifas terão um valor máximo, até 25% maior que a tarifa comum, e o
motorista ou a empresa usarão o valor que quiserem desde que não ultrapassem o
teto permitido. "A gente precisa deixar uma margem de flexibilidade. A
tarifa pode ser até 25% maior do que a comum, mas flexível – estamos admitindo
e regulando o desconto", explicou Rodrigo Pirajá, presidente da SP
Negócios.
O novo modelo não terá taxímetro e a cobrança será realizada
exclusivamente pelo aplicativo. "Estamos prevendo que essa categoria vai
trabalhar com mapas digitais e antecipação de custos. O usuário vai precisar
saber qual a estimativa de custo que vai ter." Diferentemente dos táxis
comuns, os carros não poderão andar pelos corredores de ônibus.
Em relação aos aplicativos, a Prefeitura definiu que eles serão
cadastrados e pagarão os tributos definidos pela legislação municipal, entre
eles o Imposto sobre Serviços (ISS). "A Prefeitura vai controlar e regular
esses aplicativos, inclusive com compartilhamento de dados. Os aplicativos
serão tributados na forma da legislação municipal", afirmou Pirajá.
Ações judiciais
Haddad lembrou que o Uber conseguiu uma vitória na Justiça de São Paulo,
que negou em Julho uma limiar do Sindicato dos Taxistas pedindo a suspensão do
serviço. "Existe ainda uma pendência jurídica. Eles [Uber] provocaram
formalmente a Prefeitura para que se manifestasse sobre uma regulamentação de
outros serviços que não o táxi. Nós vamos responder tempestivamente a essa
provocação que vai orientar o posicionamento da Prefeitura em relação à ação
judicial", afirmou o prefeito.
Ele afirmou, no entanto, que "irá até o Supremo Tribunal
Federal", se preciso, para defender que os serviços só funcionem caso
sejam regulados pela Prefeitura. "O nosso entendimento é que, havendo ou
não espaço para outros serviços que não o de táxi, cabe ao Estado a
regulamentação. Essa resposta nós já demos ao Uber. Não vamos deixar
precarizar, canibalizar, não vamos deixar a clandestinidade tomar conta da
cidade de São Paulo."
Rodrigo Pirajá disse que a Prefeitura está criando um grupo de estudos
para analisar a possibilidade de regulação de novos serviços. "A
Prefeitura não se fecha aos avanços, mas assume a responsabilidade de analisar
e propor uma regulamentação desses serviços de transporte individual de
passageiros, mas com planejamento, organização, regras, controle público para
proteger o cidadão. A gente precisa de um prazo para estudar."
Discussão na Câmara
Discussão na Câmara
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em 9 de setembro o projeto de
lei que proibia aplicativos como o Uber. O texto seguiu para sanção do
prefeito, que tinha até esta quinta-feira para se manifestar. "Ele
[Haddad] sanciona para proibir o transporte remunerado de passageiros sem
regulação do poder público, sem organização", afirmou Pirajá.
Durante a discussão do projeto, no entanto, a liderança do governo na
Câmara apresentou uma emenda, que acabou aprovada por 47 votos a favor e um
contra. Ela exige que a Prefeitura promova estudos para aprimorar a legislação
de transporte individual de passageiros e a compatibilização de novos serviços
e tecnologias.
Além disso, determina que o usuário tenha uma ferramenta de avaliação dos motoristas, do veículo e da qualidade geral do serviço prestado. Com base nessa emenda, a Prefeitura apresentou o decreto nesta quinta-feira que prevê a regulação dessas tecnologias.
Manifestação taxistas
Além disso, determina que o usuário tenha uma ferramenta de avaliação dos motoristas, do veículo e da qualidade geral do serviço prestado. Com base nessa emenda, a Prefeitura apresentou o decreto nesta quinta-feira que prevê a regulação dessas tecnologias.
Manifestação taxistas
Um grupo de taxistas tentou entrar na tarde desta quinta na sede da
Prefeitura. Houve tumulto e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) tentava filtrar
por volta das 14h30 a entrada de funcionários pela porta lateral, na Rua Doutor
Falcão Filho.
As entradas principais estavam fechadas. Dezenas de taxistas tentaram
forçar a entrada no prédio e foram impedidos pelos guardas-civis.
A Polícia Militar também foi acionada para reforçar a segurança no
Viaduto do Chá. Dentro do prédio, era possível ouvir cornetas e fogos de
artíficio vindo dos manifestantes. Os taxistas estacionaram os motoristas e
bloquearam o trânsito no Viaduto do Chá.
Confira a nota do Uber, na íntegra:
"Mesmo com mais de 900 mil e-mails enviados
pela população de São Paulo, o Prefeito Haddad sancionou o PL 349/2014, que é
notoriamente inconstitucional.
A Prefeitura anunciou hoje em coletiva de imprensa
que será publicado um decreto que a obriga a regulamentar novos serviços de
transporte individual de utilidade pública em um prazo de 60 dias, em linha com
a Política Nacional de Mobilidade Urbana - PNMU (Lei Federal 12.587/2012). Como
os motoristas parceiros da Uber prestam o serviço de transporte individual
privado previsto na PNMU, a Uber aguarda essa regulamentação municipal.
Enquanto isso, a Uber segue operando normalmente em São Paulo.
