Professora de RO integra nova fase de projeto para
viagem só de ida a Marte
Ela é a única brasileira que disputa vaga para
colonizar o Planeta Vermelho.
Se aprovada na próxima etapa, Sandra deve seguir na missão em 2025.
Se aprovada na próxima etapa, Sandra deve seguir na missão em 2025.
Fonte:http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2015/02/professora-de-rondonia-integra-nova-fase-para-viagem-so-de-ida-marte.html

Professora rondoniense
integra segunda fase de processo para colonização de Marte
Entre 200 mil candidatos do projeto Mars One, a professora de Porto
Velho Sandra Maria Feliciano, de 51 anos, passou para a segunda fase da disputa
e é a única brasileira a concorrer à vaga para astronauta que deve colonizar
Marte. A rondoniense integra o processo que deve estabelecer vida humana permanente
no "Planeta Vermelho" em 2025.
A única brasileira que continua na disputa pela vaga na missão integra o
grupo com 50 homens e 50 mulheres, de candidatos de todo o mundo, que passarão
por mais três etapas até a seleção semifinal, onde 40 pessoas serão treinadas
durante oito anos e, destas, 10 casais serão formados e enviados a Marte. Após
a primeira fase com entrevistas online, a professora ficou entre 705 candidatos
e na segunda fase, está entre os 100 escolhidos que devem prosseguir na
disputa.
O G1 entrou em contato com a professora, que informou estar em
viagem de férias na Bahia e deve retornar a Porto Velho, no dia 19 de fevereiro.
Em entrevista em outubro de 2014, Sandra comparou o projeto de
colonização de Marte aos navegadores históricos que atravessaram o oceano em
pequenas caravelas, esperando pela morte ou pela glória e riqueza.
A professora lançou um desafio para a própria carreira e pretende
continuar com a profissão no Planeta Vermelho. "Ir para Marte não é
só um desafio, é uma necessidade. Alguém tem que começar. Eu gostaria de ser
uma dessas pessoas, ciente das dificuldades que podem ser enfrentadas. Afinal é
uma viagem sem volta", disse Sandra.
A brasileira natural de Porto Velho não é casada e não tem filhos. Ela
contou ser um dos requisitos para participar do projeto desenvolvido pela Mars
One, uma fundação internacional sem fins lucrativos, além de não possuir
problemas de saúde, como alergias, dificuldades na visão ou audição ou
cardíacos. Confiante, a professora resolveu se preparar para a nova vida e
iniciou aulas de inglês. Após ser aprovada na primeira fase, Sandra começou a
fazer ginástica e mudou a alimentação.
A candidata, também formada em direito, leciona há 34 anos e diz que a
ousadia da missão se assemelha ao magistério, que consegue transformar vidas. A
professora já lecionou da alfabetização ao ensino superior e também para
deficientes auditivos e visuais. Atualmente, trabalha na Escola Estadual Major
Guapindaia, na capital de Rondônia, e em
uma faculdade privada, nas áreas de administração e direito. Sandra também é
escritora, advogada e aquariofilista.
§Família
A professora tem o apoio do pai, mas ouve da mãe que ela não irá para
Marte. "Meu pai acha sensacional, meus irmãos mantêm um silencio
respeitoso e eu sou a única pessoa do mundo que ouve da mãe no café da manhã:
'você não vai para Marte entendeu? ', dito naquele tom em que os pais proíbem
os filhos de sair a noite para a balada", brincou. A candidata explicou
que se for a Marte, poderá conversar com a família através de um link de
comunicação, com um delay de 17 minutos, para contar as novidades.
Ilustrações mostram futuras residências da Mars One no Planeta Vermelho
De acordo com os organizadores do Mars One, o custo do projeto é orçado
em US$ 6 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões). A viagem tem previsão pata ter
início em 2016, quando um satélite e rovers (sondas de Marte) devem ser levados
para explorar o local onde será instalada a colônia.
Entre 2018 e 2020 serão enviados módulos contendo alimentação, água,
oxigênio, painéis fotovoltáicos e outros equipamentos, que serão enterrados
para impedir a incidência de radiação. Os rovers irão montar parte das
estruturas. Segundo Sandra, em 2022 serão levados os casulos, habitats com
aproximadamente 52 m² para convivência de cada casal, com quarto, sala,
banheiro, área hidropônica e higiene, que já estão sendo testados na Terra.

Futuros módulos, casulos e habitats em Marte
§Pesquisa
Cinco estudantes de aeronáutica do Instituto Tecnológico de
Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) após analisarem dados da missão, que a
empresa holandesa Mars One pretende transformar em um "reality show",
alertam, através de um estudo científico divulgado em outubro de 2014, que os
pioneiros começarão a morrer no 68º dia de missão.
Segundo o informe de 35 páginas, que analisa com gráficos e fórmulas
matemáticas recursos como oxigênio, nutrientes e tecnologias disponíveis para o
projeto, a morte do primeiro pioneiro "ocorrerá aproximadamente aos 68
dias de missão, por asfixia". As plantas, que teoricamente devem alimentar
os colonos, produzirão oxigênio demais e a tecnologia para equilibrar a
atmosfera "ainda não foi desenvolvida", afirmam os autores do estudo.
COMENTÁRIO:
Marte sempre intrigou a
humanidade, tanto pela anormalidade do solo e da atmosfera do planeta quanto
pelas famosas histórias de homenzinhos verdes com antenas que habitariam o
lugar.
Felizmente, qualquer teoria
sobre criaturas espaciais já foi desacreditada, visto que o planeta já foi
explorado por máquinas e não foi encontrado nenhum vestígio de vida
extraterrestre.
Mesmo com o projeto em
desenvolvimento, é difícil acreditar que cerca de quarenta e seis anos depois
do primeiro homem pousar na lua, nós já somos capazes de manter uma civilização
fora da Terra, coisa que antes só existia na ficção científica.
Apesar de apoiar e estar
impressionada com a grandiosidade e engenhosidade do Mars One, existem alguns
aspectos que me deixam receosa, como a formação obrigatória de casais que, de
certa forma, significa que os candidatos estão abrindo mão de sua liberdade de
escolher com quem vão passar o resto da vida.
Também posso dizer que não
aprecio o fato de um experimento como esse ser transformado em um "reality
show".
Além do mais, algo me chamou
atenção: Sandra diz que é candidata para o projeto por não ter
nenhum problema de saúde ou complicações na visão e audição. Mas, se pararmos
para pensar, agora ela tem 51 anos e a missão só será em 2025, daqui a dez
anos.
Eu me pergunto: será mesmo que quando ela estiver
com 61 anos, sua saúde vai ser a mesma de agora?
Além do
mais, ela está aprendendo inglês agora, enquanto já há outras pessoas que
passaram a vida toda falando a língua e, portanto, estão mais aptas para
ensiná-la.
Obviamente, o aviso dos estudantes americanos
também me fez pensar que talvez esse projeto não seja uma boa ideia, mas
deve-se considerar que, até o ano previsto, nossa tecnologia promete avançar
muito, talvez dando uma solução a esse problema.
De qualquer modo, sempre haverá riscos. O que
Sandra falou é certo: para algo acontecer, realmente é necessário que alguém se
arrisque a tentá-lo primeiro. Eu só não me voluntariaria para ser essa pessoa.
