Novos remédios contra
colesterol são muito caros, diz relatório
Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2015/09/09/internas_cienciaesaude,597136/novos-remedios-contra-colesterol-sao-muito-caros-diz-relatorio.shtml
O alto preço de dois novos
remédios para diminuir o colesterol limita seus benefícios aos pacientes,
segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira por uma organização
norte-americana.
As duas novas drogas -
Praluent, da gigante farmacêutica francesa Sanofi, e Repatha, da californiana
Amgen - atacam a enzima PCSK9 que, quando inibida, pode reduzir o nível do
colesterol LDL.
A Administração de Alimentos e Fármacos (FDA,
na sigla em inglês) aprovou os medicamentos em agosto deste ano, mostrando que
os novos remédios reduziram o colesterol em aproximadamente 55 a 60% em
pacientes que já estavam em tratamento ou não podem tomar drogas à base de
estatina.
O relatório do Institute for
Clinical and Economic Review (ICER) divulgado nesta quarta disse que as
descobertas "fornecem uma certeza moderada de que a terapia com o inibidor
de PCSK9 melhora as taxas dos pacientes" e que as duas novas drogas,
igualmente eficazes segundo a organização, podem ajudar entre 3,5 e 15 milhões
de norte-americanos.
Mas esses benefícios podem
ser limitados pelos custos elevados das drogas. "Com um preço de tabela de
14.000 dólares ao ano, há sérias dúvidas sobre se este valor seria razoável
para os pacientes e para o sistema de saúde", disseram os pesquisadores do
ICER em comunicado.
Eles disseram que reduzir
este preço em 67% traria "benefícios gerais" para os pacientes.
Uma faixa de preço abaixo
dos 2.177 reais é necessária, segundo os pesquisadores do ICER, "para que
os custos totais destes novos remédios fiquem num nível em que médicos e
seguradoras não tentem limitar seu uso para reduzir gastos".
O colesterol alto é
relacionado a doenças cardiovasculares, a causa mais comum de mortes nos
Estados Unidos.
Comentário
Nos últimos anos, a medicina
tem inquestionavelmente avançado no campo de pesquisas e desenvolvimento de remédios.
No entanto, a acessibilidade destes é algo que ainda se apresenta limitada,
pois na maioria dos casos, a produção de um remédio com uma função muito complexa apresenta altos custos de
fabricação e, portanto, um preço de venda mais alto.
No Brasil, por exemplo, o
governo garante o alcance da população a certos medicamentos, os quais são
distribuídos de graça em postos de saúde públicos. Entretanto, estes remédios
cuidam apenas de doenças "comuns", não se estendendo às drogas
descritas na matéria acima.
O colesterol em si, na
realidade, não se trata de uma enfermidade: é uma espécie de gordura ( lipídeo)
produzido pelo nosso organismo, que realiza inclusive algumas funções
essenciais. O verdadeiro problema é o excesso de colesterol no sangue, que causa diversos problemas ao indivíduo.
Esse colesterol considerado
ruim, que pode inclusive causar o entupimento das artérias, é conhecido como
LDL, e é este que as drogas Praluent e Repatha, as duas envolvidas nessa
polêmica sobre os preços, combatem.
O grande problema é que,
apesar de o colesterol não ser considerado uma doença, pode causar até o
infarto se não for tratado.
A maioria das pessoas
acredita que o colesterol alto pode ser resolvido com dietas. No entanto, eu
sei, por experiência própria, que o alto colesterol também pode ser
hereditário, ou seja, uma pessoa cuja família tem histórico de colesterol alto,
pode apresentar este problema mesmo tendo uma alimentação adequada. Assim, em
casos como esse, os remédios são a única solução.
Portanto, é certo que
remédios como estes da matéria acima necessitam ter preços acessíveis a toda a
população, inclusive àquela com menos recursos. Além disso, a empresa ampliará
seu público consumidor e portanto poderá lucrar mais, mesmo com preços mais
baixos.

