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domingo, 7 de junho de 2015

Ética e Cidadania - 2° Bimestre 2015


Pastelaria no Centro do Rio é autuada durante fiscalização

Objetivo é combater trabalho escravo e verificar procedência de carne.
Pastelaria no Centro tinha chineses sem documentos e local insalubre.

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A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro (SRTE-RJ), em parceria com o Procon-RJ, realizam nesta sexta-feira (17/04/15) a Operação Yulin, quarta etapa da fiscalização em lanchonetes e pastelarias no Rio. O objetivo da ação é combater o trabalho escravo urbano e o tráfico de pessoas, além da verificação da procedência da carne que está sendo servida aos consumidores. Como mostrou o RJTV, um estabelecimento no Centro do Rio foi autuado durante o período da manhã.
Por volta das 11h, os fiscais iniciaram a ação em uma pastelaria no Centro. No local trabalhavam seis chineses, sendo cinco homens e uma mulher. Dois deles não tinham documento para apresentar. Além disso, o espaço onde os chineses disseram usar para o descanso durante o trabalho foi considerado pelos fiscais insalubre.
Na área interna, onde os alimentos ficam guardados foi encontrado uma grande quantidade de  frango desfiado em cima de um balcão com um ventilador. No local, havia muita mosca, muita sujeira e até mesmo um gato.
Além do Centro, os fiscais foram verificar denúncias na Tijuca, na Zona Norte do Rio, e em outras cidade da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu, Belford Roxo, Duque de Caxias, Jarepi e Paracambi. Essa é quarta fase da "Operação Yulin", que começou no ano de 2013, em Parada de Lucas. Em 2014, foi realizada em Mangaratiba e, no início de 2015, em Copacabana.
O Procon informou que já fiscalizou 16 pastelarias desde o início desta semana. Entre elas, 15 foram multadas e uma foi interditada.
 

 

Comentário:


Eu já havia abordado em matérias passadas assuntos como a falta de ética trabalhista e a escravidão nos dias atuais, geralmente longe dos grandes centros urbanos.
Entretanto, este caso me chamou atenção por ter ocorrido na cidade do Rio de Janeiro.
Atualmente, apesar de esforços de ONGs e organizações internacionais, esta forma de trabalho forçado ainda é uma realidade, contrastando com todo o desenvolvimento e integração que vem ocorrendo no mundo nas últimas décadas. 
Alguns povos considerados atrasados ainda toleram a escravidão por motivos culturais e religiosos. Entretanto, mesmo nos países capitalistas, várias das grandes multinacionais já foram autuadas por utilizarem mão de obra escrava (principalmente infantil), com salários baixíssimos e condições de trabalho desumanas. No Brasil ainda ocorrem alguns casos de abuso e exploração do trabalhador, principalmente na Região Nordeste.
O Rio de Janeiro está localizado numa região de grande desenvolvimento tecnológico e crescente urbanização mas também de  miséria, nas favelas. Uma grande parcela da população trabalha horas excessivas e recebe o salário mínimo. A miséria, geralmente associada ao tráfico de drogas, é um problema contra o qual, não só os governantes do Rio de Janeiro, mas de outros grandes centros do Brasil, vêm lutando há décadas. E, como se já não bastasse os miseráveis locais, agora estamos "importando" a miséria de outros países, com pessoas extremamente pobres sendo trazidas para o Brasil para trabalharem praticamente como escravos.
Apesar do chamado "tráfico de pessoas" não ser uma realidade recente, nos últimos anos vem ganhando mais destaque na mídia por estar ocorrendo em cidades onde se achava que isso não existia mais. Nesse contexto, acho que podemos incluir muitos casos de imigração ilegal com a finalidade de uso do trabalho escravo, que deve ser o caso dos chineses sem documentação, mencionados na reportagem acima.
Além da escravidão urbana, outro ponto da reportagem acima é a baixa qualidade da comida vendida nesse tipo de lanchonetes que se aproveitam da pouca fiscalização para reduzirem seus custos, reduzindo a qualidade do que vendem.  Aliás, a falta de fiscalização vem encorajando o aumento da quantidade de quiosques sem a infraestrutura correta e que usam alimentos de baixa qualidade, muitas vezes de procedência desconhecida e até nocivos á saúde.  
Pelo que se viu na reportagem, quando se vai numa lanchonete ou quiosque, no Rio de Janeiro, e se pede, por exemplo, um pastel de carne, a pessoa pensa estar comendo carne de boi saudável, quando, na verdade pode estar consumindo carne de boi que foi morto porque estava doente ou carne deteriorada, ou mesmo carne de cachorro (simultaneamente ao caso da reportagem acima, foi noticiada a descoberta de uma lanchonete também no Rio de Janeiro, que vendia carne de cão como sendo de boi).
Felizmente, a Operação Yulin, assim como outras que virão (assim espero), vem ajudando a combater esse problema. Sinceramente, aguardo o momento em que os trabalhadores que sofrem esses abusos sejam respeitados e que algumas lanchonetes apresentem um mínimo de ética e respeito para com seus clientes.