Dia de
protestos no Egito tem novos confrontos entre polícia e islamitas
Há ao menos 50 mortos e vários
feridos em atos contra o governo militar.
'Dia de ira' pede saída das autoridades interinas e volta de Morsi ao poder.
Fonte:http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2013/08/dia-de-protestos-no-egito-em-novos-confrontos-entre-policia-e-islamitas.html
Milhares
de partidários do presidente islâmico deposto, Mohamed Morsi, protestaram nesta sexta-feira (16) no Egito diante das forças de ordem, autorizadas a
atacá-los com armas de fogo, desencadeando uma onda de violência que deixou ao
menos 83 mortos, mil detidos e transformou bairros inteiros em campos de
batalha.
O governo
egípcio - instaurado pelo Exército - indicou que enfrenta 'um complô
terrorista' da Irmandade Muçulmana para justificar a repressão que deixou mais
de 680 mortos nos últimos dias, em sua maioria manifestantes fiéis ao
presidente destituído.
"O
governo afirma que seus membros, as Forças Armadas, a Polícia e o grande povo
do Egito estão unidos para combater o complô terrorista tramado pela Irmandade
Muçulmana".
Segundo o
ministério do Interior, 'o número de seguidores da Irmandade Muçulmana detidos
é de 1.004,' sendo 558 no Cairo.
Na
capital egípcia, fortemente patrulhada pelo Exército e por comitês populares
partidários do governo, ocorreram tiroteios com armas automáticas em diferentes
bairros, principalmente em torno da Praça Ramsés, onde milhares de partidários
da Irmandade Muçulmana estavam reunidos.
Os corpos
de pelo menos 39 pessoas foram enfileirados em mesquitas do Cairo. Soldados e
policiais dispersaram os manifestantes favoráveis a Mursi na capital, constatou
um correspondente da AFP.
Cerco à
mesquita
Na noite desta sexta-feira, a polícia cercou a mesquita de Al-Fath, no Cairo, onde estão vários militantes islâmicos partidários de Morsi, que acusam as forças da ordem de atirar contra o prédio.
Na noite desta sexta-feira, a polícia cercou a mesquita de Al-Fath, no Cairo, onde estão vários militantes islâmicos partidários de Morsi, que acusam as forças da ordem de atirar contra o prédio.
"Milhares
de pessoas estão cercadas na mesquita e os disparos na região ocorrem há mais
de uma hora, sem cessar", informou por e-mail o Partido da Justiça e da
Liberdade, braço político da Irmandade Muçulmana.
Um alto
oficial, citado pela agência de notícias Mena, afirmou que 'elementos armados
atiraram contra as forças da ordem a partir das mesquita' de Al-Fath.
Por volta
da 1h de sábado (17), o Exército propôs a saída das mulheres da mesquita mas
exigiu interrogar os homens, o que foi rejeitado pelos militantes refugiados no
local, disse à AFP um dos manifestantes, confirmando a presença de mais de mil
pessoas no templo.
Mortos
O Partido da Liberdade e da Justiça afirma que há 130 mortos apenas na capital, e segundo fontes de segurança, 31 pessoas morreram em diferentes províncias do Egito.
O Partido da Liberdade e da Justiça afirma que há 130 mortos apenas na capital, e segundo fontes de segurança, 31 pessoas morreram em diferentes províncias do Egito.
Em Suez,
cinco pessoas foram mortas durante a noite pelas forças de ordem e dezenas
ficaram feridas durante uma manifestação durante o toque de recolher, segundo
fontes da segurança.
Tiros
também eram ouvidos em outras grandes cidades do país onde os partidários de
Mursi protestavam, como Alexandria (norte), Beni Sueif e Fayum, ao sul do
Cairo, e na cidade turística de Hurghada, às margens do Mar Vermelho.
Frente à
escalada, que desperta temores de que o país --em estado de emergência desde
quarta-feira e onde impera um toque de recolher noturno em várias províncias--
mergulhado no caos, os Estados Unidos fizeram um novo apelo para que não seja empregada
força excessiva contra os manifestantes, enquanto os europeus estudam 'adoção
de medidas'. A Alemanha indicou inclusive que quer revisar suas relações com o
Cairo.
Convocação
para os protestos
O grupo islâmico Aliança contra o Golpe de Estado convocou seus seguidores a protestar diariamente.
O grupo islâmico Aliança contra o Golpe de Estado convocou seus seguidores a protestar diariamente.
"Haverá
manifestações contra o golpe de Estado todos os dias", disse, depois de
seu movimento ter convocado seus partidários a protestar 'aos milhões' e
'pacificamente' para denunciar o 'massacre'.
