Polícia inglesa 'aconselha vítimas a investigar
crimes por conta própria'
De acordo com documento, autoridades
'desistiram' de investigar alguns casos; para policiais, situação está
relacionada a medidas de austeridade.
Fonte:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/09/policia-inglesa-aconselha-vitimas-investigar-crimes-por-conta-propria.html
De acordo com relatório, polícia da Inglaterra e Gales 'praticamente
desistiu' de investigar alguns crimes. (Foto: PA/BBC)
Um relatório
sobre a atuação das forças policiais na Inglaterra e no País de Gales concluiu
que as autoridades "praticamente desistiram" de investigar crimes
menores.
Vítimas
de crimes como roubos a imóveis comerciais e de veículos, por exemplo, estão
sendo "encorajadas" a fazer investigações por conta própria. Estes
casos raramente são priorizados, afirma um relatório do órgão do governo
britânico responsável pela fiscalização do trabalho da polícia.
Segundo o
documento, ao ligar para a polícia, as vítimas costumam ser questionadas sobre
a suas expectativas em relação à resolução do caso.
Quando
elas não sabem como responder a essa pergunta, são aconselhadas pela polícia a
"conversar com vizinhos, checar imagens de câmeras de segurança" e
até mesmo "fazer pesquisas em sites de vendas de segunda mão para ver se o
objeto roubado está sendo revendido".
Roger
Baker, um dos responsáveis pelo relatório, disse que existe uma
"mentalidade" dentro da polícia inglesa de "praticamente
desistir de investigar alguns crimes".
"Há
uma mentalidade que faz com que nós não lidemos mais com essas coisas. O que
efetivamente está acontecendo é que algumas ofensas estão quase sendo
descriminalizadas", disse Baker.
"Não
é culpa de um ou outro indivíduo, mas de uma mentalidade na polícia."
O
relatório foi elaborado pelo HMIC, o inspetor da polícia da Coroa. O
levantamento conclui que civis que trabalham em funções auxiliares na polícia
estão cada vez mais atuando como "detetives" e que as respostas das
autoridades a crimes semelhantes varia dependendo do bairro onde a vítima more.
Austeridade
Defendendo as forças policiais, Hugh Orde, presidente da associação britânica de chefes de polícia, afirmou que a atual situação está relacionada a medidas de contenção de gastos.
"A
realidade da austeridade no policiamento significa que as forças devem
assegurar que os oficiais usem seu tempo da melhor maneira, e isto significa a
priorização de alguns casos", disse.
Ele nega,
entretanto, que a polícia tenha "abdicado" de sua responsabilidade de
cuidar dos cidadãos.
O
relatório do HMIC aponta dificuldades da polícia de identificar pessoas
vulneráveis e vítimas de repetidos crimes.
Além
disso, muitas vezes a utilização de métodos inadequados de investigação faz com
que a polícia acabe perdendo o rastro de suspeitos.
Para o
órgão, a ideia de que as vítimas devam investigar seus próprios crimes "é
surpreendente e preocupante".
"O
público deu à polícia o poder e os recursos para investigar os crimes. As
forças policiais não podem esperar que seja aceitável uma inversão de
responsabilidades", diz o documento.
Ao final,
o estudo faz 40 recomendações para que as forças policiais da Inglaterra e
Gales melhorem sua atuação.
COMENTÁRIOS:
Sinceramente,
não sei quem age de maneira mais absurda: a pessoa que toma o que não é
seu ou a pessoa que recebe um salário para resolver o crime e não faz nada.
Essa
mentalidade da polícia inglesa de não investigar crimes menores é
absurda! Além de colocar a população em
risco, estimula os bandidos a praticarem mais pequenos furtos e outros crimes considerados menores.
Quem
diz o que é importante ou não para investigar? O que se leva em
consideração, o crime ou a pessoa que é a vítima? Será que a população mais pobre não está
sendo a mais prejudicada por não ter condições de procurar ajuda de um detetive
particular?
Se o
problema é a falta de policiais, a solução não é ignorar o crime. Se é
necessário fazer contenção de gastos, há várias outras medidas que os políticos
podem adotar sem prejudicar a população.

