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terça-feira, 15 de setembro de 2015

TE CONTEI? - 3º Bimestre 2015



Viciado, eu? Saiba se você é

dependente de tecnologia

Especialista dá quatro dicas de como combater o vício em laptops, tablets e celulares

Fonte:http://tecnologia.terra.com.br/como-saber-se-voce-e-viciado-em-tecnologia-e-4-formas-de-combater,7fe89e84e0ada1dfee5e1f3843e2ffd4do7qRCRD.html



Você passa a maior parte do seu dia em frente a uma tela de laptop, tablet ou celular? Mesmo na hora de dormir? "Então, você vive em modo de sobrevivência. O seu sistema nervoso simpático está funcionando em ritmo forçado. Suponho que você se sinta arrasado à tarde, o que significa que o seu organismo está atuando à base da adrenalina, noradrenalina e cortisol", explica a médica Nerina Ramlakhan, especialista em manejo de energia e técnicas para dormir do hospital de Nightingale, em Londres.








Esta, disse Ramlakhan ao site em espanhol da BBC, BBC Mundo, é a descrição de um viciado em tecnologia.

O perfil dos viciados costuma ter características que se repetem: perfeccionismo, tendência a controlar tudo e bruxismo. "Elas costumam ter um tipo de personalidade: são pessoas automotivadas, competitivas, agressivas e sentem uma necessidade imperiosa de realizar coisas", disse Ramlakhan.

"Para pessoas com estes traços, é muito difícil se desconectar. Não conseguem relaxar e, quando o fazem, se sentem rapidamente exaustos. Até quando veem televisão usam várias telas. Têm um nível de hiperatividade que é produto do medo de não estar no controle", explicou.

Por isso, o simples ato de passar páginas no celular cria uma sensação de gratificação, semelhante à que se sente ao degustar uma comida predileta, fazer algo que nos diverte ou mesmo praticar sexo.

Embora muitos se vangloriem de serem capazes de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, o chamado multitasking, segundo a psicóloga Catherine Steiner-Adair é um perigo, principalmente para crianças. "Vivemos uma diminuição da memória. Não estão desenvolvendo esta parte do cérebro, que é um músculo que necessita de exercícios focados em uma só atividade", disse a psicóloga.

- O diagnóstico








Para Ramlakhan, nestes casos, as pessoas adquirem o padrão clássico do ciclo da fadiga. Nesta situação, a pessoa só consegue se ativar ao receber doses contínuas de dopamina, um hormônio liberado no cérebro pelo hipotálamo. A consequência é maior motivação, aumento dos batimentos cardíacos, melhor humor, maior capacidade de processar informação e mais sono.

Em outras palavras, o vício em tecnologia transforma a pessoa em viciada em dopamina. "Os pacientes vão para a cama e não conseguem dormir. E quando conseguem, acordam cansados. As pessoas me dizem que simplesmente não conseguem 'desligar o cérebro'", afirma Ramlakhan.

A esta altura, pode-se dizer que a mente da pessoa está "fundida", após tantas horas conectada a dispositivos eletrônicos – seja por trabalho ou prazer.

- A receita médica

Para a especialista Ramlakhan, o vício tem que ser atacado por vários ângulos. Ela recomenda quatro ações simples:

- Criar o "entardecer eletrônico" diário: quando a hora de dormir se aproximar, afaste-se de todos os dispositivos tecnológicos e, por exemplo, leia um livro (que não seja eletrônico).

- Mantenha o relógio afastado durante a noite, de forma que não seja possível saber que horas são, para que o passar do tempo não provoque ansiedade.

- Não usar o smartphone como despertador. Recarregue-se com energia saudável: tome café da manhã, ainda que leve, na primeira meia hora após se levantar e antes de tomar qualquer bebida com cafeína.

- Mantenha-se hidratado: tome pelo menos dois litros de água por dia.

- Como prevenir

Um estudo recente da universidade London School of Economics indica que as escolas em que os alunos são proibidos de usar telefones celulares têm resultados melhorados em mais de 6%. A filosofia da escola Steiner-Waldorf desestimula abertamente o uso de dispositivos para crianças menores de 12 anos.

