Com aprovação em queda, Dilma pede que auxiliares divulguem "marcas"
sociais
Sucessão
presidencial. Em reação à popularidade em baixa e seguindo orientação de Lula,
presidente determina que ministros usem discursos para multiplicar difusão dos
programas federais; campanha sobre o Mais Médicos vai ao ar na próxima semana
Fontes:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,com-aprovacao-em-queda-dilma-pede-que-auxiliares-divulguem-marcas-sociais,1155920,0.htm
Com a popularidade em queda, o patrimônio de “gerente” corroído e sob
ameaça de uma CPI da Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff determinou aos
ministros que adotem a estratégia da multiplicação das marcas do governo. A
ordem é para que todos os auxiliares, sempre que fizerem discursos públicos,
citem programas sociais como Mais Médicos, Pronatec, Prouni, Brasil Sem Miséria
e Minha Casa, Minha Vida.
O roteiro de reação deve ser seguido mesmo se o tema da cerimônia não
estiver relacionado a esses assuntos e os ministros forem de outras áreas.
Pressionada por eleitores que exigem mudanças, como revelou a última pesquisa
Ibope divulgada na quinta-feira, Dilma quer destacar que muitos dos programas
mencionados hoje por seus adversários são conquistas da administração do PT e
representam “só um começo”.
Uma campanha publicitária sobre o Mais Médicos entrará no ar na próxima
semana. Para rebater as críticas da oposição de que o governo Dilma investe no
“trabalho escravo” de médicos cubanos, a propaganda na TV mostrará como o
programa, com cerca de 14 mil novos profissionais, tem mudado a vida dos mais
pobres, principalmente no interior. A meta é que, até a Copa do Mundo, o plano
dê assistência a 49 milhões de pessoas.
"O principal cabo eleitoral do seu governo é você mesma”, disse o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em conversa com Dilma, no início do
mês. “Os ministros têm que divulgar as ações do governo, dar respostas mais
rápidas e traduzir todos esses números para a vida real. Ninguém sabe o que é
PIB. A pessoa quer saber o que pode comprar no supermercado, se a vida melhorou
ou não.”
Dilma começou a pôr em prática os conselhos de Lula, mas a pesquisa
Ibope acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto. Embora o senador Aécio
Neves (PSDB) e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB),
pré-candidatos ao Planalto, não tenham capitalizado a insatisfação com o
governo do PT, Dilma caiu em todos os cenários. A presidente ainda venceria no
primeiro turno, se a eleição fosse hoje, mas a desaprovação a seu modo de
governar subiu de 43%, em março, para 48% neste mês.
Reduto. Além disso, a pesquisa captou um desejo crescente
de mudança. O índice de brasileiros que querem alterações profundas no governo
chegou a 68% em abril, segundo o levantamento. O descontentamento com o governo
Dilma aumentou muito entre os jovens e também entre tradicionais eleitores do
PT, como beneficiários do Bolsa Família. A avaliação negativa da gestão, feita
por pessoas que moram na periferia, subiu 11 pontos, passando de 27% no mês
passado para 38% agora. São índices próximos ao que Dilma obteve no período
posterior aos protestos de junho do ano passado.
O “inferno astral” do governo é atribuído, nos bastidores do PT, a
turbulências na economia, com o aumento da inflação, e à “desconstrução” da
imagem da Petrobrás, abalada por denúncias de corrupção e sob ameaça de uma CPI
no Congresso. “A oposição continua sendo hipócrita. Nem o mais ingênuo dos
políticos vai acreditar que uma CPI transcorrerá de forma técnica e sem
contaminação política, principalmente começando em abril ou maio, com prazo de
180 dias, para acabar no período eleitoral”, afirmou ao Estado o
ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini.
No Planalto, Berzoini já começou a seguir a recomendação de Dilma para
multiplicar as marcas do governo. “Essa é uma eleição para fazer um debate
profundo do que foi o Brasil no passado e do que o Brasil é hoje em termos de
desemprego, renda, salário mínimo, Minha Casa Minha Vida, Prouni e Bolsa
Família”, insistiu ele.
Para Eduardo Campos, a estratégia indica que o PT vai apostar no
“terrorismo eleitoral”, acusando a oposição de querer acabar com programas
sociais. “Eles sabem que sabemos fazer. Não podemos ficar sem alternativas
nesse debate do presente e do passado”, argumentou o ex-governador, ao
formalizar a ex-ministra Marina Silva como vice de sua chapa.
“O problema não é o Brasil; é o governo que está aí”, afirmou Aécio no
programa de TV do PSDB, exibido na quinta-feira. O tucano abriu ofensiva contra
o PT ao dizer que o governo “não reconhece que a inflação está saindo do
controle”.
Economia. Além das previsões de menor crescimento feitas
recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e também pelo Banco
Central, os juros básicos estão hoje em 11% ao ano, acima do patamar de quando
Dilma assumiu o governo, e há risco de racionamento de energia.
A “agenda positiva” da presidente até a Copa, porém, prevê “vacinas”
contra as más notícias da economia, com discursos sob medida para estancar a
queda de sua popularidade entre eleitores de várias faixas de renda.
Na lista dos antídotos produzidos para a nova
classe média constam a entrega de mais moradias do Minha Casa, Minha Vida e a
ampliação da bolsa do Pronatec. Dados do Ministério da Educação indicam que 40%
das matrículas do Pronatec são de jovens oriundos de famílias com renda mensal
de até três salários mínimos.
Comentário:
Sinceramente, não acompanho de perto a
política nem sei dizer tudo o que o governo da presidente Dilma está fazendo,
mas não sei se apenas ficar falando sobre o que já foi feito será suficiente
para aumentar a popularidade dela.
Eu concordo que as pessoas que foram
beneficiadas com os programas do governo, como "Mais Médicos",
"Pronatec", "Prouni", "Brasil sem Miséria" e
"Minha Casa Minha Vida", certamente estão satisfeitas com o governo
Dilma. O problema é que uma boa parte da população, que não foi beneficiada com
esses programas, está insatisfeita e, para essas pessoas, não adiantará muito o
governo ficar "esfregando na cara" do país as tais "marcas"
sociais, ou seja, o que fez de bom para
a população. E boatos como o de que o programa "Mais Médicos" usa
trabalho escravo só pioram as coisas.
Em minha opinião, se muitas pessoas
estão insatisfeitas com o governo, então a melhor maneira de conquistar essas
pessoas é fazendo as mudanças que elas acham importantes, melhorando os
serviços públicos e acabando com a corrupção dentro do governo.
De qualquer forma, eu acredito que a
presidente Dilma é bem intencionada. Só falta a ela parar de falar sobre o que
já fez e começar a ouvir o que a população quer que ela faça e que ainda não
fez. Assim, quem sabe ela conseguirá agradar os descontentes com seu governo e
fazer com que os que já gostam dela fiquem ainda mais satisfeitos.

