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sábado, 31 de outubro de 2015

SAUDE E BEM ESTAR - 4º Bimestre 2015


Remédio que “cura o câncer” ainda não foi aprovado pela Anvisa

Fonte:http://www.conews.com.br/remedio-que-cura-o-cancer-ainda-nao-foi-aprovado-pela-anvisa/


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1° foto - Com liminares, pacientes buscam substância contra o câncer na USP

2° foto - Instituto de Química de USP de São Carlos produz as cápsulas

3° foto - Cápsulas de fosfoetanolamina desenvolvidas na USP de São Carlos


Há alguns dias circula nas redes sociais um vídeo que apresenta um medicamento à base de fosfoetanolamina sintética, o qual este seria capaz de combater o câncer. Pacientes e parentes de pessoas com a doença fazem filas na USP (Universidade de São Paulo) unidade de São Carlos, no interior paulista, em busca da pílula.

A procura foi registrada após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reconsiderar a decisão que proibia a distribuição. Diante disso, mais de 700 liminares já concedidas em primeira instância voltaram a ter validade.

A grande procura – que levou à distribuição de senhas e o temor de que aumente ainda mais o número de interessados – fez com que a Universidade divulgasse um comunicado. A instituição alega que não é indústria química ou farmacêutica e não tem condições de atender demanda em larga escala.

A droga não foi testada ainda em humanos, mas quem está tomando a fórmula garante que faz efeito. A substância também não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas na quinta-feira passada, 8/10, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a entrega para uma paciente do Rio de Janeiro. No dia seguinte, o TJ-SP voltou atrás em sua proibição.

Cada paciente recebe 60 cápsulas por liminar, quantidade que é suficiente para até 20 dias. Mas a universidade informou que esta substância “não é remédio” e que “exploradores oportunistas” fazem propaganda da droga.

Gilberto Orivaldo Chierice, professor aposentado da Universidade e que coordenou por mais de 20 anos os estudos com a  fosfoetanolamina sintética, que imita uma substância presente no organismo e sinaliza células cancerosas para a remoção pelo sistema imunológico afirma que “a fosfoamina está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer”, disse o especialista.
Inicialmente a droga era fornecida gratuitamente em São Carlos, mas uma portaria da universidade proibiu a distribuição até o registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pacientes que tinham conhecimento dos estudos entraram na Justiça para obter as cápsulas. A Anvisa disse que não identificou um processo formal para a avaliação do produto em seus registros e que não houve por parte da instituição de pesquisa nenhuma iniciativa ou atitude prática no sentido de transformar o produto em um medicamento. Segundo a agência, para obter o registro, além da requisição, é preciso apresentar documentos e análises clínicas.




Comentário:

A fosfoetanolamina (ou fosfoamina) natural é um componente metabólico precursor de fosfolipídio presente na membrana plasmática de células animais, que realiza a síntese de fosfatidiletanolamina e participa de diversos metabolismos.

Certamente são funções diferentes do seu "equivalente" sintético que, no entanto, parece apresentar um propósito bem mais nobre, qual seja, oferecer esperança de cura para aqueles que sofrem de câncer.

Parece impossível saber, atualmente, quais são exatamente os efeitos dessa droga quando administrada a pacientes com câncer. Existem diversos relatos de pessoas que teriam usado a fosfoetanolamina e teriam obtido progressos na cura do câncer, ou de outras que estavam à beira da morte e tiveram uma recuperação inesperada depois de passar a usar a droga. No entanto, não se sabe quantos relatos são verídicos e quantos se tratam de "exageros" da mídia.

Existe, no meu ver, uma grande contradição, pois apesar da USP continuar distribuindo a fosfoamina sintética para a população, ela repudia a propaganda da droga, afirmando que os que fazem isso são "exploradores oportunistas". Ora, por que a USP não aprofunda sua pesquisa na eficácia da droga, para ter certeza de que ela funciona mesmo.

Além do mais, apesar da Universidade insistir que esta substância não é um remédio (mesmo com o seu efeito constatado por diversas pessoas, de real melhora dos pacientes com câncer que a usaram), em nenhum momento a instituição se manifestou  explicando os resultados que já obteve com a pesquisa e uso dessa substância, ou informando sobre como é o processo de produção desta, impedindo, assim, sua regulamentação pela Anvisa.

Neste ponto não consigo compreender, pois depois de vinte anos de pesquisa, com a resposta que pode não só significar um avanço significativo na procura para a erradicação do câncer, mas também uma forma do Brasil se destacar no cenário internacional, a Universidade parece querer impedir que o produto seja considerado  sequer um medicamento, persistindo numa produção artesanal muito mais demorada, que prejudica aqueles que necessitam do remédio.

A única explicação plausível que consigo enxergar é que haja algo por "debaixo dos panos", como, talvez, o uso, no processo de fabricação da fosfoetanolamina, de alguma molécula cujo uso seja proibido no Brasil, em razão de alto risco de efeitos colaterais danosos, mas que, aparentemente, não provocou nenhum efeito colateral negativo nos consumidores. Porém, não se pode afirmar nada ainda, e é difícil realizar especulações sobre um assunto do qual não se sabe muito até agora. Mas é fato que todo mundo conhece os efeitos colaterais nocivos dos tratamentos convencionais contra o câncer (quimioterapia e radioterapia) e os laboratórios continuam produzindo remédios quimioterápicos  bem como remédios para reduzir os efeitos colaterais nocivos da radioterapia, em grande escala, os quais tem alto custo de produção e preços mais altos ainda, o suficiente para justificar a produção em grande escala.

Penso que, neste momento, a prioridade é aprofundar a pesquisa e atender a demanda da população ávida por salvar-se desta doença tão antiga, mas que ainda continua igualmente letal, ampliando exponencialmente a produção dessa substância fosfoetanolamina, independentemente de, neste momento, ser considerada remédio ou não, uma vez que o custo de produção da mesma é sabidamente muito mais barato do que o dos remédios e tratamentos convencionais contra o câncer, o que, por um lado é muito bom para a população, mas por outro lado, parece não ser nada bom para os grandes laboratórios farmacêuticos, podendo também estar aí um motivo para a substância não ser produzida em grande escala, enquanto os caros e lucrativos  remédios quimioterápicos e de apoio à radioterapia o são.