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sexta-feira, 13 de março de 2015

2015 - SAÚDE E BEM ESTAR (1° BIMESTRE)


Polêmica: Porto Rico propõe multa para pais de filhos obesos
Fonte:http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=219641
 
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A obesidade é uma das maiores dificuldades enfrentadas pela nova geração. Para solucioná-la, um senador de Porto Rico apresentou um projeto de lei um tanto quanto polêmico: multar os pais que não conseguirem fazer seus filhos perderem peso. A iniciativa tem sido amplamente criticada no país, que possui a maior taxa de obesidade entre crianças menores de quatro anos de idade de todos os estados e territórios americanos: 17.9%.

 
O plano do senador Gilberto Rodrigrez Valle estabelece que o Departamento de Educação seja o responsável por identificar os casos de maior risco e orientar os pais. Assim, os professores avaliariam estudantes que consideram obesos, encaminhando-os a um orientador psicológico ou assistente social. Em seguida, funcionários das secretarias de saúde visitariam os pais para determinar se a obesidade da criança tem origem em um problema de saúde ou no hábito de comer demasiado.
 
Caso o problema venha de um hábito, os pais teriam que estabelecer um programa de dieta e exercícios para a criança, que passaria a ser acompanhada durante um período de mais de seis meses. Não havendo melhora, uma multa de U$ 500 seria aplicada. Passando da marca de um ano sem perda de peso, o valor aumentaria para U$ 800.

· Obesidade no mundo

Mais de 600 milhões de pessoas, ou 13% da população adulta do mundo, são obesas. A taxa mais que dobrou entre 1980 e 2014, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). O custo estimado disso para a economia global é de US$ 2 trilhões (R$ 5,6 trilhões).

 

COMENTÁRIO:
 
Hoje em dia, em uma sociedade com uma crescente quantidade de adultos e crianças obesas, realmente é necessária a tomada de medidas para reduzir esses números.
Porém, a lei proposta pelo senador Gilberto Rogrigrez é uma medida extrema demais até para um problema como esse.
É preciso lembrar que uma parte das crianças obesas pode vir de famílias humildes, e uma vez que essa lei entre em vigor, pais que já arcavam com dificuldades financeiras vão ter que lidar com multas que talvez não possam pagar e bancar uma alimentação saudável que é geralmente mais cara do que o “fast–food” que seus filhos costumavam comer.    
Além disso, quando a lei afirma que a criança passará por um exame para identificar se o sobrepeso “...tem origem em um problema de saúde ou no hábito de comer demasiado...”, é necessário que também sejam levados em conta problemas psicológicos, como depressão, que podem causar obesidade tanto quanto enfermidades “comuns”.
Outra questão preocupante é que uma vez que seja iniciado o período para a criança perder peso, os pais comecem a culpá-la pelo problema, levando o filho a comer ainda mais (como uma forma de aliviar o estresse) ou fazendo este sentir uma necessidade tão grande de satisfazer a família, que acabe perdendo cada vez mais peso e desenvolvendo um distúrbio alimentar como anorexia ou bulimia.
O ponto é que uma lei radical como essa pode trazer mais problemas do que ajuda a essas pessoas.
Entretanto, isso não significa que não existam outras maneiras de combater a obesidade. 
No Brasil já existe certa conscientização em relação aos malefícios do consumo exagerado de alimentos extremamente calóricos, mas estes continuam sendo vendidos em grande quantidade.
Sendo assim, o governo poderia criar um controle sobre a propaganda de alimentos não saudáveis nos meios de comunicação, (principalmente a televisão, na frente da qual as crianças passam grande parte do seu tempo), para propor quem sabe uma lei proibindo anúncios de comidas comprovadamente não saudáveis nos horários em que a maioria de telespectadores é constituída por um público em sua maioria infantil ou juvenil.  
Também deveriam existir mais regulamentos para o funcionamento das cantinas dos colégios, tanto públicos quanto privados, obrigando-os a substituir alimentos calóricos por opções mais saudáveis, como salgados de forno sem fritura, sanduíches naturais, biscoitos integrais e barrinhas de cereal.
Em suma, em vez de aplicar leis punitivas muito severas, o melhor é ir aos poucos reeducando a alimentação das crianças, de modo que elas transmitam isso aos seus filhos sem a necessidade de intervenções tão drásticas como a dessa reportagem.