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terça-feira, 15 de setembro de 2015

TE CONTEI? - 3º Bimestre 2015



Viciado, eu? Saiba se você é

dependente de tecnologia

Especialista dá quatro dicas de como combater o vício em laptops, tablets e celulares

Fonte:http://tecnologia.terra.com.br/como-saber-se-voce-e-viciado-em-tecnologia-e-4-formas-de-combater,7fe89e84e0ada1dfee5e1f3843e2ffd4do7qRCRD.html



Você passa a maior parte do seu dia em frente a uma tela de laptop, tablet ou celular? Mesmo na hora de dormir? "Então, você vive em modo de sobrevivência. O seu sistema nervoso simpático está funcionando em ritmo forçado. Suponho que você se sinta arrasado à tarde, o que significa que o seu organismo está atuando à base da adrenalina, noradrenalina e cortisol", explica a médica Nerina Ramlakhan, especialista em manejo de energia e técnicas para dormir do hospital de Nightingale, em Londres.








Esta, disse Ramlakhan ao site em espanhol da BBC, BBC Mundo, é a descrição de um viciado em tecnologia.

O perfil dos viciados costuma ter características que se repetem: perfeccionismo, tendência a controlar tudo e bruxismo. "Elas costumam ter um tipo de personalidade: são pessoas automotivadas, competitivas, agressivas e sentem uma necessidade imperiosa de realizar coisas", disse Ramlakhan.

"Para pessoas com estes traços, é muito difícil se desconectar. Não conseguem relaxar e, quando o fazem, se sentem rapidamente exaustos. Até quando veem televisão usam várias telas. Têm um nível de hiperatividade que é produto do medo de não estar no controle", explicou.

Por isso, o simples ato de passar páginas no celular cria uma sensação de gratificação, semelhante à que se sente ao degustar uma comida predileta, fazer algo que nos diverte ou mesmo praticar sexo.

Embora muitos se vangloriem de serem capazes de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, o chamado multitasking, segundo a psicóloga Catherine Steiner-Adair é um perigo, principalmente para crianças. "Vivemos uma diminuição da memória. Não estão desenvolvendo esta parte do cérebro, que é um músculo que necessita de exercícios focados em uma só atividade", disse a psicóloga.

- O diagnóstico








Para Ramlakhan, nestes casos, as pessoas adquirem o padrão clássico do ciclo da fadiga. Nesta situação, a pessoa só consegue se ativar ao receber doses contínuas de dopamina, um hormônio liberado no cérebro pelo hipotálamo. A consequência é maior motivação, aumento dos batimentos cardíacos, melhor humor, maior capacidade de processar informação e mais sono.

Em outras palavras, o vício em tecnologia transforma a pessoa em viciada em dopamina. "Os pacientes vão para a cama e não conseguem dormir. E quando conseguem, acordam cansados. As pessoas me dizem que simplesmente não conseguem 'desligar o cérebro'", afirma Ramlakhan.

A esta altura, pode-se dizer que a mente da pessoa está "fundida", após tantas horas conectada a dispositivos eletrônicos – seja por trabalho ou prazer.

- A receita médica

Para a especialista Ramlakhan, o vício tem que ser atacado por vários ângulos. Ela recomenda quatro ações simples:

- Criar o "entardecer eletrônico" diário: quando a hora de dormir se aproximar, afaste-se de todos os dispositivos tecnológicos e, por exemplo, leia um livro (que não seja eletrônico).

- Mantenha o relógio afastado durante a noite, de forma que não seja possível saber que horas são, para que o passar do tempo não provoque ansiedade.

- Não usar o smartphone como despertador. Recarregue-se com energia saudável: tome café da manhã, ainda que leve, na primeira meia hora após se levantar e antes de tomar qualquer bebida com cafeína.

- Mantenha-se hidratado: tome pelo menos dois litros de água por dia.

- Como prevenir

Um estudo recente da universidade London School of Economics indica que as escolas em que os alunos são proibidos de usar telefones celulares têm resultados melhorados em mais de 6%. A filosofia da escola Steiner-Waldorf desestimula abertamente o uso de dispositivos para crianças menores de 12 anos.

A organização NICE, dedicada à conscientização de hábitos saudáveis no Reino Unido, recomenda um limite de duas horas diárias em frente a dispositivos, de forma a incentivar as atividades físicas. Curiosamente, o problema parece ser mais agudo para a geração que se lembra da vida antes do advento da internet. Para eles, a tecnologia parece exercer uma atração irresistível, segundo Ramlakhan.

