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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Educação ( 2014 - 2º Bimestre)


Brasil e EUA promovem intercâmbio entre estudantes negros de escolas públicas

Com o conceito de ações afirmativas consolidado em diferentes níveis do ensino, projeto faz EUA se juntar ao Brasil para trocas de experiências sociais, culturais e políticas

Fonte: http://noticias.r7.com/educacao/noticias/brasil-e-eua-promovem-intercambio-entre-estudantes-negros-de-escolas-publicas-20140416.html



Quando aprendemos sobre a nossa identidade, nos encontramos no mundo, diz aluna americana participante do projeto



Jovens estudantes negros brasileiros e americanos têm a oportunidade de trocar experiências culturais, aprender sobre História, Artes e Língua Estrangeira. Eles foram selecionados para participar do projeto “Journey Through the African Diaspora” (Jornada pela Diáspora Africana), elaborado pelo Museu Afro Brasil em conjunto com o Prince George’s African American Museum & Cultural Center.

A iniciativa faz parte do programa “Museums Connect”, do governo americano. Há cerda de 20 anos o Departamento de Estado Americano oferece apoio financeiro a museus do país que desenvolvem parcerias internacionais. A ideia é promover intercâmbios culturais entre museus e comunidades de diferentes nações, possibilitando o empoderamento de jovens e a inclusão social.


A parceria com o Museu Afro Brasil é terceira realizada no país dentro “Museums Connect”. Foram escolhidos oito alunos da escola EMEFM Vereador Antonio Sampaio, em São Paulo, para participar da iniciativa. Nos Estados Unidos, oito estudantes da Suitland High School, em Maryland, foram escolhidos para participar do programa. A seleção dos alunos, bem como a indicação das escolas participantes, ficaram a cargo dos museus.

Desde junho de 2013, os estudantes dos dois países assistem a aulas de História, de Artes (nos respectivos museus) e de Língua Estrangeira (português e inglês). Como parte do projeto, os alunos americanos chegaram ao Brasil para a pintura de um mural no Museu Afro Brasil.

A temática retratada foi o tráfico de escravizados africanos para o Brasil e para os Estados Unidos e as heranças geradas por esse fluxo cultural forçado. Finalizando as atividades, em maio, será vez dos brasileiros irem aos EUA para a pintura de novo painel de mesma temática.

Para a construção do mural brasileiro, os alunos estudaram nas aulas de Artes do programa a obra da artista plástica americana Chanel Conpton . Segundo Claudinei Roberto da Silva, coordenador artístico do projeto pelo Museu Afro Brasil, a experiência artística dos alunos foi desenvolvida pensando no fluxo de escravizados negros no Brasil a partir do tráfico negreiro, considerado parte da chamada Diáspora Africana.

-- No Brasil, infelizmente as discussões sobre a participação do negro na sociedade ainda são muito incipientes. Projetos como esse favorecem a evolução do debate nacional sobre o assunto e deveriam estar contemplados por uma política de estado para além do esforço de uma instituição ou um grupo específico.

Maristela Correa , assessora cultural  do Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, acredita que a abordagem do tema faz parte de um interesse mútuo entre Brasil e EUA.

-- O passado escravocrata e a presença a existência de afrodescendentes nos EUA e no Brasil faz com que os dois países tenham histórias próximas. O Brasil tem uma população de 50% de negros, enquanto nos EUA essa representatividade corresponde a aproximadamente 20% da população. Nesse sentido, as conquistas dos negros nos Estados Unidos são de grande interesse para os brasileiros e para as organizações e secretarias do governo que lidam com as questões da inclusão das minorias étnicas.
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Naima Shaw, 16 anos, estuda na Suitland High School, em Maryland, nos Estados Unidos, e conta como foi participar do projeto:

-- Essa experiência mudou a minha.  Abriu muitas janelas de percepção e transformou  minhas impressões sobre mim mesma e sobre a minha cultura.

Alexandra Maria da Silva, 16, é um dos oito brasileiros envolvidos no projeto e se prepara par conhecer os Estados Unidos e, lá, conta aos estudantes americanos que aqui estiveram a sua perspectiva da experiência.

-- Eu nunca havia tido um contato mais direto com a história afro, sempre aprendi mais sobre os europeus e percebia uma abordagem de desvalorização dos negros em algumas aulas na escola. Agora tenho uma visão ampla sobre a cultura e a história dos negros no Brasil. Quando aprendemos sobre a nossa identidade, nos encontramos no mundo.


Comentário:

Realmente, se pensarmos que metade dos brasileiros é descendente de negros africanos, ainda não aprendemos na escola o suficiente sobre as culturas afrodescendentes.

Imagino que, da mesma maneira que, para mim, por exemplo, é interessante aprender sobre a colonização portuguesa no Brasil, já que sou neta de portugueses, acho que os que descendem de povos africanos gostariam de aprender mais sobre a história e a cultura dos negros que vieram para o Brasil, ainda que tenham vindo como escravos. O mesmo poderia ser feito com relação aos imigrantes alemães, italianos e outros que vieram para o Brasil e deixaram descendentes. Também os descendentes de índios com certeza gostariam de aprender mais sobre as populações indígenas que viviam no Brasil antes de os outros povos chegarem.

Esse intercâmbio entre Estados Unidos e Brasil, além de ser uma forma de estimular os estudantes a aprenderem mais sobre seus antepassados comuns, também é uma forma de dar uma oportunidade para os norte americanos aprenderem um pouco mais sobre o Brasil e para os brasileiros aprenderem um pouco mais sobre os Estados Unidos.

Esses oito estudantes são, assim, privilegiados. Afinal, além de todo o aprendizado, estão tendo a oportunidade de viajar e de participar de um grande projeto cultural e artístico que, com certeza, mudará a vida deles.