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sexta-feira, 13 de março de 2015

2015 - ÉTICA E CIDADANIA (1° BIMESTRE)


Metrô de Madri investiga conduta preconceituosa de vigilantes

Fonte:http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/metro-de-madri-investiga-conduta-preconcetuosa-de-vigilantes
 Manifestação: ativistas de grupo LGBT participam de 'beijaço' na Porta do Sol, em Madri.


Madri - A direção do metrô de Madri abriu uma investigação após a descoberta de um documento interno convidando os guardas a vigiar particularmente indivíduos homossexuais, mendigos e músicos, informou nesta quinta-feira a companhia pública.

"Uma investigação interna foi aberta pela administração logo que tomou conhecimento do documento", disse à AFP um porta-voz do metrô de Madri.

"É deplorável e vamos tomar uma série de medidas para identificar os responsáveis", acrescentou, observando que o diretor-geral do metrô se reunirá na segunda-feira com grupos de defesa dos direitos homossexuais para "pedir desculpas pessoalmente".

"Uma pessoa foi identificada. Um procedimento disciplinar será iniciado contra ela". "Este não é um documento oficial. Trata-se de uma carta de um empregado enviada para a empresa de segurança", assegurou.

"Queremos saber quem são os superiores que não viram (este documento) ou que concordaram" com a sua disseminação, acrescentou.

Mas, para o sindicato UGT, trata-se de "um documento oficial" entre as normativas fornecidas para o pessoal de segurança.

"Estes são documentos internos enviados para grupos de segurança para determinar suas ações, e determina que os agentes devem pedir para que músicos, mendigos e homossexuais apresentem suas passagens", assegurou Teodoro Piñuela, porta-voz da UGT-Madri para os transportes.

"Os agentes se opõem fortemente a esta instrução, porque têm de controlar todas as pessoas. E por que não freiras e padres?".

O coletivo de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais de Madri (COGAM) expressou "surpresa e indignação" em relação a estas instruções, consideradas prejudiciais "para a igualdade reconhecida na Constituição e que convida os controladores do metrô de Madri a adotar um comportamento homofóbico".

 
 
 

COMENTÁRIO:




Depois de todo o trabalho de conscientização que tem sido feito nos últimos anos, todos já deveriam saber o absurdo que é ainda existir esse tipo de preconceito.
Infelizmente, essa e várias outras reportagens são a prova de que muitos ainda estão agarrados demais a convicções irracionais e equivocadas, que os impedem de abrirem suas mentes.
Cada um é livre para fazer a sua escolha sexual. E mesmo que alguém pense o contrário, este deve guardar sua opinião para si e respeitar os outros, principalmente quando o seu trabalho envolve interagir com diferentes pessoas diariamente.
Decretar uma ordem dessas contraria não só a ética, mas também o bom senso. Afinal, independentemente do funcionário que redigiu esse documento ser a favor ou contra a homossexualidade, ele deveria saber que uma parte dos frequentadores do metrô tem relações homoafetivas.
Uma vez que os guardas começassem a intimidar essas pessoas, elas provavelmente iriam passar a usar outros meios de transporte, e o metrô de Madri perderia passageiros.
Isso sem falar nos músicos ambulantes que passam o dia indo de um lugar ao outro de metrô, que de acordo com o autor do documento, também deveriam ser intimidados.
Como Teodoro Piñuela deu a entender corretamente, o trabalho da segurança é vigiar todos, não importa se é um transexual ou um padre.
Agora, a única coisa que posso esperar é que o autor desse documento abominável seja responsabilizado por esse ato racista e não só “peça desculpas” publicamente, mas também seja demitido.
Assim, esse caso pode servir de exemplo do que acontece quando se realiza uma ação, que por mais inofensiva que pareça, é baseada em estereótipos sociais preconceituosos.