O
olhar distante de Vik Muniz
Artista plástico abre hoje, em Grande Vitória,
mostra com cem
imagens antigas e inéditas no país
Fonte:http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/o-olhar-distante-de-vik-muniz-1.1141701
Foto
1 - Baixo-relevo. Parte das imagens expostas em Vila Velha foram feitas em
áreas de mineração em Minas Gerais e no Pará
Foto
2 - Imagem mostra obra de Vik Muniz que fez parte da abertura da novela
Passione
Se a obra de Vik Muniz tivesse que ser resumida em
uma palavra, ela seria escala. Incompreensíveis de perto, as instalações do
artista plástico paulista radicado no Estados Unidos ganham contornos mais
definidos quando vistas (bem) de longe.
Desenhos feitos em planície, por exemplo, ganham
forma e se transformam em avião de papel (foto).
É essa obra que o público capixaba terá a
oportunidade de conhecer a partir de hoje, quando estreia a exposição “Vik
Muniz: Panorama do Artista em Cem Obras”, que reúne, entre a centena de
imagens, 33 peças da mostra inédita no Brasil “Earthworks: Desenhos de Até Meio
Quilômetro de Extensão”.
“São quadros de escala ambiental, com mais de 500 m
de comprimento, feitas de maneira pesada em minas de ferro”, explicou o artista
ao jornal “A Gazeta”.

Comentário:
A palavra "escala" para
denominar o tipo de arte que pode ser vista nas obras de Vik Muniz não poderia
ser uma denominação mais concisa.
O artista impressiona por sua capacidade
de "visão aeroespacial" para a criação de obras tão complexas,
formadas dos mais diferentes materiais, com tantos detalhes mínimos em um
espaço às vezes tão amplo que os materiais, que são muitas vezes tudo o que
pode ser visto quando a obra é olhada "de perto", desaparecem em meio
à imagem que se forma, quando a obra é admirada "de longe".
Vik Muniz (Vicente José de Oliveira Muniz) nasceu em São
Pulo, em 20 de dezembro de 1921. Ele é artista plástico, vive e trabalha em
Nova York e no Rio de Janeiro.
A primeira vez que ouvi falar dele foi quando
assisti, em uma aula na escola, o documentário "O Lixo
Extraordinário", um de seus principais trabalhos, e, certamente, é o
trabalho dele que mais me fascina.
O filme, indicado ao Oscar, vai mostrando o
trabalho do artista com catadores de lixo, que vão mudando seu modo de pensar e
transformando suas visões do mundo ao longo do documentário, ao mesmo tempo que
vão ajudando Vik a realizar suas obras, muitas vezes posando como modelos para
ele. Tudo ocorre em um grande aterro em Jardim Gramacho, Duque de Caxias,
conhecido como "lixão".
Apesar de não me lembrar de todos os detalhes, a
sensação que guardei, após assistir o documentário, foi de uma nova compreensão
do que seja arte. Lembro que, quando terminou o filme, passei muito tempo
meditando e revendo alguns conceitos. Percebi que Vik , por meio de suas obras,
faz uma critica à sociedade. Por exemplo, nessa série de trabalhos produzidos
neste documentário, ele reproduz obras clássicas em lixo, o que choca e também
traz, a meu ver, uma visão ecológica e uma nova perspectiva sobre a forma de
fazer arte, ao mesmo tempo que leva o admirador da obra a uma sensação estranha
de ver o seu olhar tentando se equilibrar numa linha tênue entre o feio e o
belo, entre o lixo e o luxo, entre o caos e o cosmos.

Foto
1 - A morte de Marat, Jacques-Louis David.
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2 - Obra de Vik Muniz, em "lixo".
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3 - Imagem tirada de catador no documentário "O Lixo Estraordinário".
Acredito que essa exaltação da vida, em forma de
sátira, mesclada à brutalidade do lixo, resulta na beleza original e excepcional
dos trabalhos de Vik Muniz. O seu estilo e obras únicas são uma revolução no
campo artístico, a marca de uma nova maneira de expressão.
Essa é uma exposição a qual, se eu puder ir,
certamente o farei.
