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terça-feira, 15 de setembro de 2015

CULTURA - 3º Bimestre 2015


Bertioga expõe tradições indígenas em 1º Encontro da Cultura Guarani

Prefeitura da Cidade quer colocar a Aldeia Ribeirão Silveira no roteiro turístico municipal

Fonte:http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/cidades/bertioga-expoe-tradicoes-indigenas-em-1o-encontro-da-cultura-guarani/?cHash=21dc34933fb3d9b4ef8c04d1e297da3e

O caminho é primitivo. A lama, cercada de mato, dificulta a chegada na Aldeia Indígena Ribeirão Silveira, uma área de 85 quilômetros quadrados na divisa de Bertioga com São Sebastião. Mas no local, onde vivem aproximadamente 600 índios guaranis, a influência do homem branco é evidente. Arcos, flechas e cachimbos típicos se misturam aos relógios de pulso, celulares, garrafas de refrigerantes e roupas de todo tipo.
 
 
A aldeia, que é divida em cinco núcleos (como se fossem bairros), não está aberta ao público, mas é possível agendar visitas. A Prefeitura de Bertioga pretende torná-la parte de um roteiro turístico e para maior divulgação realiza o 1º Encontro da Cultura Guarani. O evento começou no sábado (05/09) e segue até segunda-feira (07/09), sempre das 10 às 17 horas.

Não há grandes rituais ou hábitos inusitados. Porém, algumas tradições são conservadas e aguçam a curiosidade dos visitantes. Ao som de músicas religiosas (que ecoam de caixas de áudio com amplificadores), os índios pintam o corpo – sempre com alguma simbologia - e fazem artesanato (cocares, brincos, colares, enfeites) para a venda. 
Também oferecem comidas típicas, como o palmito com mel e o biju – uma espécie de tapioca feita com mandioca ou fubá.
Hospitaleiros, recebem as pessoas em casas de madeira e barro. No fogão à lenha sempre há algo para oferecer. O prato de ontem foi arroz branco, feijão preto, salada de tomate com cebola e linguiça na brasa. Não é bem uma comida das tribos, mas é servida para agradar às visitas.
 Enquanto descasca um tronco de palmito pupunha sob olhares atentos de crianças (aliás, são muitas) da aldeia, o cacique Adolfo Timótio, liderança local, conversa com a Reportagem. Fala da proteção de Nhanderu Tupã (Deus Nosso Pai) e de como merecem ter suas origens respeitadas.
“É importante que venham aqui, para mostrarmos a nossa cultura para a sociedade. Porque quem não conhece, não respeita. Hoje é preciso ter esse conhecimento, respeitar que somos diferentes e que precisamos da terra, da natureza”, discursa, em tom firme.
- Aprendizado
Professora de Português da rede municipal de São Sebastião, Shirlei Costa Rodrigues costuma levar seus alunos para conhecer a aldeia. Levam brinquedos e roupas para doação. “É importante mostrar a cultura indígena e como a miscigenação deles com os portugueses gerou a nossa língua. Os estudantes também aprendem outros valores, que não é preciso tanto para ser feliz”.
Os índios realmente são humildes no comportamento. Ficam felizes em estar descalços ou ver correrem cachorros e galinhas pelo chão de terra batida. Mas podem surpreender, como um que pediu o contato da Reportagem e lhe foi passado o telefone. “Quero o e-mail, índio também acessa a internet”, disparou, de imediato.

- Como chegar
O acesso ao local é feito pela Rodovia Rio-Santos, em Boraceia. Fica à esquerda, logo após a entrada de São Sebastião (há uma placa indicando a aldeia e índios vendendo artesanato no acostamento). Em caso de chuva, o caminho fica difícil para carros.

 
Comentário
Mesmo não sendo o passeio mais atrativo, ver diretamente essas tradições milenares, estando num ambiente próprio onde até hoje habita esse povo indígena, pode se mostrar um programa alternativo bem inusitado, além de enriquecedor em termos de conhecimento sobre uma das mais antigas culturas brasileiras.
Hoje em dia, apesar dos programas de proteção e legislações para garantir os direitos dos indígenas, existem diversas terras de reservas que vem sendo ocupadas ilegalmente. Portanto, uma iniciativa como essa garante que haverá um controle maior sobre as pessoas que transitarão nessa região, que se transformará em uma região turística, o que, consequentemente, trará maior segurança para os indígenas, já que as ocupações ilegais serão muito dificultadas.
O cacique não poderia estar mais certo ao afirmar que "É importante que venham aqui, para mostrarmos a nossa cultura para a sociedade. Porque quem não conhece, não respeita.", pois a divulgação dessas tribos e de seus hábitos faz com que mais pessoas se mobilizem para ajudar a defender os direitos dos índios.
Além disso, a venda do artesanato para os visitantes gera uma fonte de lucro para essa população, que pode ajudar a adquirir produtos industrializados que possam ser necessários para garantir a sobrevivência dos índios (como medicamentos, por exemplo).
Além de toda a beleza das danças, dos instrumentos e cocares, essa visita é um mergulho na história, pois apesar das influencias modernas (celulares, relógios etc.), os mesmo rituais realizados hoje eram feitos por índios antes do descobrimento do Brasil.
Algo que me impressionou na matéria foi a hospitalidade com que os indígenas não só receberam os turistas, mas também partilharam com eles sua cultura e até mesmo prepararam comidas que os agradassem mais. Apesar de parecer simples, uma recepção como essa exige bastante trabalho e desprendimento desse povo que tem tão pouco, mas mesmo assim está disposto a compartilhar o que tem.
Em suma, eu admiro a iniciativa da prefeitura de Bertioga, pois trata-se de uma maneira criativa e benéfica de integrar a cultura indígena com a sociedade moderna, e realmente espero que o objetivo de transformar essa aldeia numa área turística se concretize, desde que respeitem a privacidade e a maneira de viver dos indígenas.