Pastelaria no Centro do
Rio é autuada durante fiscalização
Objetivo é combater trabalho escravo e verificar
procedência de carne.
Pastelaria no Centro tinha chineses sem documentos e local insalubre.
Pastelaria no Centro tinha chineses sem documentos e local insalubre.

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro (SRTE-RJ), em
parceria com o Procon-RJ, realizam nesta sexta-feira (17/04/15) a Operação
Yulin, quarta etapa da fiscalização em lanchonetes e pastelarias no Rio. O
objetivo da ação é combater o trabalho escravo urbano e o tráfico de pessoas,
além da verificação da procedência da carne que está sendo servida aos
consumidores. Como mostrou o RJTV, um estabelecimento no Centro do Rio foi
autuado durante o período da manhã.
Por
volta das 11h, os fiscais iniciaram a ação em uma pastelaria no Centro. No
local trabalhavam seis chineses, sendo cinco homens e uma mulher. Dois deles não
tinham documento para apresentar. Além disso, o espaço onde os chineses
disseram usar para o descanso durante o trabalho foi considerado pelos fiscais
insalubre.
Na
área interna, onde os alimentos ficam guardados foi encontrado uma grande
quantidade de frango desfiado em cima de um balcão com um ventilador. No
local, havia muita mosca, muita sujeira e até mesmo um gato.
Além
do Centro, os fiscais foram verificar denúncias na Tijuca, na Zona Norte do
Rio, e em outras cidade da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu, Belford Roxo,
Duque de Caxias, Jarepi e Paracambi. Essa é quarta fase da "Operação
Yulin", que começou no ano de 2013, em Parada de Lucas. Em 2014, foi
realizada em Mangaratiba e, no início de 2015, em Copacabana.
O
Procon informou que já fiscalizou 16 pastelarias desde o início desta semana.
Entre elas, 15 foram multadas e uma foi interditada.
Comentário:
Eu
já havia abordado em matérias passadas assuntos como a falta de ética
trabalhista e a escravidão nos dias atuais, geralmente longe dos grandes centros urbanos.
Entretanto, este caso me chamou
atenção por ter ocorrido na cidade do Rio de Janeiro.
Atualmente,
apesar de esforços de ONGs e organizações internacionais, esta forma de
trabalho forçado ainda é uma realidade, contrastando com todo o desenvolvimento
e integração que vem ocorrendo no mundo nas últimas décadas.
Alguns
povos considerados atrasados ainda toleram a escravidão por motivos culturais e religiosos. Entretanto, mesmo nos países capitalistas, várias
das grandes multinacionais já foram autuadas por utilizarem mão de obra escrava
(principalmente infantil), com salários baixíssimos e condições de trabalho
desumanas. No Brasil ainda ocorrem alguns casos de abuso e exploração do trabalhador, principalmente na Região
Nordeste.
O
Rio de Janeiro está localizado numa região de grande desenvolvimento
tecnológico e crescente urbanização mas também de miséria, nas favelas. Uma grande parcela
da população trabalha horas excessivas e recebe o salário mínimo.
A miséria, geralmente associada ao tráfico de drogas, é um problema contra
o qual, não só os governantes do Rio de Janeiro, mas de outros grandes centros do Brasil, vêm lutando há décadas. E, como se já não bastasse os miseráveis locais, agora estamos "importando" a miséria de outros países, com pessoas extremamente pobres sendo trazidas para o Brasil para trabalharem praticamente como escravos.
Apesar
do chamado "tráfico de pessoas" não ser uma realidade recente, nos últimos anos vem
ganhando mais destaque na mídia por estar ocorrendo em cidades onde se achava que isso não existia mais. Nesse
contexto, acho que podemos incluir muitos casos de imigração ilegal com a finalidade de uso do trabalho escravo, que deve ser o caso dos
chineses sem documentação, mencionados na reportagem acima.
Além
da escravidão urbana, outro ponto da reportagem acima é a baixa qualidade da comida
vendida nesse tipo de lanchonetes que se aproveitam da pouca fiscalização para reduzirem seus custos, reduzindo a qualidade do que vendem. Aliás, a falta de fiscalização vem encorajando o aumento da quantidade
de quiosques sem a infraestrutura correta e que usam alimentos de baixa
qualidade, muitas vezes de procedência desconhecida e até nocivos á saúde.
Pelo que se viu na reportagem,
quando se vai numa lanchonete ou quiosque, no Rio de Janeiro, e se pede, por exemplo, um pastel de carne, a pessoa pensa estar comendo carne de boi saudável, quando, na
verdade pode estar consumindo carne de boi que foi morto porque estava doente ou carne deteriorada, ou mesmo carne de cachorro (simultaneamente ao caso da reportagem
acima, foi noticiada a descoberta de uma lanchonete também no Rio de Janeiro, que vendia carne de cão como sendo de
boi).
Felizmente,
a Operação Yulin, assim como outras que virão (assim espero), vem ajudando a combater esse
problema. Sinceramente, aguardo o momento em que os trabalhadores que sofrem
esses abusos sejam respeitados e que algumas lanchonetes apresentem um mínimo
de ética e respeito para com seus clientes.