Ela diz que tem uma filha de 11 anos que se cansou do Facebook, enquanto o filho de 4 anos não pensa duas vezes antes de desligar todos os dispositivos eletrônicos da casa. "As novas gerações serão mais sagazes. Nós, entretanto, ainda estamos na fase de fascínio com a tecnologia, ainda estamos empolgados."

Enquanto isso acontece, ela diz que é preciso lutar diariamente para recuperar o terreno do sono e das atividades físicas na nossa rotina.

Comentário

O desenvolvimento da tecnologia é uma benção, e no entanto, a ruína da sociedade moderna. Ao mesmo tempo que ganhamos tempo e praticidade, alcançando informações com muito mais facilidade, há alguns anos atrás, menos de uma década, não precisávamos nos preocupar com problemas de saúde relacionados ao uso demasiado da tecnologia.

De acordo com os sintomas descritos, a grande maioria dos jovens podem ser classificados como viciados em tecnologia ( incluindo eu mesma, apesar de grande parte do meu tempo nos aparelhos eletrônicos, em especial o celular,  ser dedicado à leitura).

O que me chama a atenção também é que a geração de jovens entre treze e dezessete, que mais usa a internet hoje em dia, ironicamente, nasceu antes do lançamento dos primeiros smartphones e da eclosão mundial das principais redes sociais de maior sucesso, como o Facebook.

No entanto, estes não lembram tanta coisa assim da época em que esses eletrônicos não existiam, devido a pouca idade. Nesse ponto, eu discordo da afirmativa da matéria de que "o problema parece ser mais agudo para a geração que se lembra da vida antes do advento da internet". A geração que realmente se lembra bem disso é composta praticamente por adultos que, apesar de também serem usuários ativos da internet, são superados em grande número pelos jovens e pelo mais novo público consumidor: as crianças.

A situação que Ramlakhan descreve, sobre seus filhos recusando a tecnologia, está se tornando cada vez mais rara. Muitas gerações já nasceram conectadas "desde o berço". Eu mesma vejo crianças muito novas, algumas com pouco mais de um ano, mexendo no celular no colo dos pais. A atração pela internet é quase imposta pela sociedade. Mesmo que um casal não apresente esse mundo ao seu filho, é quase certo que este vai ver um colega no colégio mexendo no seu tablet ou celular, e vai chegar em casa pedindo um.

Outro fato é que as crianças já ganham muito cedo aparelhos eletrônicos. Eu me lembro que o primeiro smartphone que eu ganhei foi no meu aniversário de treze anos. Hoje em dia, eu vejo crianças com seis, sete anos com seus  iPhones e tablets, muitas vezes tratando os objetos com extremo descaso, deixando-os cair no chão diversas vezes, arranhando, já que são muito novas para entender o valor daquilo que tem em mãos. E, uma vez que estes quebrem, os pais com boas condições financeiras logo os substituem, fazendo com que a criança, além de ficar viciada desde cedo, não aprenda o valor do dinheiro e de cuidar bem dos seus pertences.

Isso sem falar das doenças que podem desenvolver devido às horas excessivas conectados, tanto pela falta de exercícios físicos e "lanchinhos" nada saudáveis (que muitas vezes ocorrem enquanto a criança joga ou acessa redes sociais) podendo levar, por exemplo, à obesidade, quanto pela exposição contínua dos olhos à luz de uma tela, principalmente durante a noite, que também pode causar problemas de insônia.

Resumindo: dicas como as da matéria funcionam muito bem hipoteticamente, mas, na prática, é um esforço quase inútil. As futuras gerações estão predestinadas a dependerem cada vez mais e mais da internet e, as atuais, já estão ligadas demais a esta. A tecnologia é essencial para a comunicação e até mesmo para o trabalho, atualmente; já é impossível para a maioria das pessoas se separar do celular, não apenas por lazer, mas pela necessidade de acessar neste dados, contas etc.

A internet virou uma parte doentia e, no entanto, necessária do ser humano. Portanto, cabe a nós tentar administrar esse mal presente na nossa rotina, de modo que possamos conviver com ele sem nos prejudicarmos.

SAÚDE E BEM ESTAR - 3º Bimestre 2015


Novos remédios contra colesterol são muito caros, diz relatório

Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2015/09/09/internas_cienciaesaude,597136/novos-remedios-contra-colesterol-sao-muito-caros-diz-relatorio.shtml





O alto preço de dois novos remédios para diminuir o colesterol limita seus benefícios aos pacientes, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira por uma organização norte-americana.

As duas novas drogas - Praluent, da gigante farmacêutica francesa Sanofi, e Repatha, da californiana Amgen - atacam a enzima PCSK9 que, quando inibida, pode reduzir o nível do colesterol LDL.

