Viciado, eu? Saiba se você é
dependente de tecnologia
Especialista
dá quatro dicas de como combater o vício em laptops, tablets e celulares
Fonte:http://tecnologia.terra.com.br/como-saber-se-voce-e-viciado-em-tecnologia-e-4-formas-de-combater,7fe89e84e0ada1dfee5e1f3843e2ffd4do7qRCRD.html
Você passa a maior parte do seu dia em frente a uma tela de laptop, tablet ou celular? Mesmo na hora de dormir? "Então, você vive em modo de sobrevivência. O seu sistema nervoso simpático está funcionando em ritmo forçado. Suponho que você se sinta arrasado à tarde, o que significa que o seu organismo está atuando à base da adrenalina, noradrenalina e cortisol", explica a médica Nerina Ramlakhan, especialista em manejo de energia e técnicas para dormir do hospital de Nightingale, em Londres.
Esta, disse Ramlakhan ao site em espanhol da BBC,
BBC Mundo, é a descrição de um viciado em tecnologia.
O perfil dos viciados costuma ter características
que se repetem: perfeccionismo, tendência a controlar tudo e
bruxismo. "Elas costumam ter um tipo de personalidade: são pessoas
automotivadas, competitivas, agressivas e sentem uma necessidade imperiosa de realizar
coisas", disse Ramlakhan.
"Para pessoas com estes traços, é muito
difícil se desconectar. Não conseguem relaxar e, quando o fazem, se sentem
rapidamente exaustos. Até quando veem televisão usam várias telas. Têm um
nível de hiperatividade que é produto do medo de não estar no controle",
explicou.
Por isso, o simples ato de passar páginas no
celular cria uma sensação de gratificação, semelhante à que se sente ao
degustar uma comida predileta, fazer algo que nos diverte ou mesmo praticar
sexo.
Embora muitos se vangloriem de serem capazes de
realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, o chamado multitasking, segundo a
psicóloga Catherine Steiner-Adair é um perigo, principalmente para
crianças. "Vivemos uma diminuição da memória. Não estão desenvolvendo
esta parte do cérebro, que é um músculo que necessita de exercícios focados em
uma só atividade", disse a psicóloga.
- O diagnóstico
Para Ramlakhan, nestes casos, as pessoas adquirem o
padrão clássico do ciclo da fadiga. Nesta situação, a pessoa só consegue
se ativar ao receber doses contínuas de dopamina, um hormônio liberado no
cérebro pelo hipotálamo. A consequência é maior motivação, aumento dos
batimentos cardíacos, melhor humor, maior capacidade de processar informação e
mais sono.
Em outras palavras, o vício em tecnologia
transforma a pessoa em viciada em dopamina. "Os pacientes vão para a
cama e não conseguem dormir. E quando conseguem, acordam cansados. As pessoas
me dizem que simplesmente não conseguem 'desligar o cérebro'", afirma
Ramlakhan.
A esta altura, pode-se dizer que a mente da pessoa
está "fundida", após tantas horas conectada a dispositivos
eletrônicos – seja por trabalho ou prazer.
- A receita médica
Para a especialista Ramlakhan, o vício tem que ser
atacado por vários ângulos. Ela recomenda quatro ações simples:
- Criar o "entardecer eletrônico" diário:
quando a hora de dormir se aproximar, afaste-se de todos os dispositivos
tecnológicos e, por exemplo, leia um livro (que não seja eletrônico).
- Mantenha o relógio afastado durante a noite, de
forma que não seja possível saber que horas são, para que o passar do tempo não
provoque ansiedade.
- Não usar o smartphone como despertador.
Recarregue-se com energia saudável: tome café da manhã, ainda que leve, na
primeira meia hora após se levantar e antes de tomar qualquer bebida com
cafeína.
- Mantenha-se hidratado: tome pelo menos dois
litros de água por dia.
- Como prevenir
Um estudo recente da universidade London School of
Economics indica que as escolas em que os alunos são proibidos de usar
telefones celulares têm resultados melhorados em mais de 6%. A filosofia
da escola Steiner-Waldorf desestimula abertamente o uso de dispositivos para
crianças menores de 12 anos.
A organização NICE, dedicada à conscientização de
hábitos saudáveis no Reino Unido, recomenda um limite de duas horas diárias em
frente a dispositivos, de forma a incentivar as atividades físicas.
