Professor usa app G1 Enem em aula especial com desafio para alunos
Victor Neri
diz que novidade ajudou na disciplina e no comprometimento.
Professor adota sarau, filmes e outras novidades para conquistar turmas.
Professor adota sarau, filmes e outras novidades para conquistar turmas.
Fonte: http://g1.globo.com/educacao/enem/2015/noticia/2015/10/professor-usa-app-g1-enem-em-aula-especial-com-desafio-para-alunos.html

Victor Neri projeta a imagem do aplicativo na sala para mostrá-la aos alunos.
“Alunos do 3º ano, não se esqueçam de trazer o celular para a aula de
sociologia.” O aparelho, que costuma ser combatido nos colégios por distrair os
estudantes, ganhou um papel importante na Escola Estadual Dr. Joaquim Silvado,
na Vila Zatt, zona norte de São Paulo.
O
pedido para que os alunos levassem o celular foi postado no Facebook da
instituição de ensino. A ideia, elaborada pelo professor Victor Neri, era usar
o aplicativo G1 Enem em uma aula especial para estimular o estudo de forma
dinâmica.
“A
escola liberou o acesso à internet e pudemos, assim, brincar com o jogo de
perguntas e respostas”, afirma Neri, que também ensina história e filosofia a
22 turmas.
Ele
organizou uma competição entre os estudantes: contou quantos pontos cada um
deles conseguiu fazer em uma aula. Para ensinar conteúdos a partir do
aplicativo, Neri conectou seu celular ao projetor, para que as questões fossem
mostradas na lousa, em tamanho maior. Em seguida, os alunos respondiam em voz
alta, juntos, qual alternativa acreditavam ser a correta
Para Neri, o uso da tecnologia em sala de aula ajuda a
envolver os alunos. “Percebi que, no dia em que jogamos com o aplicativo, o
índice de faltas foi bem menor nos terceiros anos”, conta.
Ele também afirma que a indisciplina foi reduzida. “Uma
das turmas, que tem questões de comportamento mais difíceis, se desenvolveu
melhor no dia.”
Depois de usarem o app G1 Enem pela manhã, durante a
aula, os alunos da escola estadual passaram a disputar partidas entre eles, sem
intermédio do professor. “Andei pelo corredor e vi vários jogando. Eles me
disseram que ficaram viciados”, brinca Neri.
Aulas
diferentes
O uso do aplicativo não foi a primeira aula criativa do
professor. Ele costuma usar músicas, quiz e filmes para tornar o aprendizado
mais descontraído. Em outubro, Neri distribuiu aos alunos cartilhas sobre
direitos humanos. No fim do mês, haverá o sarau sociológico: os estudantes
apresentarão peças de teatro e canções relacionadas ao Estatuto do Idoso, aos
direitos da mulher, entre outros temas.
As aulas com dinâmica diferente ocorrem na sala de
leitura, que tem mesas grandes e traz mais informalidade. “Isso faz com que os
alunos participem mais”, diz Neri.
Como faltam poucos dias até o Enem, o professor percebeu
que as turmas estão mais ansiosas. Mas acredita que, com o uso da arte e de
jogos, todos consigam se concentrar mais.
Neri acompanha os estudantes no processo inteiro – todo
ano, ele presta o Enem e depois estuda o que caiu no exame. “É uma experiência
que passo para as classes seguintes. Quero estar junto com meus alunos sempre”,
diz.
Comentário:
Atualmente, em
diversas escolas o ensino vem se integrando com a tecnologia, numa tentativa de
tornar as aulas mais interativas e despertar mais a atenção dos alunos.
Eu acredito que esta tática
do professor Victor Neri conta com grande probabilidade de acerto, considerando
que, muitas vezes, uma aula puramente teórica, somada à dificuldade de algumas
matérias e à própria maneira nem sempre estimulante como alguns professores dão
aula, torna-se rapidamente enfadonha e os alunos logo param de prestar atenção,
principalmente aqueles que já tem alguma dificuldade de concentração.
Assim, quando um
elemento novo é trazido para dentro da aula, como o uso do celular aliado a um
aplicativo e ainda conectado a um projetor, para tornar tudo maior e mais
atrativo, a curiosidade dos alunos é capturada e, se o aplicativo faz uso de
jogos de perguntas e respostas, desperta um elemento poderoso do cérebro humano:
a competitividade, que, estimulada da maneira correta, pode ser uma grande
aliada do educador, capaz de atrair toda a atenção do jovem para aquele momento.
Eu até acredito que,
no terceiro ano do ensino médio, como é o caso das turmas da escola acima, uma
parte dos próprios alunos muitas vezes já apresentam uma disposição maior a
focar nas aulas, uma vez que eles estão prestes a fazer a prova do Enem e algum
vestibular e, em se tratando de uma escola estadual, muitos ali tem condição
financeira baixa e, portanto, dependem realmente de uma boa nota do Enem para
fazer uma faculdade pública.
Mas, na realidade,
são poucas as escolas estaduais, mesmo em Estados mais desenvolvidos como São
Paulo e Rio de Janeiro, que possuem projetores em sala de aula e acesso à
internet, já que a maioria dos Estados não considera esse tipo de recurso didático
como prioritário e, muitas vezes, os próprios alunos vandalizam esse tipo de
material, que raramente é reposto. Até nas escolas particulares esse tipo de
equipamento não é encontrado em todas as salas de aula, e só há alguns anos é
que vem sendo, gradualmente, adquirido. E o que é pior: apesar dos estereótipos
que colocam os estudantes das escolas públicas como tendo um perfil mais
agressivo e violento, também nos colégios particulares são encontrados alunos
capazes de depredar esses dispositivos, muitas vezes só para se divertirem.
Apesar de tudo, é uma
iniciativa muito inteligente do professor, uma vez que, onde pode ser aplicada,
torna a classe mais atenta e a aula mais dinâmica.
Eu também apoio a utilização
de saraus, desde que a preparação e os ensaios ocorram em tempo de aula e que
os professores participem destes, aproveitando para ajudarem os alunos a
incluirem nas apresentações elementos retirados das matérias dadas em sala de
aula, sendo também importante que a escola providencie todos os materiais que
os alunos necessitem e contratem profissionais para fazer o trabalho mais "pesado'
e demorado de montagens, não prejudicando, assim, o tempo de estudo dos alunos.