A  Administração de Alimentos e Fármacos (FDA, na sigla em inglês) aprovou os medicamentos em agosto deste ano, mostrando que os novos remédios reduziram o colesterol em aproximadamente 55 a 60% em pacientes que já estavam em tratamento ou não podem tomar drogas à base de estatina.

O relatório do Institute for Clinical and Economic Review (ICER) divulgado nesta quarta disse que as descobertas "fornecem uma certeza moderada de que a terapia com o inibidor de PCSK9 melhora as taxas dos pacientes" e que as duas novas drogas, igualmente eficazes segundo a organização, podem ajudar entre 3,5 e 15 milhões de norte-americanos.

Mas esses benefícios podem ser limitados pelos custos elevados das drogas. "Com um preço de tabela de 14.000 dólares ao ano, há sérias dúvidas sobre se este valor seria razoável para os pacientes e para o sistema de saúde", disseram os pesquisadores do ICER em comunicado.

Eles disseram que reduzir este preço em 67% traria "benefícios gerais" para os pacientes.

Uma faixa de preço abaixo dos 2.177 reais é necessária, segundo os pesquisadores do ICER, "para que os custos totais destes novos remédios fiquem num nível em que médicos e seguradoras não tentem limitar seu uso para reduzir gastos".

O colesterol alto é relacionado a doenças cardiovasculares, a causa mais comum de mortes nos Estados Unidos.



Comentário

Nos últimos anos, a medicina tem inquestionavelmente avançado no campo de pesquisas e desenvolvimento de remédios. No entanto, a acessibilidade destes é algo que ainda se apresenta limitada, pois na maioria dos casos, a produção de um remédio com uma função  muito complexa apresenta altos custos de fabricação e, portanto, um preço de venda mais alto.

No Brasil, por exemplo, o governo garante o alcance da população a certos medicamentos, os quais são distribuídos de graça em postos de saúde públicos. Entretanto, estes remédios cuidam apenas de doenças "comuns", não se estendendo às drogas descritas na matéria acima.

O colesterol em si, na realidade, não se trata de uma enfermidade: é uma espécie de gordura ( lipídeo) produzido pelo nosso organismo, que realiza inclusive algumas funções essenciais. O verdadeiro problema é o excesso de colesterol no sangue,  que causa diversos problemas ao indivíduo.

Esse colesterol considerado ruim, que pode inclusive causar o entupimento das artérias, é conhecido como LDL, e é este que as drogas Praluent e Repatha, as duas envolvidas nessa polêmica sobre os preços, combatem.

O grande problema é que, apesar de o colesterol não ser considerado uma doença, pode causar até o infarto se não for tratado.

A maioria das pessoas acredita que o colesterol alto pode ser resolvido com dietas. No entanto, eu sei, por experiência própria, que o alto colesterol também pode ser hereditário, ou seja, uma pessoa cuja família tem histórico de colesterol alto, pode apresentar este problema mesmo tendo uma alimentação adequada. Assim, em casos como esse, os remédios são a única solução.
Portanto, é certo que remédios como estes da matéria acima necessitam ter preços acessíveis a toda a população, inclusive àquela com menos recursos. Além disso, a empresa ampliará seu público consumidor e portanto poderá lucrar mais, mesmo com preços mais baixos.

POLÍTICA - 3º Bimestre 2015


Unidades do Minha Casa Minha Vida são 'maquiadas' para visita de Dilma
Fonte:http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/08/25/interna_politica,681732/unidades-do-minha-casa-minha-vida-sao-maquiadas-para-visita-de-dilma.shtml
 
 

As quatro unidades do Minha Casa Minha Vida a serem visitadas nesta terça-feira pela presidente Dilma Rousseff, em Catanduva, interior de São Paulo, passaram por uma maquiagem nos últimos dois dias e ganharam jardins com flores e arbustos plantados na última hora por uma floricultura e pintura nova na área interna.


 
 
