Milhares de estudantes protestam contra a abertura da Expo de Milão
Governo deveria investir no crescimento econômico,
dizem manifestantes.
Evento começa na sexta-feira e vai durar seis meses.
Evento começa na sexta-feira e vai durar seis meses.

Milhares
de estudantes protestam, nesta quinta-feira (30/04/15), contra a abertura da
Expo 2015 em Milão, na Itália. Os manifestantes afirmam que o dinheiro
gasto com a exposição deveria ter sido investido no crescimento econômico e no
mercado de trabalho.
Patrocinadores
e organizadores afirmaram que a exposição pode arrecadar até € 10 bilhões para
o país e esperam cerca de 20 milhões de visitantes durante os seis meses da
exibição, que terá produtos e tecnologias de todo o mundo. A exposição está
prevista para abrir na sexta-feira (01/05/15).
O
movimento "No Expo" (sem exposição) convocou uma manifestação
estudantil na quinta-feira e outra na sexta-feira chamada "No Expo May
Day" na qual são esperadas ao menos 30.000 pessoas, segundo a France
Presse.
"A
Expo é um mega 'grande evento' que empobrece nossas vidas e tragou nosso
dinheiro nos últimos anos com base em concursos públicos fraudados, cimento e
especulação", denuncia o movimento em um comunicado.
O
prefeito de Milão, Giuliano Pisapia, pediu o reforço da segurança durante a
Expo. Na sexta-feira, 50 chefes de Estado e de Governo estarão na cidade para a
inauguração do evento.
Comentário:
A
Expo de Milão, cujo tema esse ano é “Alimentando o planeta: Energia para a
Vida", aparentemente é algo “inocente”, apenas com a intenção de atrair
turistas gerar renda para o país. Porém, a situação é bem mais complicada.
Várias
autoridades foram presas depois de uma investigação que constatou ter ocorrido corrupção na preparação do evento. Também
foi gasto mais dinheiro do que o previsto e por causa de atrasos na construção,
grande parte do projeto não ficou pronto para o dia da abertura. Tudo isso,
somado ao fato de que o dinheiro público gasto na exposição poderia ter sido
investido em outros setores que beneficiassem diretamente os cidadãos,
levou ao descontentamento popular e, consequentemente, às manifestações
ocorridas.
A
meu ver, apesar da proposta original da Expo se tratar da promoção do desenvolvimento
sustentável e solidário, a execução em si se desvia disso, considerando que já
foi divulgado que esta foi patrocinada por grandes multinacionais da indústria agroalimentar, cujos interesses estão
voltados para os lucros, e não para a preservação do planeta nem para causas humanitárias.
O próprio papa Francisco fez uma
crítica à exposição, pedindo que a soliedariedade e a conscientização sobre a
população pobre que passa fome não fiquem “apenas no lema” do evento.
Em suma, apoio a ocorrência das
manifestações como forma de chamar a atenção dos governos para, não só expor o
problema da fome, mas buscar uma solução real para este. Porém, também realço que
os protestos devem ocorrer de forma pacífica, de modo a não atingir turistas e
pessoas inocentes que estejam no local.
