Engenheiro quer usar
drones para plantar um bilhão de árvores

Plantar
um bilhão de árvores ao longo de um ano, usando drones. Esta é a ambiciosa meta
da startup americana BioCarbon Engeneering, liderada por Lauren Fletcher, um
ex-engenheiro da Nasa que agora estuda maneiras de utilizar a tecnologia para o
bem da humanidade. O plano se baseia nas estimativas da companhia de que 26
bilhões de árvores sejam derrubadas pela expansão urbana, enquanto somente 15
bilhões são replantadas por ano.
"Vamos
combater o desflorestamento em escala industrial com o reflorestamento em
escala industrial", afirma Fletcher em um dos vídeos de divulgação. O
método de plantio é diferente do tradicional, que consiste em jogar sementes
secas no chão. Segundo a companhia, isso faz com que o índice de sobrevivência
seja baixo.
O
processo começa com a análise do solo, feita pelos drones. Imagens em alta
definição são captadas e mapas em
3D são gerados para avaliação da empresa. Ao encontrar um
local adequado, as máquinas voam a uma altura de dois a três metros do chão e,
então, liberam cápsulas com sementes pré-germinadas cobertas com um hidrogel
nutritivo.
Os
drones também acompanharão o processo de crescimento das árvores e poderão
repor as sementes, se necessário. A empresa não diz que o método é melhor do
que a plantação feita por pessoas, mas certamente é mais veloz e 15% mais
barato.
Dois
operadores humanos controlarão diversos drones para que eles plantem 36 mil
árvores por dia. "O único jeito de atacarmos problemas antigos é
utilizando técnicas que não estavam disponíveis antes", diz Fletcher.
Segundo
um estudo, divulgado em março deste ano pela revista Science Advances, 70% das
florestas do mundo estão ameaçadas pelo desmatamento.
Por
enquanto, a BioCarbon tem um protótipo que foi apresentado na Drones for Good,
uma mostra de iniciativas que usam os drones para o bem da humanidade,
realizada nos Emirados Árabes. A previsão é que a empresa tenha versões
totalmente funcionais dos aparelhos até o final de setembro deste ano.
Comentário:
Esta
matéria apresenta um bom exemplo de biotecnologia: a tecnologia sendo usada
a favor da natureza.
A
sustentabilidade vem sendo cada vez mais priorizada pelos governos, uma vez que
o mundo caminha para o total esgotamento precoce de recursos naturais, o que dá
uma importância ainda maior ao projeto em desenvolvimento da BioCarbon
Engeneering.
Os
drones — explicando melhor para aqueles que , assim como eu antes de pesquisar
sobre o assunto, não fazem ideia do que são drones — são muito semelhantes a um
brinquedo de controle remoto, seguindo os movimentos ordenados por um controle
via rádio que podem ser dados à distância.

Estes
têm sido muito utilizados nos últimos anos por fotógrafos e cinegrafistas para
realizar imagens e filmagens aéreas, apesar de também apresentarem algumas
tarefas mais complexas, como resgates e avaliação de uma área onde ocorreu um
acidente tóxico, no qual humanos não poderiam entrar. Vários drones foram
usados com esse propósito no acidente de Fukushima, no Japão. Além de tudo, a
indústria bélica também vem utilizando essas máquinas para bombardear alvos
militares, uma vez que são menos custosas que aviões e não sacrificam mão de
obra humana daquele que lança o drone.
No
entanto, agora, o reflorestamento surge como uma nova forma de utilização
dessas máquinas, trazendo não só inovação tecnológica por meio de um sistema
novo de dispersão de sementes, mas também meios alternativos de ajudar na
preservação do planeta. Desta forma, fica evidente a criatividade e habilidade
de Lauren Fletcher ao criar este novo sistema de plantio por meio de drones.
Muitos
podem criticar o projeto afirmando que os drones podem ter problemas e que o
uso destes ao invés de mão de obra humana causa o desemprego.
Porém,
no meu ver, as máquinas trazem tantos benefícios que é tolerável uma margem de
erro, e uma vez que o reflorestamento na maioria dos casos não era feito nem por humanos, o desemprego não é um
problema nesta área, também levando em conta que mesmo que os drones sejam
usados, estes são caros, e, portanto, sempre vai haver empresas
que prefiram contratar pessoas para realizar o trabalho.