As casas ganharam jardins com flores e arbustos plantados na última hora por uma floricultura e pintura nova.
Na visita, a imprensa poderá filmar e fotografar Dilma apenas nas quatro casas que receberam a maquiagem. Ontem uma equipe da EBC (TV oficial do governo) gravou uma reportagem nestas mesmas unidades.
A reportagem do jornal O Estado de S.Paulo visitou o local na véspera da inauguração. Trata-se de um conjunto modelo, o primeiro a ser inaugurado com total infraestrutura (escola, creche, praças, quadras esportivas, posto de saúde e de polícia). As casas em geral estão em bom estado: todas têm 43 m2, sistema de aquecimento de água solar e quintal, mas não receberam o mesmo tratamento estético do local que servirá de cenário para a visita presidencial. Segundo um trabalhador do local, a maquiagem foi feita entre domingo e segunda-feira especialmente para a chegada de Dilma.
Segundo a CEF, as casas que Dilma vai visitar foram escolhidas por ficarem próximas ao palco do evento e os retoques estéticos têm como objetivo "servir de modelo de uso e conservação" para os demais moradores. De acordo com o banco, "não há maquiagem". A Presidência não explicou o motivo da diferença entre as casas.
O conjunto custou R$ 108 milhões sendo que R$ 17 milhões são do governo de São Paulo e o restante verbas da União. No total o governo vai entregar nesta terça-feira 2.555 unidades do Minha Casa Minha Vida em quatro cidades da região. Para aumentar o impacto político, Dilma escalou os ministros Edinho Silva (Comunicação Social), Gilberto Kassab (Cidades) e a presidente da CEF, Miriam Belchior, para entregar casas em Araraquara, Araras e Mauá.
Antes (foto de dia) e depois (foto de noite) do serviço de floricultura.
 
Comentário:
O primeiro impulso, lendo apenas o título da reportagem, é acusar o governo de estar enganando a população, oferecendo serviços inferiores ao prometido no programa "Minha casa, minha vida".
No entanto, de acordo com a matéria, as casas que não foram "embelezadas" para a visita da presidenta e as que receberam esse tratamento são idênticas, tendo os mesmos recursos e estrutura, com diferenciação apenas na estética.
Porém, há algo que eu não consigo entender: 
Foi gasta uma quantidade descomunal de dinheiro para a construção do conjunto, de modo que todos os imóveis já estão completos e prontos para atenderem as necessidades básicas de futuros residentes. Considerando que este é um modelo para os demais que venham a ser construídos desta forma, e que havia essa possibilidade de serem realizadas filmagens da governante no local, porque economizaram dessa forma com a estética, uma vez que alguns milhares de reais para o "embelezamento" de todos os imóveis, seriam mínimos comparados aos R$ 108 milhões já investidos?
Ou seja, para mim, não faz sentido se preocupar  tanto com a impecabilidade de detalhes supérfluos como jardim e pintura, a ponto de considerar que devam ser exibidos na televisão como exemplo para todo o conjunto, mas aplicar esse tratamento em apenas quatro casas, sendo que o custo para a realização deste em todas as moradias seria baixo somado ao total gasto.
Independentemente de partidos políticos, o governo como um todo agiu de forma inconsequente e antiética, realizando essas mudanças apenas para as filmagens em apenas quatro casas. Apesar de não exatamente "favorecer" com grandes vantagens os futuros residentes desses imóveis "maquiados", poderiam perfeitamente ter feito essa "maquiagem" em todas as outras moradias. Essa falta de coerência só contribui para aumentar o sentimento de revolta da população em geral para com o governo atual.

MUNDO - 3º Bimestre 2015


Supermodelo russa gera debate global ao denunciar

preconceito contra irmã autista
Uma supermodelo iniciou um debate global a respeito dos direitos de pessoas com deficiência na Rússia.




Fonte:http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150814_modelo_russa_denuncia_preconceito_fn








Natalia Vodianova já foi capa das principais revistas de moda


do mundo e fez campanhas para os nomes mais famosos
 
Um incidente envolvendo a irmã da modelo Natalia Vodianova, Oksana, aconteceu no dia 11 de agosto.

Oksana, de 27 anos, tem autismo e paralisia cerebral e tinha ido a um café acompanhada da cuidadora. Era um dia quente na cidade de Nizhny Novgorod e as duas tentavam descansar.

O dono do café não gostou da presença das duas e pediu para que Oksana saísse alegando que ela estava "assustando os clientes".

Natalia Vodianova, uma das modelos mais famosas do mundo e que já foi capa da Vogue e fez campanhas para Calvin Klein, entre outros, postou a história do que aconteceu com a irmã logo no dia seguinte, 12 de agosto.

Segundo o post da supermodelo, eis o que aconteceu dentro do café: a cuidadora de Oksana fez um pedido no café e então o dono do local apareceu exigindo que as duas saíssem imediatamente.

"Saiam. Vocês estão espantando os clientes. Vá procurar um médico para você e para sua filha. E, depois, saia em público", teria dito o dono do café.

Depois que a cuidadora explicou que Oksana tinha necessidades especiais, o dono do café aparentemente chamou seguranças para obrigar as duas mulheres a saírem.

"Saiam, ou vamos chamar um hospício, uma ambulância e vamos trancar vocês em um porão", teria dito um dos seguranças, segundo Natalia Vodianova.

Larisa, a mãe de Natalia e Oksana, estava trabalhando, foi chamada e foi até o café. Depois de muita discussão, Larisa tirou Oksana e a cuidadora de dentro do café, mas a história ainda não terminou.

