Astrônomos descobrem primeiro planeta que pode suportar vida
Fonte:http://www.jornalciencia.com/universo/diversos/3843-astronomos-descobriram-o-primeiro-planeta-com-o-mesmo-tamanho-da-terra-com-grande-possibilidade-de-suportar-vida
Durante décadas, os astrônomos
têm procurado por um mundo como o nosso fora do sistema solar que poderia
abrigar vida extraterrestre.
E agora eles anunciaram que encontraram um que
possui 1,1 vezes o tamanho da Terra e orbita uma estrela que está a apenas 490
anos-luz de distância do nosso planeta.
Chamado de Kepler-186F, o planeta é o primeiro a
ser descoberto com as condições adequadas para a água líquida existir em sua
superfície, o que significa que ele poderia suportar a vida alienígena também.
A descoberta foi feita por uma equipe de astrônomos liderada por Elisa
Quintana, do Instituto SETI da NASA Ames Research Center, que estudou por meio
de dados planetários de Kepler, o telescópio espacial da Nasa.
Até o momento, o telescópio havia encontrado centenas
de planetas, mas a maioria eram mundos inabitáveis que eram muito grandes ou
orbitavam muito perto de sua estrela-mãe para serem habitáveis. A descoberta de
Kepler-186F, portanto, é um grande marco nesse campo de busca.
Zonas habitáveis são regiões em torno de uma
estrela onde a temperatura é apenas adequada para se formar água. A Terra, por
exemplo, fica quase no meio da zona habitável do Sol. Como nosso planeta é
conhecido por ter vida, é lógico que um planeta semelhante também pode ser
habitável. Isso poderia fazer com que Kepler-186F seja o primeiro mundo que
descobrimos que poderia abrigar vida como a conhecemos.
Para determinar a localização da zona habitável de
uma estrela, os cientistas têm que primeiro saber qual o total de radiação que
ela emite. E em seguida, então, estimar uma região que não pode ser muito
quente ou muito fria para que a água possa se formar.
O diagrama compara os planetas do nosso sistema
solar ao de Kepler-186, um sistema de cinco planetas com a distância aproximada
de 490 anos-luz da Terra, na constelação de Cygnus. Os cinco planetas do
Kepler-186 orbitam uma estrela classificada como um anã M1, medindo metade do
tamanho e da massa do Sol.
"Ao tomar o nosso planeta como um exemplo,
percebemos que a água é muito importante para a vida," disse o Dr.
Steve Howell, um dos principais autores do estudo que descobriu Kepler-186F e
um cientista da missão Kepler.
O observatório espacial Kepler, nomeado em
homenagem ao astrônomo alemão do século XVII, Johannes Kepler, foi lançado em 7
de março de 2009 para digitalizar uma parte da Via Láctea e procurar planetas
do tamanho da Terra que pudessem abrigar vida. Os dados do telescópio Kepler
mede, ao mesmo tempo e continuamente, o brilho de mais de 150.000 estrelas a
cada 30 minutos.
"Kepler-186F está na distância certa da estrela para poder ter água se formando”, afirma Thomas Barclay, um cientista da pesquisa da missão Kepler e outro autor no papel de anunciar a descoberta do planeta. Barclay estava envolvido na modelagem do planeta e em discernir o que seria a semelhança com a Terra. "Olhamos para o tipo de luz que vem da estrela, que é um pouco mais vermelho do que o nosso sol", explica ele. “Então tentamos cobrir o planeta à cor da luz certa, de modo que o planeta parece um pouco mais alaranjado. Nós tentamos descobrir qual o tipo de cor que o oceano teria, no caso, com menos luz, o azul seria um pouco mais opaco, e não uma cor brilhante como tem o nosso planeta”.
Fizeram uma imagem de Kepler-186F baseada no que os
astrônomos esperam que possa ter. A vida vegetal é amarelada devido à forma em
que se reflete a luz da estrela, mas a água e as nuvens provavelmente seriam um
pouco mais laranjas, de acordo com Thomas Barclay.
Tanto Barclay como Howell afirmam que este mundo é,
provavelmente, mais como um primo da Terra do que um irmão gêmeo. Tem
características semelhantes, mas orbita uma estrela diferente. Com os futuros
telescópios como o James Webb Space Telescope da NASA, que será lançado em
2018, poderemos ser capazes de observar as atmosferas de planetas como estas
mais perto de nós e descobrir se elas têm composições químicas semelhantes ao
nosso. Isso definitivamente nos dará respostas sobre a forma como outros mundos
habitáveis são.
"Nos próximos 20 anos, eu
diria que há uma chance de 80% de encontrarmos um planeta habitável definitivo
em nossa vizinhança”, explica o dr. Howell. "Se olharmos para todos
os planetas, não veremos cidades, litorais ou campos verdes, mas acho que nós
temos uma boa chance de ver o vapor de água e isso é o que nos faz acreditar em
vida além da Terra".
Comentário:
Não é de hoje que os seres humanos
procuram por vida em outros planetas. Pesquisadores afirmam que algumas
inscrições de a.C. já sugeriam a existência de seres vivendo no espaço. O
Instituto Seti, nos Estados Unidos, foi criado justamente para pesquisar vida
fora da Terra. Nem todo mundo pensa nisso o tempo todo, mas quando alguém toca
nesse assunto a maioria das pessoas acaba se envolvendo e manifestando sua
opinião. Não dá para negar: nós, terráqueos, somos aficionados pela busca de
vida extraterrestre. A quase certeza de que não podemos estar "sós"
num Universo tão grande faz parte da nossa cultura. As pessoas já esperam que,
mais cedo ou mais tarde, virá a notícia de que foi descoberto um planeta com
vida, além da Terra. Assim, a descoberta
desse planeta gera uma grande expectativa.
É claro que, hoje em dia, ninguém mais
espera seres verdes e com antenas, mas a busca dos "aliens" continua
presente tanto na cultura "pop" como no meio científico.
Então, pode-se dizer que os cientistas
deram muita sorte em encontrar um planeta considerado "habitável" a
uma distância de "apenas" algumas centenas de anos-luz, o que permite
uma observação mais fácil do que seria se o planeta estivesse a milhões de
anos-luz da Terra.
E mais: ainda que uma mensagem nossa
leve 490 anos para chegar lá e a resposta deles, caso "eles" existam
(e tenham tecnologia para nos responderem), leve outros 490 anos para chegar
até nós, é a primeira vez que temos uma possibilidade real de nos comunicarmos
com seres extraterrestres, o que antes só acontecia na ficção científica.
E mesmo que, para decepção geral, ficar
comprovado que não existe vida inteligente no planeta Kepler-186F, ele ainda
pode ser útil pois, como é possível que ele possua água e até vegetação, isso
estimulará o desenvolvimento de telescópios mais avançados e, quem sabe, de
naves capazes de cruzar o espaço e chegar até ele, levando sondas robóticas e
câmeras, ainda que isso leve milhares de anos. Afinal, a humanidade esperou
muitos milhares de anos para chegar na Lua e conhecer mais sobre o espaço
sideral. Assim, pode esperar mais alguns milhares de anos para conhecer de
perto um planeta com vida, fora da Terra, ainda que quando os instrumentos
finalmente transmitirem imagens e dados e estes cheguem na Terra, sejam
considerados uma tecnologia tão antiquada que cause nova decepção para os fãs
de ficção científica da época em que isso acontecer. Mas, para mim, a única
coisa que me entristece é que eu não estarei mais viva quando tudo isso
acontecer.