Curiosamente, o problema parece ser mais agudo para a geração que se lembra da
vida antes do advento da internet. Para eles, a tecnologia parece exercer uma
atração irresistível, segundo Ramlakhan.
Ela diz que tem uma filha de 11 anos que se cansou
do Facebook, enquanto o filho de 4 anos não pensa duas vezes antes de desligar
todos os dispositivos eletrônicos da casa. "As novas gerações serão
mais sagazes. Nós, entretanto, ainda estamos na fase de fascínio com a
tecnologia, ainda estamos empolgados."
Enquanto isso acontece, ela diz que é preciso lutar
diariamente para recuperar o terreno do sono e das atividades físicas na nossa
rotina.
Comentário
O desenvolvimento da tecnologia é uma benção, e no
entanto, a ruína da sociedade moderna. Ao mesmo tempo que ganhamos tempo e
praticidade, alcançando informações com muito mais facilidade, há alguns anos
atrás, menos de uma década, não precisávamos nos preocupar com problemas de saúde
relacionados ao uso demasiado da tecnologia.
De acordo com os sintomas descritos, a grande
maioria dos jovens podem ser classificados como viciados em tecnologia (
incluindo eu mesma, apesar de grande parte do meu tempo nos aparelhos
eletrônicos, em especial o celular, ser
dedicado à leitura).
O que me chama a atenção também é que a geração de
jovens entre treze e dezessete, que mais usa a internet hoje em dia,
ironicamente, nasceu antes do lançamento dos primeiros smartphones e da eclosão mundial das principais redes sociais de
maior sucesso, como o Facebook.
No entanto, estes não lembram tanta coisa assim da
época em que esses eletrônicos não existiam, devido a pouca idade. Nesse ponto,
eu discordo da afirmativa da matéria de que "o problema parece ser mais
agudo para a geração que se lembra da vida antes do advento da internet".
A geração que realmente se lembra bem disso é composta praticamente por adultos
que, apesar de também serem usuários ativos da internet, são superados em
grande número pelos jovens e pelo mais novo público consumidor: as crianças.
A situação que Ramlakhan descreve, sobre seus
filhos recusando a tecnologia, está se tornando cada vez mais rara. Muitas
gerações já nasceram conectadas "desde o berço". Eu mesma vejo
crianças muito novas, algumas com pouco mais de um ano, mexendo no celular no
colo dos pais. A atração pela internet é quase imposta pela sociedade. Mesmo
que um casal não apresente esse mundo ao seu filho, é quase certo que este vai
ver um colega no colégio mexendo no seu tablet ou celular, e vai chegar em casa
pedindo um.
Outro fato é que as crianças já ganham muito cedo
aparelhos eletrônicos. Eu me lembro que o primeiro smartphone que eu ganhei foi
no meu aniversário de treze anos. Hoje em dia, eu vejo crianças com seis, sete
anos com seus iPhones e tablets, muitas vezes tratando os objetos com extremo descaso,
deixando-os cair no chão diversas vezes, arranhando, já que são muito novas
para entender o valor daquilo que tem em mãos. E, uma vez que estes quebrem, os
pais com boas condições financeiras logo os substituem, fazendo com que a
criança, além de ficar viciada desde cedo, não aprenda o valor do dinheiro e de
cuidar bem dos seus pertences.
Isso sem falar das doenças que podem desenvolver
devido às horas excessivas conectados, tanto pela falta de exercícios físicos e
"lanchinhos" nada saudáveis (que muitas vezes ocorrem enquanto a
criança joga ou acessa redes sociais) podendo levar, por exemplo, à obesidade,
quanto pela exposição contínua dos olhos à luz de uma tela, principalmente
durante a noite, que também pode causar problemas de insônia.
Resumindo: dicas como as da matéria funcionam muito
bem hipoteticamente, mas, na prática, é um esforço quase inútil. As futuras
gerações estão predestinadas a dependerem cada vez mais e mais da internet e,
as atuais, já estão ligadas demais a esta. A tecnologia é essencial para a
comunicação e até mesmo para o trabalho, atualmente; já é impossível para a maioria das pessoas
se separar do celular, não apenas por lazer, mas pela necessidade de acessar
neste dados, contas etc.
A internet virou uma parte doentia e, no entanto,
necessária do ser humano. Portanto, cabe a nós tentar administrar esse mal
presente na nossa rotina, de modo que possamos conviver com ele sem nos
prejudicarmos.