As três mulheres foram levadas até uma delegacia de polícia suspeitas de "vandalismo".





O post de Natalia Vodianova denunciou a humilhação da irmã, Oksana
- Inquérito

Um dia depois de a supermodelo divulgar a história em sua página do Facebook, o post já estava com 80 mil curtidas e 4,7 mil comentários.

Com isto, a história foi parar em noticiários de grandes redes de televisão e jornais internacionais.

Apesar de terem sido levadas para a delegacia acusadas de "vandalismo", não foram feitas acusações formais contra Oksana, a cuidadora e a mãe, Larisa. Ao invés disso, foi instaurado um inquérito policial para saber se houve "humilhação da dignidade humana" por parte dos proprietários do café.

Os donos do café se defenderam afirmando que Oksana estava se comportando "de um jeito estranho".

"Ela ficou sentada no chão durante uma hora. Ela batia a cabeça contra a parede", disse Anar Bayramov, o filho do dono do café em uma entrevista para o canal de televisão estatal Rossiya 1.

Alguns se manifestaram a favor dos donos do café nas redes sociais.

"Acho que a aparência de uma pessoa doente não melhora o apetite", comentou uma pessoa no VKontakte, a versão russa do Facebook.

Mas, muitos postaram comentários a favor de Oksana e contra os donos do café.

"Estas pessoas [ preconceituosas ] são doentes, elas são uma vergonha para a humanidade", comentou Sarmad Akram, na página de Facebook de Vodianova.

Outros russos famosos também fizeram críticas.

"Nunca mais vou pisar no café Flamingo e espero que vocês me apoiem", disse a editora-chefe da revista The New Times, Yevgeniya Albats.




 
1° IMAGEM - Yevgeniya Albats prometeu, no tuíte, nunca mais 'pisar' no café onde Oksana foi humilhada e pediu para que outros fizessem o mesmo

 

2° IMAGEM - 'A irmã de Vodianova sofre de paralisa cerebral e foi chutada para fora de um café em Nizhnoy Novgorod. Humanidade e gentileza atualmente não estão na moda.'


Outros questionaram os motivos da supermodelo, afirmando que ela só queria a atenção da imprensa.

"Os deficientes não têm nada a ver com isso. Vodianova inflacionou os Relações Públicas, no estilo ocidental", tuitou uma pessoa não identificada.

"Tendo tanto dinheiro, por que, senhorita Vodianova, você não deu à sua irmã uma vida em, por exemplo, algum centro de saúde apropriado para pessoas doentes, no litoral?", perguntou um usuário do VKontakte.

- 'Típico'

Para especialistas, a situação com a irmã de Natalia Vodianova é algo "típico" da Rússia e "toda família com um filho assim" enfrenta uma situação parecida.

Irina Dolotova, gerente de projeto na Road to World, uma organização de caridade russa que dá apoio a crianças com necessidades especiais e às famílias destas crianças, conversou com a BBC.

Para ela, a Rússia "está no começo do caminho" em termos de proteção dos direitos das pessoas com deficiência.

"A situação é nova. Até a década de 1990 não era considerado aceitável mostrar estas crianças, havia muitas crenças supersticiosas e havia pouca conscientização na sociedade", afirmou.

Os jornalistas Lee Kumutat e Kathleen Hawkins, do blog BBC Ouch, especializado no assunto, afirmam que os efeitos de um incidente como este podem ser duradouros para as pessoas com deficiência.

Eles lembram que os Jogos Paralímpicos de Inverno em Sochi, em 2012, foram um sucesso em termos de acessibilidade. E também há uma legislação que se relaciona exclusivamente às pessoas com deficiência, adotada em 1995.

Mas, Tanya Cooper, da ONG Human Rights Watch, disse que estas leis não se relacionam à discriminação, cobrem apenas os benefícios, empregos e subsídios.

No momento, o dono do café está sendo investigado pelo Comitê Federal de Investigação russo. Mas Cooper disse que faria mais sentido usar leis contra discriminação de forma mais consistente ao invés de aplicar um artigo mais severo do código criminal, que pode resultar em cinco anos de prisão.



Cooper morou em Moscou e afirmou ainda que a discriminação contra pessoas com deficiência é "desenfreada e enraizada" na Rússia e muitos russos tratam pessoas com deficiência "como se elas fossem doentes e tivessem que ficar longe de lugares públicos".


 
A modelo Natalia Vodianova (à direita) e sua irmã, Oksana



Comentário


A meu ver, uma coisa é preservar a cultura e as tradições de um país. A outra, bem diferente, é manter uma mentalidade arcaica e preconceituosa, discriminando pessoas que nem ao menos tem capacidade de se defender.


