Maior exposição sobre Miró no
Brasil abre neste domingo em SP
São mais de cem obras do artista, entre elas,
algumas do acervo pessoal.
Mostra fica em cartaz até o dia 16 de agosto no Instituto Tomie Ohtake.
Mostra fica em cartaz até o dia 16 de agosto no Instituto Tomie Ohtake.

Pássaro, 1959, de Joan Miró
Mulher na Noite, 1973, de Joan Miró
Femme,1981, Joan Miró
Ballarina II, 1925, Joan Míró
O Arlequim, Joan Miró (1893-1983)
Será
aberta, neste domingo (24/05), em São Paulo, a maior exposição já realizada no
Brasil sobre o pintor e escultor espanhol Joan Miró. São mais de cem obras do
artista, entre elas, algumas que nunca saíram da casa dele.
Entender a produção de Joan Miró é como ver o desenho de uma criança.
Muitas vezes precisa mesmo de explicação. E o artista dava nome a quase todas
as suas obras. A experimentação levou o artista a uma pintura intencionalmente
cada vez mais ingênua. Ele desconstruiu a realidade, mas nunca abandonou as formas.
O traço infantil e rápido marcou a extensa produção de Miró, onde as
cores fortes delineadas em preto estão quase sempre presentes. A técnica nasceu
de uma busca intensa - e difícil - para chegar perto do gesto mais espontâneo
das crianças.
Pássaros, mulheres, estrelas e a noite são temas explorados em série. É
como se o artista quisesse sempre buscar uma nova forma, diferente e melhor
para contar suas histórias. Trabalhava em pé e pintava com a tela no chão. Por
isso, suas obras não têm profundidade, são bidimensionais.
Mas ele explorou as três dimensões nas esculturas. Na exposição, a gente
entende um pouco do processo criativo. Primeiro ele fazia a composição, usando
objetos do cotidiano. A partir daí, produzia um molde em cera e depois fundia
em bronze.
Uma das obras tem importância especial para Joan Punyet Miró, neto do
artista. O avô pegou um boneco dele e tirou a cabeça para compor a escultura
com uma lata de tomate
Duas obras da exposição pertencem ao acervo da família do artista e pela
primeira vez estão sendo exibidas ao público. Um privilégio.
A mostra fica em cartaz em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake, até o
dia 16 de agosto. Depois, em setembro, vai para o Museu de Arte de Santa
Catarina, em Florianópolis.
Comentário:
A arte, como é de conhecimento geral, foi mudando drasticamente ao longo
da história, passando pelas mais diferentes fases e estilos. Entretanto, na
minha concepção, o mais impressionante é a forma como, em determinadas épocas em
que o conceito de “certo” e “errado”, “bonito” e “feio”, estavam delimitados quase
irrevogavelmente pelo entendimento público, alguns artistas conseguiram achar
novos meios de expressão, abrindo espaço no meio artístico para interpretações
diferentes dos padrões adotados pelos críticos do período. Desta forma, podemos
destacar Miró como um dos pioneiros da revolução artística do século XX.
Não há uma verdade única sobre seu passado, portanto, existem opiniões
convergentes sobre este ter sido um artista dadaísta, sobre sua inspiração
fauvista (especulada devido ao colorido intenso que trazem suas pinturas) ou sobre
seu vínculo com o surrealismo e até mesmo cubismo que seria explicado pelo
impacto artístico que supostamente sofrera em sua viagem de 1920 à Paris.
Teorias à parte, Joan Miró deixou como legado outro modo de ver o mundo:
como a própria matéria nos mostra, ele tentava passar o modo como uma criança
enxerga as coisas ao seu redor. Apesar de alguns, limitados aos conceitos
estéticos pré-determinados da sociedade, verem apenas riscos e manchas ignóbeis,
os que se permitirem manter a mente aberta e atenção à proposta do artista, se
verão em uma janela para o tempo passado da infância, o qual todos nós já
fizemos parte, mas não nos recordamos mais. Entretanto, Miró ressuscita esse
sentimento tão vivo quanto antes, trazendo novamente todas as cores e formas com
a mesma intensidade que víamos quando éramos pequenos.
Portanto, para mim, os seus trabalhos são representações compactas do
interior humano da forma mais simples possível, uma dinâmica que não consigo
identificar tão viva em nenhum outro movimento artístico, o que torna seus
trabalhos uma parte única da história.
Assim, vejo essa exposição como de suma importância para a nova geração,
que contém muitos futuros artistas, na medida em que estes, em sua maioria,
nunca vieram a conhecer esse tipo de trabalho, e agora terão a chance de
vislumbrar uma nova faceta da arte. Eu mesma só conheci mais plenamente o
trabalho de Miró por causa desta reportagem, e sinceramente gostaria de poder estar
nessa exposição apreciando seus quadros e esculturas ao vivo.