Laila
Musa, outra porta-voz do mesmo movimento, denunciou a prisão de seguidores de
Morsi antes dos protestos desta sexta, entre os quais há pelo menos dois ex-membros
do Parlamento.
Já o
Tamarrod, movimento que promoveu as gigantescas manifestações pela destituição
de Morsi, pediu que os egípcios formem 'comitês populares' para defender o país
do que ele chama de 'terrorismo' da Irmandade Muçulmana, à qual pertence Mursi.
As
autoridades decretaram estado de emergência durante um mês na quarta e um toque
de recolher na metade do país entre 19h (14h de Brasília) e 6h (1h de
Brasília).
Preocupação
internacional
A situação no Egito causa preocupação na comunidade internacional. Os Estados Unidos pediram nesta sexta-feira que o Egito não recorra à 'força letal' contra manifestantes pacíficos.
A situação no Egito causa preocupação na comunidade internacional. Os Estados Unidos pediram nesta sexta-feira que o Egito não recorra à 'força letal' contra manifestantes pacíficos.
"Dissemos
claramente que os egípcios têm o direito universal de se reunir e se expressar
livremente, inclusive durante manifestações pacíficas", escreveu a
porta-voz do departamento de Estado Jennifer Psaki, em uma mensagem eletrônica
enviada à AFP.
Na
quinta, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, havia anunciado o
cancelamento dos exercícios militares conjuntos entre seu país e o Egito, após
condenar 'energicamente' a repressão, mas sem chegar a cortar uma vultosa ajuda
financeira ao Cairo.
O
presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel,
pediram nesta sexta uma resposta unificada europeia urgente para a crise
egípcia, anunciou a Presidência francesa.
O
mandatário francês e a primeira-ministra alemã pediram 'que os ministros das
Relações Exteriores da União (Europeia) se reúnam rapidamente na próxima semana
para analisar a cooperação entre a União Europeia e o Egito e elaborem
respostas comuns', segundo o Eliseu.
Os representantes
dos 28 Estados membros da União Europeia se reunirão na segunda-feira em
Bruxelas para analisar a situação, indicou nesta sexta-feira o gabinete de
Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia.
Já o rei
Abdallah da Arábia Saudita manifestou apoio às autoridades egípcias 'contra o
terrorismo' e advertiu para o perigo de 'intromissões' nos assuntos internos do
Cairo. A Jordânia também manifestou o seu apoio ao governo egípcio em sua luta
para 'combater o terrorismo'.
Centenas
de pessoas participaram de manifestações convocadas por grupos islamitas em
Cartum, Amã, Rabat, Jerusalém Oriental e na Cisjordânia para denunciar 'o golpe
de Estado' contra Mohamed Mursi.
Nesta
sexta, a Coalizão pró-Mursi condenou os ataques de islamitas contra igrejas cristãs
no país, mas aproveitou para acusar alguns cristãos de apoiar a derrubada do
primeiro presidente democraticamente eleito no país.
'Embora alguns líderes coptas tenham apoiado ou,
inclusive, participado do golpe, este tipo de ataques não se justifica',
indicou.
Comentário:
Assuntos
como esse são muito delicados, pois, quando os militares assumem o governo de
um país, geralmente estabelecem uma ditadura e até as pessoas que antes
apoiavam os militares podem acabar se revoltando, porque as ditaduras, ao
contrário das democracias, dão muito pouca liberdade às pessoas para
interferirem no governo.
Assim, o povo insatisfeito vai às ruas para protestar, nem sempre de forma pacífica, e acaba tendo que enfrentar a violência da polícia, que recebe ordens do governo para reprimir esses atos, considerados como atos de terrorismo.
Essa situação no Egito tem causado muita polêmica no mundo, pois enquanto alguns países manifestam abertamente seu apoio ao direito do povo do Egito protestar, como os Estados Unidos, outros países colocam-se do lado do governo militar, como é o caso da Arábia Saudita e Jordânia.
Em minha opinião, o atual governo militar do Egito deveria tentar um acordo de paz com os que apoiam o antigo presidente. Afinal, com essa onda de violência todos perdem.
Assim, o povo insatisfeito vai às ruas para protestar, nem sempre de forma pacífica, e acaba tendo que enfrentar a violência da polícia, que recebe ordens do governo para reprimir esses atos, considerados como atos de terrorismo.
Essa situação no Egito tem causado muita polêmica no mundo, pois enquanto alguns países manifestam abertamente seu apoio ao direito do povo do Egito protestar, como os Estados Unidos, outros países colocam-se do lado do governo militar, como é o caso da Arábia Saudita e Jordânia.
Em minha opinião, o atual governo militar do Egito deveria tentar um acordo de paz com os que apoiam o antigo presidente. Afinal, com essa onda de violência todos perdem.

