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sábado, 31 de outubro de 2015

CULTURA - 4º Bimestre 2015


O olhar distante de Vik Muniz

Artista plástico abre hoje, em Grande Vitória, mostra com cem

imagens antigas e inéditas no país

 

Fonte:http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/o-olhar-distante-de-vik-muniz-1.1141701
 

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Foto 1 - Baixo-relevo. Parte das imagens expostas em Vila Velha foram feitas em áreas de mineração em Minas Gerais e no Pará

Foto 2 - Imagem mostra obra de Vik Muniz que fez parte da abertura da novela Passione




Se a obra de Vik Muniz tivesse que ser resumida em uma palavra, ela seria escala. Incompreensíveis de perto, as instalações do artista plástico paulista radicado no Estados Unidos ganham contornos mais definidos quando vistas (bem) de longe.

Desenhos feitos em planície, por exemplo, ganham forma e se transformam em avião de papel (foto).

É essa obra que o público capixaba terá a oportunidade de conhecer a partir de hoje, quando estreia a exposição “Vik Muniz: Panorama do Artista em Cem Obras”, que reúne, entre a centena de imagens, 33 peças da mostra inédita no Brasil “Earthworks: Desenhos de Até Meio Quilômetro de Extensão”.

“São quadros de escala ambiental, com mais de 500 m de comprimento, feitas de maneira pesada em minas de ferro”, explicou o artista ao jornal “A Gazeta”.

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Comentário:

A palavra "escala" para denominar o tipo de arte que pode ser vista nas obras de Vik Muniz não poderia ser uma denominação mais concisa.

O artista impressiona por sua capacidade de "visão aeroespacial" para a criação de obras tão complexas, formadas dos mais diferentes materiais, com tantos detalhes mínimos em um espaço às vezes tão amplo que os materiais, que são muitas vezes tudo o que pode ser visto quando a obra é olhada "de perto", desaparecem em meio à imagem que se forma, quando a obra é admirada "de longe".

Vik Muniz (Vicente José de Oliveira Muniz) nasceu em São Pulo, em 20 de dezembro de 1921. Ele é artista plástico, vive e trabalha em Nova York e no Rio de Janeiro.

A primeira vez que ouvi falar dele foi quando assisti, em uma aula na escola, o documentário "O Lixo Extraordinário", um de seus principais trabalhos, e, certamente, é o trabalho dele que mais me fascina.

O filme, indicado ao Oscar, vai mostrando o trabalho do artista com catadores de lixo, que vão mudando seu modo de pensar e transformando suas visões do mundo ao longo do documentário, ao mesmo tempo que vão ajudando Vik a realizar suas obras, muitas vezes posando como modelos para ele. Tudo ocorre em um grande aterro em Jardim Gramacho, Duque de Caxias, conhecido como "lixão".

Apesar de não me lembrar de todos os detalhes, a sensação que guardei, após assistir o documentário, foi de uma nova compreensão do que seja arte. Lembro que, quando terminou o filme, passei muito tempo meditando e revendo alguns conceitos. Percebi que Vik , por meio de suas obras, faz uma critica à sociedade. Por exemplo, nessa série de trabalhos produzidos neste documentário, ele reproduz obras clássicas em lixo, o que choca e também traz, a meu ver, uma visão ecológica e uma nova perspectiva sobre a forma de fazer arte, ao mesmo tempo que leva o admirador da obra a uma sensação estranha de ver o seu olhar tentando se equilibrar numa linha tênue entre o feio e o belo, entre o lixo e o luxo, entre o caos e o cosmos.

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Foto 1 - A morte de Marat, Jacques-Louis David.

Foto 2 - Obra de Vik Muniz, em "lixo".

Foto 3 - Imagem tirada de catador no documentário "O Lixo Estraordinário".



Acredito que essa exaltação da vida, em forma de sátira, mesclada à brutalidade do lixo, resulta na beleza original e excepcional dos trabalhos de Vik Muniz. O seu estilo e obras únicas são uma revolução no campo artístico, a marca de uma nova maneira de expressão.
Essa é uma exposição a qual, se eu puder ir, certamente o farei.