As autoridades russas precisam imediatamente tomar uma atitude para acabar com esse tipo de situação, conscientizando a população sobre o óbvio: as pessoas com deficiências também são humanas, e devem ser tratadas como tal.


Na realidade, é necessário até mesmo um cuidado especial, pois todos os dias elas enfrentam vários obstáculos na realização dos mais simples feitos, e persistem na luta contra seus limites; portanto, elas devem ser motivadas a continuar, e não repudiadas por tentar fazer programas normais, como simplesmente ir à uma cafeteria.

Uma pessoa que fez um comentário na postagem de Natalia Vodianova perguntou porque a supermodelo não colocou a irmã em uma casa para deficientes. A resposta é simples: isso significaria isolar Oksana da sociedade, como se ela fosse uma espécie de ’'monstro'' que não pudesse chegar perto de humanos (o que parece ser o pensamento hediondo  comum a uma parte da população russa). A atitude de Natalia foi a mais correta possível, pois manter a irmã morando com ela, significa  dar à garota uma vida normal ( na medida do possível ) e ajudá-la a se integrar na sociedade.

Aqui no Brasil, por exemplo, a discriminação que parece ser comum na sociedade russa soa até mesmo um pouco ridícula, uma vez que, apesar de ainda haver preconceito, este é bem menos explícito na sociedade.

A iniciativa da modelo de condenar publicamente esse absurdo é louvável, assim como a da editora-chefe da revista The New Times, de não pisar mais no café, cujo dono e funcionaários que participaram dessa ação inescrupulosa deveriam ser punidos severamente por esses feitos. Mesmo pequenas acões como essa, diante do grande número de pessoas ignorantes e preconceituosas, acabam fazendo a diferença.

Espero que, um dia, a Rússia supere essa procrastinação na aceitação das pessoas com necessidades especiais, e se torne uma sociedade do século vinte e um, que aceite as diferenças e deficiências, como já vem acontecendo nas sociedades modernas.

 

ÉTICA E CIDADANIA - 3° Bimestre 2015


'Dormi com rato, barata e esgoto', diz operário em obra da Rio 2016

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150901_escravo_jp 



Localizada na Zona Oeste do Rio, Vila dos Atletas abrigará mais de 17 mil competidores e equipes técnicas durante Olimpíada



"Se você está achando ruim, pede a conta". Foi isso que J.S., de 29 anos, contou ter ouvido durante meses ao reclamar por, segundo ele, trabalhar treze horas diárias ─ além de sábados ─ e não receber as horas extras, ficar com salário atrasado e incorreto e dormir amontoado com mais 20 homens num alojamento com ratos, baratas e colchões rasgados.



Em contato mediado pelo MPT-RJ, o trabalhador concordou em conversar com a BBC Brasil desde que sua identidade fosse preservada e com uma foto de costas, por temer represálias.

O jovem diz ter sido contratado pela empresa Brasil Global Serviços, que fornece mão de obra ao consórcio Ilha Pura (formado pelas empreiteiras Odebrecht e Carvalho Hosken), que toca a obra.

Já de volta ao Estado de origem, no Nordeste, o trabalhador falou por telefone à BBC Brasil, e descreveu detalhes dos quase oito meses no Rio. "Passei a primeira semana dormindo no chão. A casa era uma humilhação, de verdade. A gente foi tratado como bicho mesmo", conta.

A BBC Brasil entrou em contato com a Brasil Global Serviços (BGS) e o consórcio Ilha Pura. O advogado da BGS, Rômulo de Oliveira Nascimento, rejeitou as acusações do MPT-RJ e disse que "não existe nenhum vínculo, de qualquer natureza, que relacione a Brasil Global com o imóvel onde foram localizados os operários", além de ressaltar o "respeito às leis trabalhistas".

O advogado não deixou claro quem seria o responsável pela contratação dos 11 trabalhadores resgatados.Já o consórcio Ilha Pura que "mantém procedimentos rigorosos em quaisquer de suas relações trabalhistas, assegurando o atendimento às leis vigentes inclusive no que se refere às condições de trabalho de profissionais contratados por prestadoras de serviço que atuam no empreendimento" e disse que "indentifica e fizcaliza alojamentos mantidos por seus fornecedores de mão de obra".
Operário diz que dormia em alojamento com ratos, baratas e colchões rasgados
 


"Sobre as acusações que envolvem a Brasil Global Serviços, a Ilha Pura permanece apurando as informações e à disposição para colaborar com as autoridades", acrescenta o consórcio.


