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sexta-feira, 13 de março de 2015

2015 - POLÍTICA (1° BIMESTRE)


Costa diz que chegou a receber R$ 550 mil por mês após deixar Petrobras

Dinheiro, segundo ex-diretor da estatal, era referente a propinas atrasadas.
Relato do ex-dirigente foi feito em depoimento da delação premiada.

Fonte: http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2015/02/costa-diz-que-chegou-receber-r-550-mil-por-mes-apos-deixar-petrobras.html


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O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa fez
acordo de delação premiada com o MPF.
(Foto: Reprodução / Depoimento à Justiça Federal)

 

 

 
 
 
O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa revelou em um de seus depoimentos do acordo de delação premiada que continuou recebendo propina de fornecedoras da estatal mesmo depois de ser demitido, em 2012.
Os pagamentos, referentes a subornos atrasados, chegaram a somar R$ 550 mil mensais, informou o ex-dirigente em trecho da delação, tornada pública em 12/02, no andamento do processo da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná.
Paulo Roberto Costa afirmou à Polícia Federal que a propina que recebeu posteriormente a sua saída da petroleira foi repassada por quatro empreiteiras investigadas na Lava Jato: Engevix, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Iesa.
 
Ao G1, a assessoria da Camargo Corrêa afirmou que a empresa "repudia as acusações sem comprovação e reitera que segue à disposição das autoridades". A empreiteira também ressaltou que tem "prestado as informações solicitadas pelas autoridades para esclarecer os fatos e demonstrar que estas acusações são improcedentes”.
A Engevix declarou que não vai se manifestar no momento e que prestará os esclarecimentos sobre o caso à Justiça.
Por meio de nota oficial, a Queiroz Galvão reiterou que "todas as suas atividades e contratos seguem rigorosamente a legislação vigente". "A companhia está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos que forem necessários”, complementou a construtora no comunicado.
Até a última atualização desta reportagem, a assessoria da Iesa não havia sido localizada.
Em outubro, o delator da Lava Jato já havia afirmado à Justiça Federal do Paraná, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, que havia recebido dinheiro de propina depois de sua demissão da estatal. Na ocasião, no entanto, ele não havia dado detalhes dos valores nem havia mencionado as empresas que pagaram o suborno.
De acordo com o ex-diretor, um dos delatores do esquema de corrupção que atuava na Petrobras, os repasses de suborno atrasado foram feitos até fevereiro de 2014, um mês antes de ele ser preso pela Operação Lava Jato, da PF.
Costa comandou a diretoria de Refino e Abastecimento da estatal entre 2004 e 2012. Ao ser demitido, relatou Costa, o doleiro Alberto Youssef calculou o valor que as empresas que participavam do esquema de corrupção lhe deviam referente a propinas atrasadas.
Conforme o ex-diretor, a construtora Queiroz Galvão lhe devia R$ 800 mil e fez acordo para quitar o valor em oito parcelas de R$ 100 mil. Já a Iesa fez proposta para saldar o saldo de R$ 1,2 milhão em 12 parcelas de R$ 100 mil.
O montante devido pela Engevix, disse Costa, era de R$ 665 mil. A empresa, relatou, propôs acerta o débito em 19 parcelas de R$ 35 mil.
A Camargo Corrêa, segundo ele, era a empresa que lhe devia o maior valor referente a propinas atrasadas: R$ 3 milhões. Deste montante, entretanto, cerca de R$ 100 mil eram correspondentes a uma consultoria que foi efetivamente prestada, ressalvou Costa.
O débito da Camargo Corrêa, de acordo com o delator, iria ser pago inicialmente em 30 parcelas de R$ 100 mil, porém, ele contou que a dívida foi quitada antecipadamente em dezembro de 2013. Além dos R$ 3 milhões, disse Costa, a Camargo Corrêa também lhe devia R$ 72 mil referentes a outro contrato.
· Casa e lancha
Aos policiais federais, Paulo Roberto Costa revelou que usou parte da propina paga depois de sua saída da diretoria da Petrobras para comprar uma casa em um condomínio de Angra dos Reis (RJ), por aproximadamente R$ 3 milhões, e uma lancha por R$ 1, 1 milhão.
O ex-diretor detalhou que, após ter sido calculado quanto as empreiteiras ainda lhe deviam, os pagamentos foram feitos para ele por meio da Costa Global, empresa de consultoria que ela abriu ao deixar a estatal.
Para dar aparência de legalidade às transações, afirmou o ex-dirigente, o dinheiro era justificado como pagamento de prestação de serviços de consultoria que não eram realizados. Conforme Costa, uma de suas filhas era responsável por elaborar as notas frias repassadas às empresas.
 

COMENTÁRIO:



Apesar da corrupção e da lavagem de dinheiro não serem novidade para ninguém, a operação Lava Jato, iniciada no ano passado, chocou o Brasil revelando um elaborado esquema de lavagem de dinheiro envolvendo diversos partidos políticos (como PP, PT e PMDB) e empresas (inclusive a Petrobras, que está no centro das investigações), que movimentou bilhões de reais.


Felizmente, já foram presas cerca de cinquenta pessoas até agora e muitos aceitaram participar da delação premiada, entregando outras pessoas que participavam da fraude, para terem sua pena reduzida.

A nova informação mostrada na reportagem certamente muda as coisas, pois Engevix, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Iesa, que já estavam sob investigação, agora foram apontadas como tendo relação direta com o esquema.

Alguns contratos de obras de refinarias que envolvem essas empreiteiras já estavam sendo investigados, e a estimativa é que tenham sido desviados mais de cem milhões de reais.

E agora que Paulo Roberto Costa relatou que o dinheiro que recebeu depois da saída da Petrobrás foi repassado para estas, acho que podemos esperar novas investigações e talvez até novas prisões de membros destas empreiteiras.

 O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras participava do esquema pressionando empresas com negócios com a Petrobras a pagarem propinas. Porém, agora que ele denunciou que sua própria filha também participava da lavagem de dinheiro, provavelmente ela também será investigada e talvez logo tenhamos novas informações sobre Paulo Roberto da Costa que este não revelou.

Obviamente, espero que ele logo seja condenado e obrigado a cumprir sua pena. Afinal, como se não bastasse o ex-dirigente receber quantias exorbitantes de dinheiro em forma de propinas, ele ainda assumiu ter gasto grande parte com uma casa luxuosa e uma lancha, coisas totalmente supérfluas, enquanto grande parte da população não tem nem um lugar digno onde morar ou mesmo comida descente.

Em suma, parabenizo aqueles que tiveram a iniciativa da operação Lava Jato e espero que, uma vez que esse caso seja encerrado e todos os envolvidos estejam sendo devidamente punidos, o dinheiro que antes era roubado e usado para fins pessoais, para enriquecer de forma ilegal alguns poucos, possa ser aplicado da forma correta, o que acabará ajudando a população brasileira e ter uma vida melhor e com maior qualidade.