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sexta-feira, 13 de março de 2015

2015 - CIÊNCIAS (1° BIMESTRE)


Professora de RO integra nova fase de projeto para viagem só de ida a Marte

Ela é a única brasileira que disputa vaga para colonizar o Planeta Vermelho.
Se aprovada na próxima etapa, Sandra deve seguir na missão em 2025.

Fonte:http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2015/02/professora-de-rondonia-integra-nova-fase-para-viagem-so-de-ida-marte.html
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Professora rondoniense integra segunda fase de processo para colonização de Marte


Entre 200 mil candidatos do projeto Mars One, a professora de Porto Velho Sandra Maria Feliciano, de 51 anos, passou para a segunda fase da disputa e é a única brasileira a concorrer à vaga para astronauta que deve colonizar Marte. A rondoniense integra o processo que deve estabelecer vida humana permanente no "Planeta Vermelho" em 2025.

A única brasileira que continua na disputa pela vaga na missão integra o grupo com 50 homens e 50 mulheres, de candidatos de todo o mundo, que passarão por mais três etapas até a seleção semifinal, onde 40 pessoas serão treinadas durante oito anos e, destas, 10 casais serão formados e enviados a Marte. Após a primeira fase com entrevistas online, a professora ficou entre 705 candidatos e na segunda fase, está entre os 100 escolhidos que devem prosseguir na disputa.

O G1 entrou em contato com a professora, que informou estar em viagem de férias na Bahia e deve retornar a Porto Velho, no dia 19 de fevereiro. Em entrevista em outubro de 2014, Sandra comparou o projeto de colonização de Marte aos navegadores históricos que atravessaram o oceano em pequenas caravelas, esperando pela morte ou pela glória e riqueza.

A professora lançou um desafio para a própria carreira e pretende continuar com a profissão no Planeta Vermelho.  "Ir para Marte não é só um desafio, é uma necessidade. Alguém tem que começar. Eu gostaria de ser uma dessas pessoas, ciente das dificuldades que podem ser enfrentadas. Afinal é uma viagem sem volta", disse Sandra.

A brasileira natural de Porto Velho não é casada e não tem filhos. Ela contou ser um dos requisitos para participar do projeto desenvolvido pela Mars One, uma fundação internacional sem fins lucrativos, além de não possuir problemas de saúde, como alergias, dificuldades na visão ou audição ou cardíacos. Confiante, a professora resolveu se preparar para a nova vida e iniciou aulas de inglês. Após ser aprovada na primeira fase, Sandra começou a fazer ginástica e mudou a alimentação.

A candidata, também formada em direito, leciona há 34 anos e diz que a ousadia da missão se assemelha ao magistério, que consegue transformar vidas. A professora já lecionou da alfabetização ao ensino superior e também para deficientes auditivos e visuais. Atualmente, trabalha na Escola Estadual Major Guapindaia, na capital de Rondônia, e em uma faculdade privada, nas áreas de administração e direito. Sandra também é escritora, advogada e aquariofilista.

§Família

A professora tem o apoio do pai, mas ouve da mãe que ela não irá para Marte. "Meu pai acha sensacional, meus irmãos mantêm um silencio respeitoso e eu sou a única pessoa do mundo que ouve da mãe no café da manhã: 'você não vai para Marte entendeu? ', dito naquele tom em que os pais proíbem os filhos de sair a noite para a balada", brincou. A candidata explicou que se for a Marte, poderá conversar com a família através de um link de comunicação, com um delay de 17 minutos, para contar as novidades.
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Ilustrações mostram futuras residências da Mars One no Planeta Vermelho

§O projeto
De acordo com os organizadores do Mars One, o custo do projeto é orçado em US$ 6 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões). A viagem tem previsão pata ter início em 2016, quando um satélite e rovers (sondas de Marte) devem ser levados para explorar o local onde será instalada a colônia.
Entre 2018 e 2020 serão enviados módulos contendo alimentação, água, oxigênio, painéis fotovoltáicos e outros equipamentos, que serão enterrados para impedir a incidência de radiação. Os rovers irão montar parte das estruturas. Segundo Sandra, em 2022 serão levados os casulos, habitats com aproximadamente 52 m² para convivência de cada casal, com quarto, sala, banheiro, área hidropônica e higiene, que já estão sendo testados na Terra.
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Futuros módulos, casulos e habitats em Marte

§Pesquisa
Cinco estudantes de aeronáutica do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) após analisarem dados da missão, que a empresa holandesa Mars One pretende transformar em um "reality show", alertam, através de um estudo científico divulgado em outubro de 2014, que os pioneiros começarão a morrer no 68º dia de missão.
Segundo o informe de 35 páginas, que analisa com gráficos e fórmulas matemáticas recursos como oxigênio, nutrientes e tecnologias disponíveis para o projeto, a morte do primeiro pioneiro "ocorrerá aproximadamente aos 68 dias de missão, por asfixia". As plantas, que teoricamente devem alimentar os colonos, produzirão oxigênio demais e a tecnologia para equilibrar a atmosfera "ainda não foi desenvolvida", afirmam os autores do estudo.



 

COMENTÁRIO:

Marte sempre intrigou a humanidade, tanto pela anormalidade do solo e da atmosfera do planeta quanto pelas famosas histórias de homenzinhos verdes com antenas que habitariam o lugar.

Felizmente, qualquer teoria sobre criaturas espaciais já foi desacreditada, visto que o planeta já foi explorado por máquinas e não foi encontrado nenhum vestígio de vida extraterrestre.

Mesmo com o projeto em desenvolvimento, é difícil acreditar que cerca de quarenta e seis anos depois do primeiro homem pousar na lua, nós já somos capazes de manter uma civilização fora da Terra, coisa que antes só existia na ficção científica.

Apesar de apoiar e estar impressionada com a grandiosidade e engenhosidade do Mars One, existem alguns aspectos que me deixam receosa, como a formação obrigatória de casais que, de certa forma, significa que os candidatos estão abrindo mão de sua liberdade de escolher com quem vão passar o resto da vida.

Também posso dizer que não aprecio o fato de um experimento como esse ser transformado em um "reality show".

Além do mais, algo me chamou atenção: Sandra diz que é candidata para o projeto por não ter nenhum problema de saúde ou complicações na visão e audição. Mas, se pararmos para pensar, agora ela tem 51 anos e a missão só será em 2025, daqui a dez anos.

Eu me pergunto: será mesmo que quando ela estiver com 61 anos, sua saúde vai ser a mesma de agora?

Além do mais, ela está aprendendo inglês agora, enquanto já há outras pessoas que passaram a vida toda falando a língua e, portanto, estão mais aptas para ensiná-la.

Levando apenas esses dois fatos em conta, já é provável que a alegria dos brasileiros dure pouco.

Obviamente, o aviso dos estudantes americanos também me fez pensar que talvez esse projeto não seja uma boa ideia, mas deve-se considerar que, até o ano previsto, nossa tecnologia promete avançar muito, talvez dando uma solução a esse problema.

De qualquer modo, sempre haverá riscos. O que Sandra falou é certo: para algo acontecer, realmente é necessário que alguém se arrisque a tentá-lo primeiro. Eu só não me voluntariaria para ser essa pessoa.