Após a fiscalização do MPT-RJ, a Brasil Global Serviços pagou R$ 70 mil em rescisões, (13º, FGTS, férias proporcionais) relativos à demissão dos 11 funcionários, além de ressarcir as passagens de vinda ao Rio e custear a volta aos seus Estados de origem. A empresa confirmou à BBC Brasil que vai recorrer das ações de danos morais impetradas na Justiça do RJ.


De acordo com a procuradora Guadalupe Turos Couto, que lidera as investigações no MPT-RJ, os próximos desdobramentos do caso incluem determinar se as empreiteiras Odebrecht e Carvalho Hosken podem responder por responsabilidade solidária, o que será crucial para a determinação do valor das indenizações, e posteriormente acionar penalmente os responsáveis.


J.S. e os outros dez colegas aguardam agora os processos judiciais. "Eles vão pagar pelo que fizeram com a gente", diz.

Veja os principais trechos do depoimento:
"Sou do interior do Nordeste e passei quase oito meses na obra da Ilha Pura, condomínio da Vila dos Atletas, no Rio de Janeiro. Na carteira de trabalho estava contratado como ajudante de carpinteiro, mas na prática ajudei com massa, reboco, carreguei sacos de cimento e também coloquei pisos.
Tudo começou com meu tio, que já estava trabalhando no Rio. Ele fez um contato, falei ao telefone com um encarregado, comprei a passagem de avião e fui. Mas quando eu cheguei, passei um mês parado, esperando entrevistas. Eles não davam explicação, diziam que tinha que esperar ser chamado.
Passei a primeira semana dormindo no chão. Depois me deram um colchão velho, rasgado, muito ruim mesmo. O alojamento era para dez pessoas, mas logo estávamos em 18 e, de repente, já eram 21 trabalhadores. Não tinha lugar para todo mundo, e, no começo, dormi na varanda. Depois fui dormir na garagem, com mais quatro colegas. Quando chovia, a gente se molhava inteiro.
Olha, a casa era uma humilhação, de verdade. A gente foi tratado como bicho mesmo, pior do que você trata um cachorro. Era lotado demais, e tinha barata, rato, cheiro de esgoto. Colchão rasgado, detonado. O pessoal dormia amontoado, e como tinham turnos diferentes, era sempre um entra e sai, uma confusão.
No primeiro mês, das entrevistas e seleção, ganhei R$ 560, incluindo R$ 300 de alimentação e R$ 260 pelos dias. Depois o trabalho começou para valer, e eu pegava às 7h e largava às 18h, 19h, às vezes 20h. Fazia hora extra todo dia, trabalhando uma média de 12 a 13 horas diárias. A semana era de segunda a sábado, a gente só tinha folga domingo.
Mas eu logo vi que não era bem o que eu imaginava. O primeiro pagamento mesmo foi de R$ 850. Falaram que eram R$ 300 da janta e R$ 550 das horas (trabalhadas), mas veio errado. Nunca recebi as primeiras horas extras, nem os primeiros quatro sábados trabalhados.
Tinha mês que o salário vinha certo, tinha mês que vinha errado. Tinha mês que ganhava o vale alimentação de R$ 300 e tinha mês que não caía. A gente pegava do nosso dinheirinho para fazer janta quando via que dava dia 20 e não caía, chegava dia 5 e não caía.
'Se você está achando ruim, pede a conta', era o que eu ouvia quando ia reclamar do pagamento.
Além de condições precárias de alojamento, trabalhador reclama de problemas com pagamentos
 
 


A folga era só no domingo. Mas olha, se fosse para receber direitinho, eu trabalhava até de segunda à segunda. Só fiz foi trabalhar mesmo. Saía cedinho e voltava bem cansado.


A coisa piorou quando veio um pessoal para despejar a gente. Era oficial de justiça, polícia, os donos da casa. Acho que por falta de pagamento mesmo. Foi muita humilhação. Eu tive que pular o muro para pegar meus documentos, porque já estava tudo bagunçado. Nossas roupas, nossa comida, eles reviraram tudo.


Aí a Ilha Pura disse que ia colocar a gente em quatro quitinetes, mas na verdade alugaram só duas. Passei quase dois meses ali. Ficou mais lotado ainda, e de novo cheio de barata e rato, colchão velho e rasgado, muito ruim.


De repente eles falaram que não iam mais pagar o alojamento. A gente chegou a perguntar o valor. O aluguel da quitinete era R$ 600 e se fosse dividir em quatro daria R$ 150 para cada um, mas ninguém tinha condição de pagar isso.

