Ano novo chinês é
festejado sob signo da cabra ou da ovelha?
Fonte: http://www.ebc.com.br/cultura/2015/02/ano-novo-chines-e-festejado-sob-signo-da-cabra-ou-da-ovelha
Mais de um bilhão de pessoas celebram nesta quinta-feira (19/ 02) a chegada do ano novo lunar. O início do ano 4713 do calendário chinês é lembrando em diversos países asiáticos. A data é o mais importante evento para a China. Os festejos se estendem por 15 dias e provocam um dos maiores deslocamentos humanos do mundo. Mas há polêmica sobre o signo do zodíaco chinês que rege o ano que está começando: cabra, carneiro ou ovelha?
Mais de um bilhão de pessoas celebram nesta quinta-feira (19/ 02) a chegada do ano novo lunar. O início do ano 4713 do calendário chinês é lembrando em diversos países asiáticos. A data é o mais importante evento para a China. Os festejos se estendem por 15 dias e provocam um dos maiores deslocamentos humanos do mundo. Mas há polêmica sobre o signo do zodíaco chinês que rege o ano que está começando: cabra, carneiro ou ovelha?
O animal que rege o ano novo, em acordo com zodíaco chinês, é um tema
que tem ocupado a mídia chinesa e até agora não há consenso. Nas ruas, enfeites
ilustram tanto a cabra, como o carneiro e a ovelha.
A especialista em astrologia chinesa Jupiter Lai, entrevistada pela RFI,
em Hong Kong, explica que em mandarim o ideograma “Yang” pode ser traduzido por
cabra, carneiro ou ovelha e nenhum está errado.
Apesar da maior parte dos linguistas defenderem a cabra, ela prefere
usar o termo ovelha, pois acredita que o animal é o que melhor define as
características desse signo no zodíaco chinês, que é composto ao todo por doze
animais. Ela afirma que também não há diferença em relação ao sexo do bicho e
pouco importa se é macho ou fêmea. A ovelha é associada à paz, ternura,
criatividade e a tudo que é belo e dócil.
Mas como a madeira é o elemento que acompanha o signo, a astróloga
alerta que esse fator pode abalar a passividade e gerar conflitos e choques na
sociedade. O animal não parece agradar aos pais e mães chineses, que preferem
que seus filhos nasçam sob um signo que inspire força e liderança.
Médicos aqui do território chinês falam em um aumento de 20% no número
de cesárias na semana que antecedeu a mudança de ano, para evitar o novo signo.
v
Festejos
As celebrações do ano novo lunar acontecem não só na China, mas também
em vários países do Sudeste Asiático, como: Macau, Taiwan, Myanmar, Vietnam,
Malásia, Brunei, Singapura, Indonésia e Filipinas. Além disso, a data é
festejada em outras nações com importantes comunidades chinesas.
Na noite desta quinta-feira (19/02), acontece em Hong Kong a “Night
Parede”, desfile tradicional, que atrai milhares de pessoas. Nesses primeiros
dias, é comum ver danças do dragão e do leão em escritórios e comércios, para
garantir sorte no novo ano. É também nesse momento, que cresce a frequentação
dos templos budistas e taoistas. No feriado, os chineses vão ainda visitar
parentes e distribuir os “Lai-si” envelopes vermelhos com dinheiro, que é dado
principalmente aos jovens solteiros.
Na sexta-feira (20/02) em Hong Kong, será a vez dos fogos de artifícios
no porto Vitória. Na noite de 31 de dezembro foram cerca de 15 minutos de show
pirotécnico, mas para o ano novo chinês o céu será iluminado por meia hora.
As tradições que envolvem essa data são muitas e as superstições e
simbolismos são incontáveis. As cidades ganham vida com flores por toda parte,
entradas e janelas de prédios, casas e escritórios são enfeitadas com os “Tao
Fu”, papéis vermelhos e dourados com dizeres de boa sorte, fortuna e
prosperidade. Já na noite da virada do ano lunar, os chineses fazem um grande
jantar com a família.
v
Impactos no dia-a-dia
Em 2015, China e Brasil tem uma coisa em comum, o ano de verdade só
começa depois da quarta-feira de cinzas. Assim como o carnaval, o início do ano
lunar muda todos os anos e após cálculos complexos cai sempre entre 21 de
janeiro e 20 de fevereiro. Os festejos duram quinze dias.
Na China continental, é feriado até o dia 24 de fevereiro. Essa é a
principal pausa do ano para milhões de pessoas, que saem principalmente de
Pequim, Xangai e Shenzhen, cidades com maior número de trabalhadores migrantes,
tendo o interior do país como destino. O começo do novo ano também é conhecido
como “Festival da Primavera” e é comemorado em família.
A capital chinesa amanheceu ontem (18/02) quase irreconhecível, com
espaço sobrando no metrô, vias sem engarrafamento e até céu azul. Durante um
período de 40 dias, que se encerra em 15 de março, os transportes ficam
sobrecarregados com o fenômeno de “volta para casa”, conhecido como “Chunyun”
em chinês. Ele representa a maior migração humana anual do mundo. São esperados
3,7 bilhões de viagens nesse período.
COMENTÁRIO:
A comemoração do novo ano
lunar impressiona não só por sua grandiosidade e beleza, mas também pela
quantidade de pessoas que abrange e por estar presente em diversos países.
Eu imagino que isso se deva
em grande parte à imigração de chineses para outros lugares do mundo, que mesmo
em outras localidades, levaram consigo sua cultura e continuaram realizando
seus rituais.
E se há algo que sempre me
intrigou foi como tradições milenares como essa conseguiram sobreviver tanto
tempo.
Desde a primeira vez que foi
realizado, há aproximadamente 2000 atrás (de acordo com pesquisadores), a
comemoração do ano novo chinês mantém as mesmas características marcantes: a
predominância da cor vermelha, as mesmas simbologias e os mesmos rituais para
trazer fortuna e afugentar maus espíritos (antigamente, eles preenchiam caules de bambu com pólvora para criar pequenas explosões
e afastar essas almas malignas; a prática é a mesma até hoje, só que
com o uso dos panchões, que são cartuchos de pólvora envoltos por papel
vermelho).
Outro aspecto desta celebração
é que muitas pessoas de diversas culturas se interessam pelos rituais e
misticismos chineses. Por isso é comum ver turistas de vários países
acompanhando os desfiles, e assim a notícia sobre o animal do zodíaco chinês
que vai simbolizar o novo ano acaba sempre com uma
repercussão mundial.
Algo que logo me chamou a
atenção é que, tirando todo o aspecto religioso, assim como a nossa comemoração
da virada do ano, a chegada do novo ano lunar traz também outro benefício: a
união.
Famílias que moram em
diferentes regiões da China viajam para se encontrarem e passarem juntos essa
data especial. Então, entram novamente as tradições como a troca de dizeres de
boa sorte, o presenteio de dinheiro para os mais jovens, os jogos e
brincadeiras que, apesar de virem de superstições, acabam cumprindo bem o papel
de aproximar as pessoas. E talvez, independente das premonições e misticismos,
seja isso o que mais importa.


