Remédio que “cura o
câncer” ainda não foi aprovado pela Anvisa
Fonte:http://www.conews.com.br/remedio-que-cura-o-cancer-ainda-nao-foi-aprovado-pela-anvisa/

1° foto - Com liminares, pacientes buscam substância contra o câncer na
USP
2° foto - Instituto de Química de USP de São Carlos produz as cápsulas
3° foto - Cápsulas de fosfoetanolamina desenvolvidas na USP de São
Carlos
Há alguns dias circula nas redes sociais um vídeo que apresenta um
medicamento à base de fosfoetanolamina sintética, o qual este seria capaz de
combater o câncer. Pacientes e parentes de pessoas com a doença fazem filas na
USP (Universidade de São Paulo) unidade de São Carlos, no interior paulista, em
busca da pílula.
A procura foi registrada após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP)
reconsiderar a decisão que proibia a distribuição. Diante disso, mais de 700
liminares já concedidas em primeira instância voltaram a ter validade.
A grande procura – que levou à distribuição de senhas e o temor de que
aumente ainda mais o número de interessados – fez com que a Universidade
divulgasse um comunicado. A instituição alega que não é indústria química ou
farmacêutica e não tem condições de atender demanda em larga escala.
A droga não foi testada ainda em humanos, mas quem está tomando a
fórmula garante que faz efeito. A substância também não tem registro na Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas na quinta-feira passada, 8/10, o
Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a entrega para uma paciente do Rio de
Janeiro. No dia seguinte, o TJ-SP voltou atrás em sua proibição.
Cada paciente recebe 60 cápsulas por liminar, quantidade que é
suficiente para até 20 dias. Mas a universidade informou que esta substância
“não é remédio” e que “exploradores oportunistas” fazem propaganda da droga.
Gilberto Orivaldo Chierice, professor aposentado da Universidade e que
coordenou por mais de 20 anos os estudos com a fosfoetanolamina
sintética, que imita uma substância presente no organismo e sinaliza células
cancerosas para a remoção pelo sistema imunológico afirma que “a fosfoamina
está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer”, disse o especialista.
Inicialmente a droga era fornecida gratuitamente
em São Carlos, mas uma portaria da universidade proibiu a distribuição até o
registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pacientes
que tinham conhecimento dos estudos entraram na Justiça para obter as cápsulas.
A Anvisa disse que não identificou um processo formal para a avaliação do
produto em seus registros e que não houve por parte da instituição de pesquisa
nenhuma iniciativa ou atitude prática no sentido de transformar o produto em um
medicamento. Segundo a agência, para obter o registro, além da requisição, é
preciso apresentar documentos e análises clínicas.
Comentário:
A fosfoetanolamina (ou fosfoamina)
natural é um componente metabólico precursor de fosfolipídio presente na
membrana plasmática de células animais, que realiza a síntese de fosfatidiletanolamina
e participa de diversos metabolismos.
Certamente são funções diferentes
do seu "equivalente" sintético que, no entanto, parece apresentar um
propósito bem mais nobre, qual seja, oferecer esperança de cura para aqueles
que sofrem de câncer.
Parece impossível saber, atualmente,
quais são exatamente os efeitos dessa droga quando administrada a pacientes com
câncer. Existem diversos relatos de pessoas que teriam usado a fosfoetanolamina
e teriam obtido progressos na cura do câncer, ou de outras que estavam à beira
da morte e tiveram uma recuperação inesperada depois de passar a usar a droga.
No entanto, não se sabe quantos relatos são verídicos e quantos se tratam de
"exageros" da mídia.
Existe, no meu ver, uma grande
contradição, pois apesar da USP continuar distribuindo a fosfoamina sintética
para a população, ela repudia a propaganda da droga, afirmando que os que fazem
isso são "exploradores oportunistas". Ora, por que a USP não aprofunda
sua pesquisa na eficácia da droga, para ter certeza de que ela funciona mesmo.
Além do mais, apesar da
Universidade insistir que esta substância não é um remédio (mesmo com o seu
efeito constatado por diversas pessoas, de real melhora dos pacientes com
câncer que a usaram), em nenhum momento a instituição se manifestou explicando os resultados que já obteve com a
pesquisa e uso dessa substância, ou informando sobre como é o processo de
produção desta, impedindo, assim, sua regulamentação pela Anvisa.
Neste ponto não consigo
compreender, pois depois de vinte anos de pesquisa, com a resposta que pode não
só significar um avanço significativo na procura para a erradicação do câncer,
mas também uma forma do Brasil se destacar no cenário internacional, a
Universidade parece querer impedir que o produto seja considerado sequer um medicamento, persistindo numa
produção artesanal muito mais demorada, que prejudica aqueles que necessitam do
remédio.
A única explicação plausível que
consigo enxergar é que haja algo por "debaixo dos panos", como,
talvez, o uso, no processo de fabricação da fosfoetanolamina, de alguma molécula
cujo uso seja proibido no Brasil, em razão de alto risco de efeitos colaterais
danosos, mas que, aparentemente, não provocou nenhum efeito colateral negativo
nos consumidores. Porém, não se pode afirmar nada ainda, e é difícil realizar
especulações sobre um assunto do qual não se sabe muito até agora. Mas é fato
que todo mundo conhece os efeitos colaterais nocivos dos tratamentos
convencionais contra o câncer (quimioterapia e radioterapia) e os laboratórios
continuam produzindo remédios quimioterápicos bem como remédios para reduzir os efeitos colaterais
nocivos da radioterapia, em grande escala, os quais tem alto custo de produção
e preços mais altos ainda, o suficiente para justificar a produção em grande
escala.
Penso que, neste momento, a
prioridade é aprofundar a pesquisa e atender a demanda da população ávida por
salvar-se desta doença tão antiga, mas que ainda continua igualmente letal, ampliando
exponencialmente a produção dessa substância fosfoetanolamina, independentemente
de, neste momento, ser considerada remédio ou não, uma vez que o custo de
produção da mesma é sabidamente muito mais barato do que o dos remédios e tratamentos
convencionais contra o câncer, o que, por um lado é muito bom para a população,
mas por outro lado, parece não ser nada bom para os grandes laboratórios
farmacêuticos, podendo também estar aí um motivo para a substância não ser
produzida em grande escala, enquanto os caros e lucrativos remédios quimioterápicos e de apoio à
radioterapia o são.