O decreto prevê ainda a criação de uma nova
categoria de táxis na cidade, os táxis pretos. Vale esclarecer que a Uber
reafirma que não é uma empresa de táxi e, portanto, não se encaixa em qualquer
categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual público."
Comentário:
O aplicativo Uber, criado em
2009, é a principal ferramenta de uma empresa americana transnacional que atua,
de acordo com os seus desenvolvedores, como uma administradora da atividade de
"carona remunerada", ou seja, um serviço alternativo, semelhante ao
de taxis, que permite a pessoas comuns realizarem o transporte privado de
passageiros, que contatam os motoristas por meio do aplicativo da Uber em seus smartphones, iPhones, tablets e afins,
pelo qual também são realizados os pagamentos, sendo que os motoristas recebem
informações em tempo real por GPS sobre a localização dos clientes mais
próximos e sobre os trajetos a serem percorridos, enquanto os clientes também
recebem informações em tempo real da localização dos motoristas e dos serviços oferecidos.
Mesmo com as vantagens da Uber, como gerar
novos empregos e ampliar as possibilidades de transportes, em parte entendo a
hesitação do governo em realizar a total legalização dessa categoria de novos
"taxis", uma vez que a própria empresa declara que "não se encaixa
em qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual
público", dando a entender, a
meu ver, que a sua intenção é a de continuar atuando clandestinamente e em seus
próprios termos, apesar das regulamentações propostas, como é o caso da que foi
proposta pela Prefeitura de São Paulo. A não aceitação da Uber de se enquadrar
na categoria proposta, de "táxis pretos", soa como uma espécie de
"afronta" às autoridades paulistanas.
A Prefeitura
de São Paulo parece querer assegurar, além do controle do Estado sobre esses
meios de transporte, também o bem-estar dos passageiros que virão a utilizar
esses "taxis pretos". Neste caso, o uso do Condutax é uma forma inteligente
de manter a segurança, uma vez que já
houve casos em que a integridade dos motoristas da transnacional foi
questionada: apesar da Uber alegar que todos passam por uma "lista de
exigências de segurança" e que são checados os últimos sete anos da vida
destes, nos Estados Unidos, pessoas acusadas de
crimes como assassinato e violação infantil conseguiram se tornar motoristas da
empresa, o que causou uma grande polêmica quanto ao uso do aplicativo, que
apesar de tudo isso ainda funciona em parte do território e com maior adesão do
que na maioria dos outros países.
Apesar
destas controvérsias, uma vez que haja a legalização e o monitoramento dessas
unidades de transporte no Brasil, o Uber pode representar um grande avanço no transporte
de taxi, que é oferecido aos brasileiros, dado que a sua propaganda é toda
baseada na qualidade oferecida pelo serviço, o que contrasta com a baixa
qualidade de grande parte da frota de taxistas nacional atual.
É fato
inegável o crescimento da tecnologia e da vinculação com a prestação de
serviços; diversos países já utilizam aplicativos como uma meio de contratar
serviços privados e até mesmo públicos, como ônibus, trens e metrô, além de
realizar os mais diversos tipos de compras virtuais ou efetuar o pagamento de
uma compra concreta, em tempo real. No entanto, eu sempre senti falta de
maiores investimentos nessa área ou no desenvolvimento de novas tecnologias no
Brasil. Apenas uma parte mínima do PIB total do nosso país é dedicado a esses
fins, enquanto em países mais desenvolvidos uma porcentagem muito maior é
dedicada a estes propósitos. Acredito que, entre outros motivos, seja o baixo
investimento em novas tecnologias uma das causas que impede o Brasil de passar
de país emergente a país desenvolvido.
Independentemente
da regulamentação do aplicativo Uber, sempre haverá uma grande parcela da
população a favor do uso do aplicativo e uma grande parcela contra. No caso da
cidade de São Paulo, me pergunto se essa polêmica poderá influenciar positivamente
ou negativamente a popularidade atualmente em baixa do PT, partido do qual
Haddad, o prefeito paulista, faz parte, assim como a atual presidenta Dilma.
Em
suma, eu, particularmente, apoio a legalização de aplicativos como o Uber e
parabenizo a atitude do prefeito de São Paulo, independentemente do partido
político, quanto a estar aberto a novas tecnologias, mas ainda zelando pela
segurança. Porém, agora resta saber se o Uber se credenciará como um aplicativo
passível de ser usado pelos "táxis pretos". Para isso, seus
motoristas, além de seguirem as regras da empresa, deverão também seguir as
regras da Prefeitura de São Paulo, como todos os outros taxistas. Vale lembrar
que, ao regulamentar os "taxis pretos", a Prefeitura determinou que
estes só poderão funcionar por meio de aplicativos credenciados, enquanto “Todo táxi branco ou táxi preto pode utilizar aplicativos.", ou
seja, os táxis normais continuarão não precisando de aplicativos, mas os
"táxis pretos" precisarão de um, o qual, se não for o Uber, será
outro que a Prefeitura credenciar, o que, de qualquer forma, será bom para os
passageiros, que terão mais uma opção de transporte, mas aumentará a polêmica
em torno do uso do Uber, pois, se este não se credenciar, seus motoristas
continuarão na clandestinidade, concorrendo ilegalmente com os motoristas
legalizados.