'Estão achando ruim? É só pedir a conta', foi o que a gente ouviu de novo. A gente ficou desesperado. Falamos com dois repórteres de televisão que vieram fazer reportagem na Ilha Pura, mas eles falaram que não era a área deles. Estávamos pedindo ajuda mesmo.
Falamos com os encarregados e com o sindicato, mas não adiantou muita coisa. Aí dois colegas ficaram sabendo que a gente poderia reclamar para o Ministério Público do Trabalho, e foi aí que a coisa começou a tomar outro rumo.
Fizeram a batida e disseram que a gente ia para casa. Recebi R$ 6.133,76 de rescisão, e foi bom porque nesses oito meses lá vi muita gente sair sem receber. A empresa colocou a gente num hotel por uns dias, nos fundos da obra, e olha, eles são muito desaforados mesmo, porque mandaram comida para a gente que nem um cachorro come. Carne crua, galinha crua, nem tinha como comer.
Eu só queria uma vida melhor, sabe. Trabalhar e voltar para o Nordeste, mas nesse lado realmente não valeu a pena. Como carpinteiro e eletricista lá na minha terra eu chego a tirar R$ 1.500, quando vou fazer um telhado, e cada tomada cobro R$ 120. Teve mês que já tirei R$ 5.000, e num mês fraco tiro R$ 800.
Rapaz, do Rio de Janeiro eu gostei muito. Eu gosto de conhecer local diferente. Já trabalhei no Ceará, já trabalhei em vários lugares do meu Estado. Nunca tinha sido maltratado assim, mas a cidade realmente é bonita, eu gostei. Vi Copacabana, Leblon, Barra. O Pão de Açúcar e o Cristo eu também via sempre, mas só de longe.
Eu não fico revoltado. Eu fico mais alegre, porque eles vão aprender a dar valor e respeitar o trabalhador que larga sua família lá longe e vai atrás de uma vida melhor. Eles vão pagar pelo que fizeram com a gente. Eu chorei sozinho no Rio de Janeiro, viu. Perdi dois tios e um avô nesses oito meses, e não tinha como ir. Só fazia trabalhar. É triste.
O que ficou da experiência? Rapaz, eu não guardo mágoa. Já fiz feira, fui menino criado no meio do comércio. Minha mãe teve derrame e eu tinha que sustentar a casa, dar banho nela. Fui um menino bem sofrido mesmo, mas sou uma pessoa forte de espírito. A gente passa uma vez, e passa a segunda.
Nessa parte de sofrimento, cada dia para mim é uma nova experiência."


Comentário:

Infelizmente, mesmo que a escravidão tenha sido extinta, esse nome ainda aparece muitas vezes nos dias atuais; esta palavra pode ser usada no contexto de denominar condições de trabalho desumanas, apesar de assalariado, como é o caso da reportagem acima, e de vários outros, que ocorreram e ocorrem ao redor do mundo.

Para mim, ainda é dificil entender como uma grande empresa, dirigida por pessoas instruídas, pode realizar esse tipo de atrocidade, condenando seus trabalhadores a viverem na imundície e realizando expedientes demasiadamente extensos.

Numa situação como esta, em que uma companhia ( esta visivelmente sem moral ou ética) resolve lucrar em cima do barateamento extremo de sua mão de obra, as implicações deste feito parecem não ser medidas por seus dirigentes.

O mundo está extrema e quase completamente globalizado, as informaçãoes correm frenéticamente entre os mais diferentes meios de acesso; mesmo que um operário venha de uma região mais humilde e menos industrializada, em algum momento este vai descobrir uma forma de expor a sua situação, e a empresa culpada terá que arcar com idenizaçãoes e propaganda negativas, que acabarão por lhe custar muito mais do que se tivesse respeitado as leis trabalhistas.

O relato do trabalhador acima chega e emocionar, mostrando os maus tratos a que foi submetido, o trabalho fatigante que lhe foi imposto e o fato de ter que lidar com a dor da perda sem ao menos poder dizer adeus aos seus entes queridos, como ele conta que ocorreu na matéria.

Chega a ser até difícil imaginar estar preso nessa situação, completamente impotente contra seus carcereiros, ou pensar que o mesmo homem que impiedosamente lhes dizia "Estão achando ruim? É só pedir a conta", provavelmente tem uma família, que por fatalidade do destino, poderia acabar tendo que trabalhar nessas condições também. Quem pratica esse tipo de ação inescrupulosa, provavelmente não dá uma parada para refletir que aquilo também poderia acontecer com as pessoas com quem se importa ou com ele mesmo.

Enfim, imagino que caiba ao governo realizar uma fiscalização e desenvolver uma legislação mais rigorosas, que impeça futuras situações como essa, além de prestar maior assistência a imigrantes que venham de outras regiões do Brasil para trabalhar no Rio de Janeiro, informando-lhes sobre seus direitos e mostrando-lhes como denunciar abusos e falta de ética e respeito à legislação trabalhista.