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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Saúde e Bem Estar (3º bimestre)


Pesquisadores brasileiros pedem cautela sobre cura da aids.


Fonte:http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=21125



 
Pesquisadores ouvidos pela Agência de Notícias da Aids disseram que a reportagem “Enfim, a Cura da Aids”, da   revista Superinteressante, não está atualizada e reforçam que as melhores estratégias na luta contra o HIV continuam sendo a prevenção e a adesão ao tratamento. Na edição de agosto, a revista aborda técnicas como a expulsão do vírus, tratamentos ultraprecoces, transplantes e modificações genéticas que conseguiram “curar” alguns pacientes.

Para o infectologista e professor da Universidade Federal de São Paulo Esper Kallás, a reportagem é sensacionalista. “A cura nunca esteve tão próxima, segundo a reportagem, mas isso ainda não é uma realidade”.

De acordo com o texto, no último ano, vários grupos de pesquisadores comprovaram que é possível expulsar o HIV de seus esconderijos e jogá-los de volta na corrente sanguínea – de onde ele poderia ser eliminado, livrando completamente o vírus do organismo.

Essa possibilidade começou a se desenhar em 2006, quando o governo norte-americano autorizou a venda do medicamento Vorinostat. Esse remédio foi criado para tratar o linfoma cutâneo de células T, um câncer no sistema imunológico, mas recentemente passou a ser usado em pesquisas para despertar as células T adormecidas de portadores do HIV. Com isso, as cópias do vírus escondidas acordaram e ficaram vulneráveis à ação dos antirretrovirais.

No entanto, Kallás contesta esta informação. “Esse medicamento não pode ser usado na cura da aids. Essa droga já foi testada em estudos experimentais em macacos e apresentou uma grande toxidade”, explicou.

Outra técnica abordada na reportagem é o transplante. O norte-americano Timothy Ray Brown recebeu, em 2009, a medula de uma mulher que não produzia a proteína CCR5. E sem essa proteína, o vírus HIV não conseguiu entrar nas células, fazendo com que o paciente pudesse parar de tomar os medicamentos antirretrovirais sem que a doença se desenvolvesse. Brown, conhecido como “Paciente de Berlim”, foi considerado o primeiro a se curar da aids.

Em março deste ano, pesquisadores do Instituto Pasteur, de Paris, apresentaram a cura funcional de 14 pacientes franceses portadores do HIV. Ou seja, ainda carregam o vírus, mas não desenvolvem aids, mesmo tendo parado de tomar o coquetel antirretroviral. Esses pacientes começaram a tomar os remédios antiaids no máximo 70 dias depois da infecção, o que limitou a entrada do vírus nos esconderijos, permitindo que depois de alguns anos em tratamento antirretroviral, o coquetel fosse interrompido e o vírus deixasse de se replicar.

Kallás ressalta que essa informação não é nova. Segundo o pesquisador, “muitos estudos já provaram que quanto mais cedo se inicia o tratamento contra o HIV, mais o organismo é preservado”.

Gean Gorinchteyn, do Instituto de Infectologia Emilio Ribas de São Paulo, considera que temos que ser cautelosos quando o assunto é a cura da aids. “Os estudos indicam algumas possibilidades em situações especiais, mas não é algo que podemos estender para todas as pessoas infectadas pelo vírus HIV”, disse.

O infectologista reforça que a prevenção e a adesão ao tratamento antirretroviral ainda são as melhores armas na luta contra o HIV. “Para conseguir bons resultados, o paciente soropositivo precisa não só de medicações adequadas, mas do uso regular delas, assim o tratamento será um sucesso”.

O ativista e editor do Boletim Vacinas Anti HIV/Aids, Jorge Beloqui, também não vê grandes novidades na reportagem. “Essas técnicas já foram abordadas e discutidas em nosso boletim”, comentou.

Na edição de março de 2012, o Boletim Vacinas Anti HIV/Aids apresenta como possíveis abordagens para erradicação da doença o inicio precoce do tratamento antirretroviral, antes que os reservatórios virais estejam plenamente estabelecidos; a intensificação da terapia antirretroviral para parar a replicação do HIV residual; a ativação das células T em repouso para purgar ou expulsar vírus latentes; manter a latência para silenciar permanentemente o DNA proviral; a eliminação ou a incapacitação das células T em repouso infectadas pelo HIV; proteger células infectadas contra a entrada viral e fortalecer a resposta do sistema imunitário ao HIV.

Já para o infectologista José Valdez Madruga, do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo (CRT), a reportagem é boa, mas a cura não chegou ainda. “É importante manter a expectativa de cura, pois há cinco anos não tínhamos perspectivas nesse sentido. Hoje, alguns estudos já apresentaram bons resultados, mas existe apenas a cura funcional quando o paciente é tratado precocemente, e não a cura real”, comentou.

Dr. Madruga conta que depois da publicação de Superinteressante vários pacientes já o procuraram para dizer que querem tomar o Vorinostat, mas ele tem explicado que, apesar dos estudos, esse remédio não é capaz de curar a aids.









Comentário:
Há anos vem se tentando achar a cura da Aids, que já afetou e ainda afeta milhões de pessoas pelo mundo, mas será que ela já foi encontrada?



Essa reportagem mostra que a notícia de que já foi descoberta a cura da Aids, que foi matéria da edição de agosto/2013 da revista Superinteressante, pode ter sido precipitada, pois os testes que a revista coloca como sendo novos, já vem sendo feitos há muitos anos e foram mostrados no boletim de março/2013 do Boletim Vacinas Anti HIV/Aids como possíveis formas de tratar os doentes, mas não garantem a cura.

Manter a esperança é sempre bom, mas talvez, a notícia precipitada tenha feito com que muitas pessoas doentes criassem expectativas, achando que, finalmente, elas poderiam ficar curadas, mas, como mostra essa reportagem da Agência de Notícias da Aids, que ouviu alguns pesquisadores, os tratamentos mostrados na revista não estão ao alcance de todos e o remédio citado, o Verinostat, não é capaz de curar os doentes com Aids.

Mas isso não significa que nós devemos perder a esperança, pois houve uma época em que as pessoas que pegavam Aids sabiam que iam morrer logo. Mas, com o tempo, isso foi mudando e as pessoas passaram a viver mais. Assim, as pesquisas e os novos tratamentos podem não ter ainda garantido a cura, mas aumentaram a expectativa de vida dos doentes, o que dá a eles pelo menos alguma esperança de cura.