topo de página

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Cultura ( 2014 - 2º Bimestre)


Exposição do artista australiano Ron Mueck impressiona pelo realismo


Esculturas humanas gigantes  ou pequenas que trazem detalhes de veias, pêlos e olhos.
Em cartaz no MAM do Rio de Janeiro, mostra vai até o dia 1º de junho.

Fonte: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2014/03/exposicao-do-artista-australiano-ron-mueck-impressiona-pelo-realismo.html



 
Obras esculpidas em formas perfeitas e realistas estão em exposição no MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro. No corpo de cada escultura, está a alma do artista: Ron Mueck, australiano, 56 anos, obstinado em criar figuras cada vez mais reais.

Na maior obra da exposição, os sinais da idade estão nos olhos, nos braços, na pele flácida. Veias, pêlos, unhas por cortar, tudo impressiona pela perfeição.




O jovem ferido, a mulher acima do peso, cada dobra é estudada. Até os cabelos são cuidadosamente despenteados.  






O artista brinca com os tamanhos.


Mueck trabalha sem pressa, sem brigar com o tempo em um ateliê em Londres, onde mora. Pode passar uma hora e meia fazendo apenas o olho de uma escultura. Tanto perfeccionismo teve origem ainda na infância, nas cobranças do pai, um alemão rigoroso. “Quando era criança, ele já fazia os bonecos e as marionetes para vender no mercado. O pai ficava o tempo todo dizendo ‘não, muda, não está bom, faz de novo’. Era uma exigência e daí essa super perfeição, esse detalhismo que ele tem para tudo”, conta Carlos Alberto Chateubriand, presidente do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro.O presidente do MAM ainda explica que a figura que está em um barco à deriva é o pai do artista Ron Mueck.




Em outra escultura, o rosto do próprio Mueck dormindo está retratado.





Fotos de jornal, lendas e até desenhos animados. Tudo isso serve de inspiração para Ron Mueck. Em uma obra, chamada “À Deriva”, ele fez a partir de uma fotografia de um grande amigo, que tinha morrido. Uma homenagem eternizada pela arte.




As esculturas são carregadas de tensão. Mueck é um homem que gosta de estar só. Ele foge de aglomerações, que, ironicamente, é por onde passam suas exposições que batem recordes de público e de fotos que os visitantes tiram das obras..






“A vida que ele consegue dar. A realidade é uma coisa impressionante. Você fica extasiado com o trabalho dele. Maravilhoso”, confessa a funcionária pública Sheila Freitas, que visitava a exposição.











Comentário: 


Posso descrever o trabalho de Ron Mueck com uma palavra: sensacional!

É verdade que eu ainda não fui e nem sei se conseguirei ir nessa exposição dele no Rio de Janeiro, mas tive a chance de apreciar esses mesmos trabalhos, em uma exposição no Museu de Arte Moderna de La Boca, na Fundação Proa, em uma viagem que fiz com minha família a Buenos Aires.

Logo no início da exposição já dá pra ficar muito impressionado com o realismo das obras, pois apesar de elas serem sempre maiores ou menores do que o tamanho real das pessoas, você tem a nítida impressão de que está olhando para pele, pelos, unhas, cabelos e olhos de verdade.

Além disso, é como se cada obra representasse uma fotografia de um momento que a pessoa estava vivendo. É como se a escultura contasse uma história de pessoas fazendo o que normalmente fazem na sua rotina de vida e, de repente, a cena fosse congelada no tempo e a gente pudesse ficar ali observando tudo em detalhes.

Mesmo com a boa qualidade das fotos, só mesmo estando perto para entender a emoção que sentimos quando olhamos, por exemplo, para a moça carregando os galhos, e percebemos todos os detalhes da pele dela, o que faz parecer que ela está viva. Se reparamos bem, vemos que a parte de baixo dos pés dela apresenta uma textura mais grossa, de quem já está acostumado a andar descalço. Mas é no rosto que podemos perceber até o esforço que ela está fazendo para carregar o fardo.

Na reportagem, o que mais me chamou a atenção foi a história da vida do artista. É interessante saber que, ao invés de desperdiçar tempo e energia ficando com raiva do pai por este ser muito exigente, ele passou a usar isso a seu favor, se aperfeiçoando cada vez mais e se tornando um artista cada vez melhor. Isso é que "usar o limão para fazer uma limonada". Hoje em dia, o pai dele, se estiver vivo, com certeza deve estar muito orgulhoso do filho, agora um artista mundialmente famoso. O pai dele foi inclusive homenageado com uma obra.

Tenho certeza de que Ron Mueck ainda vai nos surpreender muito com suas exposições, que são uma prova de que se pode fazer arte de qualidade fora dos padrões que estamos acostumados, o que enriquece a cultura das pessoas que têm a oportunidade de poder apreciar essas verdadeiras obras de arte, que parecem ter vida própria.