A organização NICE, dedicada à conscientização de hábitos saudáveis no Reino Unido, recomenda um limite de duas horas diárias em frente a dispositivos, de forma a incentivar as atividades físicas. Curiosamente, o problema parece ser mais agudo para a geração que se lembra da vida antes do advento da internet. Para eles, a tecnologia parece exercer uma atração irresistível, segundo Ramlakhan.

Ela diz que tem uma filha de 11 anos que se cansou do Facebook, enquanto o filho de 4 anos não pensa duas vezes antes de desligar todos os dispositivos eletrônicos da casa. "As novas gerações serão mais sagazes. Nós, entretanto, ainda estamos na fase de fascínio com a tecnologia, ainda estamos empolgados."

Enquanto isso acontece, ela diz que é preciso lutar diariamente para recuperar o terreno do sono e das atividades físicas na nossa rotina.

Comentário

O desenvolvimento da tecnologia é uma benção, e no entanto, a ruína da sociedade moderna. Ao mesmo tempo que ganhamos tempo e praticidade, alcançando informações com muito mais facilidade, há alguns anos atrás, menos de uma década, não precisávamos nos preocupar com problemas de saúde relacionados ao uso demasiado da tecnologia.

De acordo com os sintomas descritos, a grande maioria dos jovens podem ser classificados como viciados em tecnologia ( incluindo eu mesma, apesar de grande parte do meu tempo nos aparelhos eletrônicos, em especial o celular,  ser dedicado à leitura).

O que me chama a atenção também é que a geração de jovens entre treze e dezessete, que mais usa a internet hoje em dia, ironicamente, nasceu antes do lançamento dos primeiros smartphones e da eclosão mundial das principais redes sociais de maior sucesso, como o Facebook.

No entanto, estes não lembram tanta coisa assim da época em que esses eletrônicos não existiam, devido a pouca idade. Nesse ponto, eu discordo da afirmativa da matéria de que "o problema parece ser mais agudo para a geração que se lembra da vida antes do advento da internet". A geração que realmente se lembra bem disso é composta praticamente por adultos que, apesar de também serem usuários ativos da internet, são superados em grande número pelos jovens e pelo mais novo público consumidor: as crianças.

A situação que Ramlakhan descreve, sobre seus filhos recusando a tecnologia, está se tornando cada vez mais rara. Muitas gerações já nasceram conectadas "desde o berço". Eu mesma vejo crianças muito novas, algumas com pouco mais de um ano, mexendo no celular no colo dos pais. A atração pela internet é quase imposta pela sociedade. Mesmo que um casal não apresente esse mundo ao seu filho, é quase certo que este vai ver um colega no colégio mexendo no seu tablet ou celular, e vai chegar em casa pedindo um.

Outro fato é que as crianças já ganham muito cedo aparelhos eletrônicos. Eu me lembro que o primeiro smartphone que eu ganhei foi no meu aniversário de treze anos. Hoje em dia, eu vejo crianças com seis, sete anos com seus  iPhones e tablets, muitas vezes tratando os objetos com extremo descaso, deixando-os cair no chão diversas vezes, arranhando, já que são muito novas para entender o valor daquilo que tem em mãos. E, uma vez que estes quebrem, os pais com boas condições financeiras logo os substituem, fazendo com que a criança, além de ficar viciada desde cedo, não aprenda o valor do dinheiro e de cuidar bem dos seus pertences.

Isso sem falar das doenças que podem desenvolver devido às horas excessivas conectados, tanto pela falta de exercícios físicos e "lanchinhos" nada saudáveis (que muitas vezes ocorrem enquanto a criança joga ou acessa redes sociais) podendo levar, por exemplo, à obesidade, quanto pela exposição contínua dos olhos à luz de uma tela, principalmente durante a noite, que também pode causar problemas de insônia.

Resumindo: dicas como as da matéria funcionam muito bem hipoteticamente, mas, na prática, é um esforço quase inútil. As futuras gerações estão predestinadas a dependerem cada vez mais e mais da internet e, as atuais, já estão ligadas demais a esta. A tecnologia é essencial para a comunicação e até mesmo para o trabalho, atualmente; já é impossível para a maioria das pessoas se separar do celular, não apenas por lazer, mas pela necessidade de acessar neste dados, contas etc.

A internet virou uma parte doentia e, no entanto, necessária do ser humano. Portanto, cabe a nós tentar administrar esse mal presente na nossa rotina, de modo que possamos conviver com ele sem nos prejudicarmos.