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domingo, 7 de junho de 2015

Cultura - 2° Bimestre 2015


Maior exposição sobre Miró no Brasil abre neste domingo em SP

São mais de cem obras do artista, entre elas, algumas do acervo pessoal.
Mostra fica em cartaz até o dia 16 de agosto no Instituto Tomie Ohtake.

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Pássaro, 1959, de Joan Miró

Mulher na Noite, 1973, de Joan Miró

Femme,1981, Joan Miró

Ballarina II, 1925, Joan Míró

O Arlequim, Joan Miró (1893-1983)
 


 
          
 

Será aberta, neste domingo (24/05), em São Paulo, a maior exposição já realizada no Brasil sobre o pintor e escultor espanhol Joan Miró. São mais de cem obras do artista, entre elas, algumas que nunca saíram da casa dele.

Entender a produção de Joan Miró é como ver o desenho de uma criança. Muitas vezes precisa mesmo de explicação. E o artista dava nome a quase todas as suas obras. A experimentação levou o artista a uma pintura intencionalmente cada vez mais ingênua. Ele desconstruiu a realidade, mas nunca abandonou as formas.

O traço infantil e rápido marcou a extensa produção de Miró, onde as cores fortes delineadas em preto estão quase sempre presentes. A técnica nasceu de uma busca intensa - e difícil - para chegar perto do gesto mais espontâneo das crianças.

Pássaros, mulheres, estrelas e a noite são temas explorados em série. É como se o artista quisesse sempre buscar uma nova forma, diferente e melhor para contar suas histórias. Trabalhava em pé e pintava com a tela no chão. Por isso, suas obras não têm profundidade, são bidimensionais.

Mas ele explorou as três dimensões nas esculturas. Na exposição, a gente entende um pouco do processo criativo. Primeiro ele fazia a composição, usando objetos do cotidiano. A partir daí, produzia um molde em cera e depois fundia em bronze.

Uma das obras tem importância especial para Joan Punyet Miró, neto do artista. O avô pegou um boneco dele e tirou a cabeça para compor a escultura com uma lata de tomate

Duas obras da exposição pertencem ao acervo da família do artista e pela primeira vez estão sendo exibidas ao público. Um privilégio.

A mostra fica em cartaz em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake, até o dia 16 de agosto. Depois, em setembro, vai para o Museu de Arte de Santa Catarina, em Florianópolis.
 

 
 

 


Comentário:




A arte, como é de conhecimento geral, foi mudando drasticamente ao longo da história, passando pelas mais diferentes fases e estilos. Entretanto, na minha concepção, o mais impressionante é a forma como, em determinadas épocas em que o conceito de “certo” e “errado”, “bonito” e “feio”, estavam delimitados quase irrevogavelmente pelo entendimento público, alguns artistas conseguiram achar novos meios de expressão, abrindo espaço no meio artístico para interpretações diferentes dos padrões adotados pelos críticos do período. Desta forma, podemos destacar Miró como um dos pioneiros da revolução artística do século XX.
Não há uma verdade única sobre seu passado, portanto, existem opiniões convergentes sobre este ter sido um artista dadaísta, sobre sua inspiração fauvista (especulada devido ao colorido intenso que trazem suas pinturas) ou sobre seu vínculo com o surrealismo e até mesmo cubismo que seria explicado pelo impacto artístico que supostamente sofrera em sua viagem de 1920 à Paris.
Teorias à parte, Joan Miró deixou como legado outro modo de ver o mundo: como a própria matéria nos mostra, ele tentava passar o modo como uma criança enxerga as coisas ao seu redor. Apesar de alguns, limitados aos conceitos estéticos pré-determinados da sociedade, verem apenas riscos e manchas ignóbeis, os que se permitirem manter a mente aberta e atenção à proposta do artista, se verão em uma janela para o tempo passado da infância, o qual todos nós já fizemos parte, mas não nos recordamos mais. Entretanto, Miró ressuscita esse sentimento tão vivo quanto antes, trazendo novamente todas as cores e formas com a mesma intensidade que víamos quando éramos pequenos.
Portanto, para mim, os seus trabalhos são representações compactas do interior humano da forma mais simples possível, uma dinâmica que não consigo identificar tão viva em nenhum outro movimento artístico, o que torna seus trabalhos uma parte única da história.
Assim, vejo essa exposição como de suma importância para a nova geração, que contém muitos futuros artistas, na medida em que estes, em sua maioria, nunca vieram a conhecer esse tipo de trabalho, e agora terão a chance de vislumbrar uma nova faceta da arte. Eu mesma só conheci mais plenamente o trabalho de Miró por causa desta reportagem, e sinceramente gostaria de poder estar nessa exposição apreciando seus quadros e esculturas ao vivo.