Metrô
de Madri investiga conduta preconceituosa de vigilantes
Fonte:http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/metro-de-madri-investiga-conduta-preconcetuosa-de-vigilantes
Manifestação: ativistas de grupo
LGBT participam de 'beijaço' na Porta do Sol, em Madri.
Madri
- A direção do metrô de Madri abriu uma investigação após a
descoberta de um documento interno convidando os guardas a vigiar
particularmente indivíduos homossexuais, mendigos e músicos, informou nesta
quinta-feira a companhia pública.
"Uma
investigação interna foi aberta pela administração logo que tomou conhecimento
do documento", disse à AFP um porta-voz do metrô de Madri.
"É
deplorável e vamos tomar uma série de medidas para identificar os
responsáveis", acrescentou, observando que o diretor-geral do metrô se
reunirá na segunda-feira com grupos de defesa dos direitos homossexuais para
"pedir desculpas pessoalmente".
"Uma
pessoa foi identificada. Um procedimento disciplinar será iniciado contra
ela". "Este não é um documento oficial. Trata-se de uma carta de um
empregado enviada para a empresa de segurança", assegurou.
"Queremos
saber quem são os superiores que não viram (este documento) ou que
concordaram" com a sua disseminação, acrescentou.
Mas,
para o sindicato UGT, trata-se de "um documento oficial" entre as
normativas fornecidas para o pessoal de segurança.
"Estes
são documentos internos enviados para grupos de segurança para determinar suas
ações, e determina que os agentes devem pedir para que músicos, mendigos e
homossexuais apresentem suas passagens", assegurou Teodoro Piñuela,
porta-voz da UGT-Madri para os transportes.
"Os
agentes se opõem fortemente a esta instrução, porque têm de controlar todas as
pessoas. E por que não freiras e padres?".
O
coletivo de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais de Madri (COGAM) expressou
"surpresa e indignação" em relação a estas instruções, consideradas
prejudiciais "para a igualdade reconhecida na Constituição e que convida
os controladores do metrô de Madri a adotar um comportamento homofóbico".
COMENTÁRIO:
Depois de todo o trabalho de
conscientização que tem sido feito nos últimos anos, todos já deveriam saber o
absurdo que é ainda existir esse tipo de preconceito.
Infelizmente, essa e várias
outras reportagens são a prova de que muitos ainda estão agarrados demais a
convicções irracionais e equivocadas, que os impedem de abrirem suas mentes.
Cada um é livre para fazer a
sua escolha sexual. E mesmo que alguém pense o contrário, este deve guardar sua
opinião para si e respeitar os outros, principalmente quando o seu trabalho
envolve interagir com diferentes pessoas diariamente.
Decretar uma ordem dessas
contraria não só a ética, mas também o bom senso. Afinal, independentemente do
funcionário que redigiu esse documento ser a favor ou contra a homossexualidade,
ele deveria saber que uma parte dos frequentadores do metrô tem relações
homoafetivas.
Uma vez que os guardas
começassem a intimidar essas pessoas, elas provavelmente iriam passar a usar
outros meios de transporte, e o metrô de Madri perderia passageiros.
Isso sem falar nos músicos
ambulantes que passam o dia indo de um lugar ao outro de metrô, que de acordo
com o autor do documento, também deveriam ser intimidados.
Como Teodoro Piñuela deu a
entender corretamente, o trabalho da segurança é vigiar todos, não importa se é
um transexual ou um padre.
Agora, a única coisa que
posso esperar é que o autor desse documento abominável seja responsabilizado
por esse ato racista e não só “peça desculpas” publicamente,
mas também seja demitido.
Assim, esse caso pode servir
de exemplo do que acontece quando se realiza uma ação, que por mais inofensiva
que pareça, é baseada em estereótipos sociais preconceituosos.

