topo de página

sábado, 31 de outubro de 2015

EDUCAÇÃO - 4º Bimestre 2015


Professor usa app G1 Enem em aula especial com desafio para alunos

Victor Neri diz que novidade ajudou na disciplina e no comprometimento.
Professor adota sarau, filmes e outras novidades para conquistar turmas.

Fonte: http://g1.globo.com/educacao/enem/2015/noticia/2015/10/professor-usa-app-g1-enem-em-aula-especial-com-desafio-para-alunos.html

Your image is loading...


Victor Neri projeta a imagem do aplicativo na sala para mostrá-la aos alunos.


“Alunos do 3º ano, não se esqueçam de trazer o celular para a aula de sociologia.” O aparelho, que costuma ser combatido nos colégios por distrair os estudantes, ganhou um papel importante na Escola Estadual Dr. Joaquim Silvado, na Vila Zatt, zona norte de São Paulo.

O pedido para que os alunos levassem o celular foi postado no Facebook da instituição de ensino. A ideia, elaborada pelo professor Victor Neri, era usar o aplicativo G1 Enem em uma aula especial para estimular o estudo de forma dinâmica.

“A escola liberou o acesso à internet e pudemos, assim, brincar com o jogo de perguntas e respostas”, afirma Neri, que também ensina história e filosofia a 22 turmas.

Ele organizou uma competição entre os estudantes: contou quantos pontos cada um deles conseguiu fazer em uma aula. Para ensinar conteúdos a partir do aplicativo, Neri conectou seu celular ao projetor, para que as questões fossem mostradas na lousa, em tamanho maior. Em seguida, os alunos respondiam em voz alta, juntos, qual alternativa acreditavam ser a correta

Para Neri, o uso da tecnologia em sala de aula ajuda a envolver os alunos. “Percebi que, no dia em que jogamos com o aplicativo, o índice de faltas foi bem menor nos terceiros anos”, conta.

Ele também afirma que a indisciplina foi reduzida. “Uma das turmas, que tem questões de comportamento mais difíceis, se desenvolveu melhor no dia.”

Depois de usarem o app G1 Enem pela manhã, durante a aula, os alunos da escola estadual passaram a disputar partidas entre eles, sem intermédio do professor. “Andei pelo corredor e vi vários jogando. Eles me disseram que ficaram viciados”, brinca Neri.

Aulas diferentes

O uso do aplicativo não foi a primeira aula criativa do professor. Ele costuma usar músicas, quiz e filmes para tornar o aprendizado mais descontraído. Em outubro, Neri distribuiu aos alunos cartilhas sobre direitos humanos. No fim do mês, haverá o sarau sociológico: os estudantes apresentarão peças de teatro e canções relacionadas ao Estatuto do Idoso, aos direitos da mulher, entre outros temas.

As aulas com dinâmica diferente ocorrem na sala de leitura, que tem mesas grandes e traz mais informalidade. “Isso faz com que os alunos participem mais”, diz Neri.

Como faltam poucos dias até o Enem, o professor percebeu que as turmas estão mais ansiosas. Mas acredita que, com o uso da arte e de jogos, todos consigam se concentrar mais.

Neri acompanha os estudantes no processo inteiro – todo ano, ele presta o Enem e depois estuda o que caiu no exame. “É uma experiência que passo para as classes seguintes. Quero estar junto com meus alunos sempre”, diz.

Comentário:

Atualmente, em diversas escolas o ensino vem se integrando com a tecnologia, numa tentativa de tornar as aulas mais interativas e despertar mais a atenção dos alunos.

Eu acredito que esta tática do professor Victor Neri conta com grande probabilidade de acerto, considerando que, muitas vezes, uma aula puramente teórica, somada à dificuldade de algumas matérias e à própria maneira nem sempre estimulante como alguns professores dão aula, torna-se rapidamente enfadonha e os alunos logo param de prestar atenção, principalmente aqueles que já tem alguma dificuldade de concentração.

Assim, quando um elemento novo é trazido para dentro da aula, como o uso do celular aliado a um aplicativo e ainda conectado a um projetor, para tornar tudo maior e mais atrativo, a curiosidade dos alunos é capturada e, se o aplicativo faz uso de jogos de perguntas e respostas, desperta um elemento poderoso do cérebro humano: a competitividade, que, estimulada da maneira correta, pode ser uma grande aliada do educador, capaz de atrair toda a atenção do jovem para aquele momento.

Eu até acredito que, no terceiro ano do ensino médio, como é o caso das turmas da escola acima, uma parte dos próprios alunos muitas vezes já apresentam uma disposição maior a focar nas aulas, uma vez que eles estão prestes a fazer a prova do Enem e algum vestibular e, em se tratando de uma escola estadual, muitos ali tem condição financeira baixa e, portanto, dependem realmente de uma boa nota do Enem para fazer uma faculdade pública.

Mas, na realidade, são poucas as escolas estaduais, mesmo em Estados mais desenvolvidos como São Paulo e Rio de Janeiro, que possuem projetores em sala de aula e acesso à internet, já que a maioria dos Estados não considera esse tipo de recurso didático como prioritário e, muitas vezes, os próprios alunos vandalizam esse tipo de material, que raramente é reposto. Até nas escolas particulares esse tipo de equipamento não é encontrado em todas as salas de aula, e só há alguns anos é que vem sendo, gradualmente, adquirido. E o que é pior: apesar dos estereótipos que colocam os estudantes das escolas públicas como tendo um perfil mais agressivo e violento, também nos colégios particulares são encontrados alunos capazes de depredar esses dispositivos, muitas vezes só para se divertirem.

Apesar de tudo, é uma iniciativa muito inteligente do professor, uma vez que, onde pode ser aplicada, torna a classe mais atenta e a aula mais dinâmica.
Eu também apoio a utilização de saraus, desde que a preparação e os ensaios ocorram em tempo de aula e que os professores participem destes, aproveitando para ajudarem os alunos a incluirem nas apresentações elementos retirados das matérias dadas em sala de aula, sendo também importante que a escola providencie todos os materiais que os alunos necessitem e contratem profissionais para fazer o trabalho mais "pesado' e demorado de montagens, não prejudicando, assim, o tempo de estudo dos alunos.